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Clodovil Hernandes

Estilista, apresentador e político brasileiro (1937–2009)

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Clodovil Hernandes, nome artístico de Clodovir Hernandes (Elisiário, 17 de junho de 1937 – Brasília, 17 de março de 2009), foi um estilista, ator, apresentador de televisão, político e filantropo brasileiro.

Natural do interior de São Paulo, Clodovil começou sua carreira como costureiro no final da década de 1950, consagrando-se em nível nacional na década de 1970, ao lado de outros grandes pioneiros como Dener Pamplona de Abreu (1937-1978). Com seu ateliê baseado na cidade de São Paulo, Clodovil desenhou roupas de alta-costura para muitas mulheres ricas e famosas em todo o país, mas também se dedicou ao prêt-à-porter, voltado para um vestuário mais popular, e ao figurinismo do cinema e do teatro. Defendeu a importância e o fortalecimento da moda brasileira no cenário internacional.

Na década de 1980, paralelamente à moda e com o país ainda sob a censura da ditadura militar, ele iniciou sua carreira na televisão como apresentador, tendo passado por diversas emissoras, onde construiu a fama de polêmico, contraditório e "sem papas na língua". Por conta de suas declarações consideradas impróprias e indelicadas, muitas vezes dirigidas a outras personalidades, Clodovil foi demitido repetidas vezes e tornado réu em processos judiciais por difamação e injúria. Ao mesmo tempo, dedicou-se ao teatro e à música, tendo participado de algumas peças e shows privados em casas noturnas. Em meados da década de 2000, ele entrou para a política, tornando-se o terceiro deputado federal mais votado do país nas eleições de 2006, com 493 951 votos ou 2,43% dos votos válidos.

Em sua vida particular, o estilista era publicamente homossexual. No entanto, de formação cristã e posições conservadoras, atraiu críticas por parte de movimentos da causa LGBT por ter sido contra o casamento gay, embora fosse a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo, e a Parada Gay, que associava à prostituição e drogadição. Além disso, suas opiniões sobre o Holocausto o levaram a ser acusado de racismo e antissemitismo. Seu nome e imagem têm sido usados em páginas políticas de direita.

Sem deixar descendentes ou herdeiros, Hernandes registrou em testamento sua vontade de doar seu patrimônio para criação de uma fundação beneficente para ajudar meninas carentes e abandonadas. Em 2011, foi criado o Instituto Clodovil Hernandes para preservar a memória do artista. Em 2019, porém, dez anos após sua morte, os bens de seu espólio, incluindo R$ 3,7 milhões, continuavam bloqueados na Justiça por processos e reivindicações.

Clodovil Hernandes nasceu em Elisiário no interior do estado de São Paulo. No ano de seu nascimento, a localidade era ainda um distrito do município de Catanduva. O distrito de Elisiário só seria elevado à categoria de município em 30 de dezembro de 1991.

Ainda bebê foi adotado informalmente (sem processo legal de adoção) por um casal de imigrantes espanhóis, o comerciante Domingo Hernández (1903-1961), natural de Múrcia, e sua esposa Isabel Sánchez (1908-1986), natural de Jaén. Foi registrado no ofício de registro civil do município de Floreal em março de 1952, quando já tinha catorze anos com o nome de Clodovir Hernandes, devido ao rotacismo típico do dialeto caipira do interior de São Paulo. Posteriormente passaria a usar o nome Clodovil.

A respeito de suas origens, Clodovil afirmou, em 1990, em entrevista ao Cara a Cara, apresentado por Marília Gabriela, que era descendente de italianos e de índios e o sobrenome de seu pai biológico seria "Ferrarini". Tinha, dessa forma, ligação com o político e militar Edson Ferrarini. O estilista teria sido cuidado pela família de Ferrarini antes do casal Hernandes adotá-lo. Em março de 2009, um pouco depois de sua morte, um homem de Fernandópolis, que preferiu manter anonimato, alegou ser o irmão biológico do político — com quem teria entrado em contato pela primeira vez em 1997 para compartilhar a história familiar — e que o pai deles era um pobre lavrador que havia se casado três vezes (Clodovil seria fruto do segundo relacionamento) e tido doze filhos, sendo metade já falecida à época.

Clodovil Hernandes sempre teve um relacionamento mais próximo com sua mãe adotiva, uma mulher enérgica e vaidosa, que foi “a única mulher que amou em sua vida”. Segundo o estilista, Isabel, que sofrera um aborto e ficara estéril, não o quis quando chegou, porque não queria aquela “coisa feia”, de modo que deixou o filho com a avó adotiva espanhola, descrita por ele como uma matriarca inflexível. Felizmente, porém, Isabel Sánchez aprendeu a amá-lo com o convívio. Quando Clodovil ainda era pequeno, a família vendeu a sua parte de uma fazenda e mudou-se para Catanduva, residindo nessa cidade por dois anos até se transferir para Floreal, onde Domingo Hernandes estabeleceu uma loja de tecidos, e posteriormente em São José do Rio Preto. O negócio da família foi o primeiro contato de Clodovil com a moda, e ele, escondido do pai, costumava dar palpites de vestuário para sua mãe, suas tias e primas.

Apesar de ter poucos recursos, os pais de Clodovil não pouparam esforços para que o filho fosse educado. Domingo dizia ao filho que a única herança que deixaria para ele seria o estudo, algo que ele jamais poderia perder. Assim, matricularam-no no Colégio Dom Bosco, um colégio interno católico em Monte Aprazível, a 49 km de Floreal. Posteriormente em sua vida, o estilista afirmou que havia sido aliciado por um padre ainda na juventude, mas que isso não mudou sua visão a respeito do colégio, da igreja ou de religião. Foi também nesse colégio que Clodovil recebeu, de um padre, o apelido de "Jacques Fath", um costureiro famoso da época. Em meados de 1948 ou 1949, quando tinha onze anos de idade, Clodovil Hernandes descobriu que havia sido adotado quando uma tia lhe contou do fato. Segundo o estilista, a adoção nunca foi um problema para ele, e seus pais teriam morrido sem saber que ele sabia que era adotivo. Aos treze anos, Clodovil afirmou ter visto seu pai tendo relações sexuais com outro homem, um cunhado, casado com a irmã de Domingo. Eles trabalhavam juntos como sócios em Floreal. Hernandes diz que nunca tocou no assunto com o pai, que morreu sem saber que o filho vira a cena, que ocorreu após uma missa de domingo. Por causa desse episódio, Clodovil disse que "deveu o norte de sua vida" a seu pai.

Quando tinha quinze anos de idade, Clodovil foi questionado pelo pai se era homossexual, mas não chegou a responder à pergunta, de modo que o assunto jamais voltou a ser discutido na família. Hernandes afirmou que certa vez, quando respondeu a Domingo de maneira atravessada, levou desse um forte tapa na orelha que lhe deixou com um problema de audição. O estilista, porém, guardava momentos felizes com seu pai, que lhe ensinou a cozinhar, pois sua mãe não seria habilidosa na cozinha.

Sobre sua juventude, Clodovil afirmou, em 2001, que ela era de liberdade total, que havia tido milhares de "escapulidas", embora nunca tenha experimentado drogas.

Clodovil Hernandes se formou professor na antiga Escola Normal do então Grupo Escolar Dom Pedro II, na Barra Funda, em São Paulo, onde morou sustentado por uma pequena mesada enviada pelo pai, o qual queria que ele tivesse estudado Medicina, mas Clodovil tinha intenção de entrar na Faculdade de Filosofia da USP, o que nunca fez.

Em meados de 1955, quando tinha dezoito anos, em seu último ano na Escola Normal, Clodovil foi preso por um guarda após sair do cinema, porque não portava documento de identidade, e acabou levado para o antigo DI - Departamento de Investigações (atual DEIC), onde passou a noite aguardando ser interrogado, e no dia seguinte inexplicavelmente foi levado para o antigo Carandiru, onde dividiu cela com dezenas de detentos, que ameaçavam estuprá-lo; quando finalmente conseguiu se dirigir ao delegado, Clodovil ficou indignado com ele; acabou então transferido para outra cela com um detento, antes de ser eventualmente liberado.

Tendo sofrido fome, esgotamento e desilusões em sua primeira estada na capital paulista, ele decidiu regressar ao lar em Mandaguari, no Paraná, para onde sua família havia se mudado por volta de 1956 em busca de melhores condições financeiras, tendo fechado a loja de tecidos em Floreal. Em Mandaguari, Clodovil trabalhou brevemente no então Ginásio Estadual Vera Cruz (hoje Colégio Estadual), onde foi contratado como professor de Desenho em março de 1957, lecionando a matéria por dois anos, inicialmente com carga horária de 15 aulas semanais (10 aulas pela manhã e 5 aulas à noite), até decidir voltar a morar definitivamente em São Paulo.

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