Maria Claudia Motta Raia (Campinas, 23 de dezembro de 1966) é uma atriz, bailarina e produtora teatral brasileira. Reconhecida como "Rainha dos Musicais" pela sua contribuição com o teatro nacional, é recordista no Prêmio Bibi Ferreira. Célebre também por suas performances na televisão e no cinema desde o início da década de 1980, é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA, um Troféu Imprensa e dois Prêmios Qualidade Brasil.
Cláudia Raia iniciou sua carreira artística como bailarina profissional, estudando nos Estados Unidos e na Argentina. Sua estreia como atriz ocorreu na versão brasileira da peça A Chorus Line (1982) no papel de Sheila. No ano seguinte, fez sua estreia na televisão no programa humorístico Viva o Gordo, da TV Globo. No entanto, alcançou a fama ao atuar na novela de grande repercussão Roque Santeiro (1985), que lhe rendeu as vitórias nos Prêmio APCA e Troféu Imprensa como a revelação do ano. Sua primeira personagem popular foi a feirante Tancinha de Sassaricando (1987), que a elevou ao posto de protagonista.
Cláudia é considerada uma das atrizes mais versáteis do país, sendo reconhecida por seus tipos fortes na comédia e no drama. Foi reconhecida por seu desempenho dramático na minissérie Engraçadinha (1995). Ao longo de sua carreira, acumula quatro indicações ao tradicional Troféu Imprensa de Melhor Atriz, pela trambiqueira Maria Escandalosa em Deus nos Acuda (1992), a vilã Ângela Vidal em Torre de Babel (1998), a irreverente Donatella em A Favorita (2008) e a divertida Jaqueline em Ti Ti Ti (2010). Esteve em destaque também em Rainha da Sucata (1990), As Filhas da Mãe (2001), Belíssima (2005), Salve Jorge (2012), Alto Astral (2014), A Lei do Amor (2016), Verão 90 (2019) e Terra e Paixão (2023).
No cinema, recebeu o Troféu APCA de Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme Boca de Ouro (1990) e se destacou por seu trabalho em Matou a Família e Foi ao Cinema (1991). Mas, parte de seu legado, é dado por sua contribuição ao teatro musical brasileiro. Ela é recordista no Prêmio Bibi Ferreira, que celebra o teatro nacional em sua premiação. Como atriz e produtora, montou a trilogia Não Fuja da Raia (1991), Nas Raias da Loucura (1993) e Caia na Raia (1996). Alcançou a aclamação da crítica pelas adaptações da Broadway em O Beijo da Mulher-Aranha (2000), Sweet Charity (2006), Cabaret (2011) e Crazy for You (2013). Em 2024, interpretou Tarsila do Amaral na superprodução Tarsila, a Brasileira.
Nascida em Campinas, interior do estado de São Paulo, em 23 de dezembro de 1966, Maria Claudia Motta Raia é oriunda de uma família com ascendência italianae portuguesa, da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. É filha de Odete Motta Raia e Mário Raia. Desde a infância, Claudia se interessou pelo mundo artístico e da moda. Aos dez anos de idade, posou pela primeira vez como manequim do costureiro Clodovil Hernandes. Sempre aparentou ter maior idade em sua infância e adolescência. Aos onze anos fez um tratamento para controlar o excesso de crescimento; aos treze anos de idade já estava com 1,70 metro de altura, e isto a fazia se considerar "desengonçada".
Raia iniciou sua vida profissional como bailarina ainda muito jovem. No início de sua carreira, dançou profissionalmente nos Estados Unidos e na Argentina, onde foi admitida no Teatro Colón. Aos treze anos de idade, ganhou uma bolsa de estudos em Nova Iorque para estudar balé. A atriz permaneceu no país norte-americano por quatro anos e voltou ao Brasil para desenvolver sua carreira artística. Durante sua estada em Nova Iorque, morou na casa de um coreógrafo considerado "de confiança" por sua família. No entanto, após um mês e meio de convivência, sofreu uma tentativa de abuso sexual do coreógrafo.
Em entrevistas, Claudia contou que sua mãe sempre a ensinou a usar qualquer objeto próximo como defesa, jogando-o na cabeça de quem a ameaçasse ou tentasse agarrá-la. Após o incidente, Claudia fugiu chorando, sem um lugar para ir, até ser encontrada por sua professora de ballet moderno, que a recebeu em seu apartamento. Ela revelou que passou a dormir na banheira do local enquanto esperava que sua mãe chegasse para buscá-la.
1983–89: Primeiros trabalhos como atriz
Enquanto lutava para se estabelecer na carreira artística, Cláudia começou a realizar testes de elenco para grandes companhias de teatro e espetáculos. Ela então conquistou o papel de "Sheila" na versão brasileira do musical A Chorus Line, personagem que tinha 18 anos a mais que ela à época. O espetáculo, sobre dançarinos da Broadway que participam da seleção por um lugar na linha de coro de um novo musical, foi um sucesso de crítica e público e Raia despontou no papel de uma dançarina sexy já de idade mais avançada, que conta de sua infância infeliz.
Durante as apresentações de A Chorus Line, ela foi assistida pelo ator Jorge Dória, que se encantou por sua performance no palco e a indicou para Cecil Thiré, que na época dirigida o programa humorístico Viva o Gordo. Claudia foi convidada para integrar o elenco da atração estrelada por Jô Soares, marcando sua estreia na televisão. A atriz aparecia no papel de "Carola" na esquete "Vamos Malhar", contracenando com Jô. Permaneceu no show até 1985, quando então foi convidada para atuar em sua primeira novela, Roque Santeiro (1985), no papel da dançarina "Ninon". Embora o papel tenha sido coadjuvante, Cláudia logo caiu nas graças do público e da crítica, sendo eleita a revelação feminina do ano no prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e no tradicional Troféu Imprensa.
Em 1985, ela voltou a trabalhar com Cecil Thiré na direção quando atuou no espetáculo Gatão de Estimação, no teatro, sendo esse sua segunda peça profissional. No ano seguinte, retorna à televisão em uma participação especial na cômica novela Cambalacho, de Sílvio de Abreu, no papel de "Maria Antonieta", uma suposta milionária portenha contratada por "Rogério" (Cláudio Marzo) para enganar "Vanderlei" (Roberto Bonfim). Ainda em 1986, estrelou o especial Cida, a Gata Roqueira, um programa composto por apresentações musicais, onde interpreta "Cida", uma jovem maltratada pela madrasta e suas filhas que, com a ajuda da Fada Madrinha, tenta descobrir um jeito de entrar num concurso para virar cantora e conquistar um príncipe.
O ano de 1987 marcou seu sucesso como atriz na televisão. Em O Outro, novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, deu vida à bela "Edwiges", fazendo par romântico com José de Abreu, onde interpretavam um casal que vivem brigando por conta do ciúmes dele. Mas foi no seu trabalho seguinte, a novela Sassaricando, mais uma de sua extensa parceria com o autor Sílvio de Abreu, que Claudia entrou para o rol de personagens icônicos da teledramaturgia como "Tancinha". Ela incorporou o sotaque ítalo-paulistano do bairro do Bixiga para interpretar a feirante "Tancinha", uma mulher cômica e exagerada que caiu no gosto popular e a tornou uma das protagonistas da trama, sendo lembrada até os dias de hoje.
Em 1988, graças ao sucesso de "Tancinha", foi convidada para integrar o elenco do programa humorístico TV Pirata, ao lado dos ícones do humor Débora Bloch, Diogo Vilela, Guilherme Karan, Louise Cardoso, Luiz Fernando Guimarães, Marco Nanini, Ney Latorraca, Cristina Pereira e Regina Casé. O programa satirizava a televisão brasileira, parodiando inúmeras produções da própria TV Globo, e ficou no ar até 1989. Em 1988 também atua no musical Splish Splash, com a direção de Wolf Maya. Em 1989 produz a peça A Pequena Loja de Horrores e faz sua estreia no cinema em Kuarup, de Ruy Guerra, viajando para a Amazônia para as gravações do drama que conta a história de um padre do Alto Xingu que posteriormente deixa o sacerdócio e se torna um indigenista que depois luta contra o regime militar implantado em 1964.
1990–99: Reconhecimento nacional
Em 1990, surge como apresentadora no programa musical Globo de Ouro e é escalada para o elenco da novela das oito Rainha da Sucata, escrita por Sílvio de Abreu. Na trama, fez um cômico par romântico com Antônio Fagundes no papel de "Adriana", filha da grande vilã "Laurinha" (Glória Menezes). Sua personagem é uma bailarina encantadora, mas um pouco desajeitada, fora de forma e divertida. Ansiosa e com dificuldades em encontrar sucesso na carreira que escolheu, está disposta a aceitar qualquer oportunidade para evitar voltar a morar com os pais. Seu maior sonho é brilhar nos palcos da Broadway, onde se imagina como a estrela perfeita. A personagem foi escrita pelo autor especialmente para Cláudia Raia e o mesmo a fez um pedido de que engordasse. Ela engordou 10kg para a interpretar "Adriana".