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Clifford Geertz

Antropólogo norte-americano

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Clifford James Geertz (São Francisco, 23 de agosto de 1926 — Filadélfia, 30 de outubro de 2006) foi um antropólogo estadunidense, professor emérito da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Seu trabalho no Institute for Advanced Study de Princeton se destacou pela análise da prática simbólica no fato antropológico. Foi considerado, por três décadas, o antropólogo mais influente nos Estados Unidos (Shweder and Good, 2005. p. 1).

Prestou serviço militar na Marinha dos Estados Unidos entre 1943 e 1945, participando da Segunda Guerra Mundial. Como veterano de guerra, ingressou no Antioch College onde graduou-se em filosofia e inglês em 1950. Obteve seu Doutorado em Antropologia na Universidade de Harvard em 1956 no Departamento de Relações Sociais, participando de um programa interdisciplinar sob a supervisão de Talcott Parsons. Conduziu extensas pesquisas de campo, nas quais se originaram seus livros, escritos essencialmente sob a forma de ensaio. Suas principais pesquisas ocorreram na Indonésia (em 1951 e, posteriormente, entre 1957 e 1958) e no Marrocos (entre 1963 e 1971)

Entre 1960-1970 trabalhou como professor na Universidade de Chicago, transferindo-se em 1970 para a Universidade de Princeton, Nova Jersey.

Morreu em 2006 em decorrência de complicações surgidas após cirurgia cardíaca.

Foi casado com a também antropóloga Hildred Geertz, com quem realizou em 1951 uma pesquisa multidisciplinar na Indonésia. Clifford Geertz estudou religião e Hildred, parentesco.

Teoria interpretativa ou simbólica

Com cerca de vinte livros publicados, Clifford Geertz foi um dos principais antropólogos do século XX, importante, assim como Claude Lévi-Strauss, não apenas para a própria teoria e prática antropológica, mas também fora de sua área, em disciplinas como a psicologia, a história e a teoria literária. Considerado o fundador de uma das vertentes da antropologia contemporânea - a chamada Antropologia Hermenêutica ou Simbólica ou Interpretativa, que floresceu a partir dos anos 1950.

Foi o descontentamento com a metodologia antropológica disponível à época de seu estudo, para Geertz, excessivamente abstrata e de certa forma distanciada da realidade encontrada no campo, que o levou a elaborar um método novo de análise das informações obtidas entre as sociedades que estudava. Seu primeiro estudo tinha por objetivo entender a religião em Java.

No final, foi incapaz de se restringir a apenas um aspecto daquela sociedade, que ele achava que não poderia ser extirpado e analisado separadamente do resto, desconsiderando, entre outras coisas, a própria passagem do tempo. Foi assim que ele chegou ao que depois foi apelidada de antropologia hermenêutica. Sua tese principia na defesa do estudo de "quem as pessoas de determinada formação cultural acham que são, o que elas fazem e por que razões elas crêem que fazem o que fazem".

Uma das metáforas preferidas, para Geertz, para definir o que faz a Antropologia Interpretativa é a da leitura das sociedades como textos ou como análogas a textos. A interpretação se dá em todos os momentos do estudo, da leitura do "texto" cheio de significados que é a sociedade à escritura do texto/ensaio do antropólogo, interpretado, por sua vez, por aqueles que não passaram pelas experiências do autor do texto escrito. Todos os elementos da cultura analisada devem ser entendidos, portanto, à luz desta textualidade imanente à realidade cultural.

Geertz discordava com a ideia de Levi-Strauss de abordagem etnocêntrica (que o antropólogo estruturalista via como algo positivo) no estudo da área. Segundo Geertz, o risco do etnocentrismo é de aprisionar o ser humano em sua interpretação pessoal. Geertz afirmou que o problema humano no estudo antropológico não é de estranhar o outro, mas de estranhar a si mesmo, e ele aconselhava os estudiosos a se conhecerem melhor antes de analisarem outras sociedades.

Uma das bases teóricas do pensamento de Clifford Geertz é a "Antropologia Simbólica", desenvolvida a partir dos estudos neo-kantianos de Ernst Cassirer. Geertz, como Norbert Elias, enfatiza a dependência do ser humano dos símbolos. Entende a cultura como um texto na qual o ser humano está imerso. Em seu trabalho Deep Play: Notes on the Balinese Cockfight (1973), desenvolve a ideia da leitura da prática cultural como texto. Examina a rinha de galo de Bali a partir do uso da emoção em sua finalidade cognitiva (Geertz 1973a:449). Assim, a presença na rinha de galos torna-se uma forma de educação emocional para o balinês - ensina e reforça as emoções e reações dos seus participantes num texto exterior.

1956 The development of the Javanese economy: a socio-cultural approach. Cambridge : Center for International Studies, Massachusetts Institute of Technology.

1960 Religion of Java. Glencoe: Free Press.

1963 Agricultural Involution: The Process of Agricultural Change in Indonesia. Berkeley: University of California Press.

1963 Peddlers and Princes: Social Change and Economic Modernization in Two Indonesian Towns. Chicago: University of Chicago Press.

1963 Old Societies and New States: the quest for modernity in Asia and Africa. New York: Free Press. Edited by Clifford Geertz.

1963 Peddlers and Princes: Social Development and Economic Change in Two Indonesian Towns' (Comparative Studies of New Nations). University Of Chicago Press.

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