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Clark Gable

Ator estadunidense (1901–1960)

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William Clark Gable (Cadiz, Ohio, 1 de fevereiro de 1901 — Los Angeles, Califórnia, 16 de novembro de 1960) foi um ator estadunidense, muitas vezes referido como "O Rei de Hollywood". Ele teve papéis em mais de 60 filmes de variados gêneros durante uma carreira que durou 37 anos, três décadas dos quais atuou como protagonista. Gable morreu de ataque cardíaco aos 59 anos; sua última aparição na tela foi como um caubói em "The Misfits", lançado postumamente em 1961.

Nascido e criado em Ohio, Gable viajou para Hollywood, onde começou sua carreira no cinema como figurante em filmes mudos entre 1924 e 1926. Ele progrediu para papéis coadjuvantes nos filmes da Metro-Goldwyn-Mayer, e seu primeiro papel principal em "Dance, Fools, Dance" (1931) foi ao lado de Joan Crawford, que o pediu para o papel. Seu papel no drama romântico "Red Dust" (1932), com Jean Harlow, símbolo sexual da época, fez dele o maior astro da MGM. Gable ganhou o Oscar de melhor ator pela comédia romântica "It Happened One Night" (1934), de Frank Capra, com a co-estrela Claudette Colbert. Ele foi novamente indicado ao prêmio por seus papéis como Fletcher Christian em "Mutiny on the Bounty" (1935), e como Rhett Butler ao lado de Scarlett O'Hara, personagem de Vivien Leigh, em "Gone with the Wind" (1939). Gable continuamente adquiriu sucesso comercial e crítico com "Manhattan Melodrama" (1934), "San Francisco" (1936), "Saratoga" (1937), "Test Pilot" (1938), e "Boom Town" (1940), três dos quais co-estrelou com Spencer Tracy.

Gable passou dois anos como cinegrafista aéreo e artilheiro de bombardeiros na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Embora os filmes em que participou após seu retorno não tenham sido elogiados pela crítica, ainda se saíram bem nas bilheterias. Ele experimentou um renascimento crítico com "The Hucksters" (1947), "Homecoming" (1948) e "Mogambo" (1953), que contou com a novata Grace Kelly. Mais tarde, estrelou faroestes e filmes de guerra, como "Run Silent, Run Deep" (1958) com Burt Lancaster, e em comédias e dramas que o emparelhou com uma nova geração de protagonistas femininas, como Doris Day em "Teacher's Pet" (1958), Sophia Loren em "It Started in Naples" (1960) e Marilyn Monroe em "The Misfits" (1961).

Gable foi um dos mais consistentes artistas de bilheteria da história, aparecendo dezesseis vezes no "Top-Ten Money-Making Stars Poll" ("As Dez Estrelas Que Mais Faturam"), do Quigley anual. Foi nomeado a sétimo maior astro do cinema clássico estadunidense pelo Instituto Americano de Cinema. Ele apareceu ao lado de algumas das atrizes mais populares de seu tempo. Joan Crawford foi sua atriz favorita para trabalhar, e co-estrelou oito produções ao lado dela. Atuou com Myrna Loy sete vezes, e foi escalado outras seis para trabalhar com Jean Harlow. Também estrelou ao lado de Lana Turner em quatro filmes, e em outros três com Norma Shearer e Ava Gardner.

Gable era filho do fazendeiro e perfurador de petróleo William Henry Gable, e de Adeline Hepshelman, descendente de alemães e irlandeses.

Com alguns meses de vida, Clark perdeu sua mãe, devido à fragilidade, às condições do parto que a debilitaram, e à epilepsia; há a probabilidade de ela ter falecido de um tumor cerebral. Antes de morrer, a mãe o batizou na religião católica, mas após sua morte, o lado paterno da família não aceitou tal batismo, criando problemas com a família de Adeline, problemas esses que só foram resolvidos quando o pai o mandou para morar com o tio materno, Charles Hershelman, em Vernon, na Pensilvânia. Até os dois anos, Clark esteve sob cuidados dos tios maternos, e então seu pai o levou de volta para Hopedale, Ohio. O pai casara novamente, em abril de 1903, com a chapeleira Jannie Dunlap, mulher culta e gentil que criou Clark como se fosse seu filho.

Gable cursou a Hopedale Grade School, depois a Edinburg High School. Fazia parte de um time esportivo, além de tocar trompete no colégio. Um de seus amigos, Andy Means, conseguira emprego em uma fábrica de pneus, B. F. Goodrich, em Akron, e Gable resoveu acompanhá-lo, abandonando os estudos aos dezesseis anos.

Em Akron, assistiu à peça "The Bird of Paradise", e decidiu que queria ser ator; conseguiu um pequeno trabalho, à noite, na companhia teatral, como "moço de recados". Após um ano, sua madrasta morreu e Clark, acompanhado do pai, foi a contragosto para os campos petrolíferos de Tulsa. Chegou a trabalhar com petróleo, e como domador de cavalos, mas não deixou de lado sua ideia de se tornar ator. Aos 21 anos, herdou do avô 300 dólares e abandonou os negócios do pai, indo para Kansas City. O pai, frustrado, chegou a ficar 10 anos sem falar com Clark.

Em Kansas City, Clark se filiou a uma companhia de teatro ambulante, a Jewell Players, que acabou se dissolvendo após 2 meses; então, partiu para o Óregon, e no caminho chegou a ser vendedor de gravatas numa loja de departamentos, Meier & Frank. Um colega da loja, Earle Larrimore, estava para se juntar a um pequeno grêmio teatral de partida para Astoria, e Gable os acompanhou. Uma das integrantes do grupo, a atriz Franz Dorfler, apaixonou-se por ele, e chegaram a ficar noivos, mas não casaram-se. Posteriormente, Dorfler escreveria um artigo denominado "Eu fui namorada de Billy Gable", publicado no livro "The Films of Clark Gable", de Gabe Essoe.

Em Portland, no Óregon, Gable trabalhou para um jornal e para uma companhia telefônica, enquanto tomava lições de canto. Filiou-se a outro grupo de teatro, dirigido pela ex-atriz Josephine Dillon, 14 anos mais velha que ele, mas que o influenciaria muito. Josephine ensinou-lhe postura, entonação, representação, pagou para arrumar seus dentes e seu estilo de cabelo, preparando-o para a carreira cinematográfica.

Em 1924, quando Josephine Dillon foi para Hollywood, Gable a seguiu, e em 13 de dezembro daquele ano, estavam casados. Ele trocou seu nome, na época, de W. C. Gable para Clark Gable. Com a influência de Josephine, conseguiu participação como figurante em filmes como "The Plastic Age" (1925), estrelado por Clara Bow, "Forbidden Paradise" (1924), e uma série intitulada "The Pacemakers".

Entre 1927 e 1928, Gable atuou com a Laskin Brothers Stock Company, em Houston, onde fez diversos papéis, ganhando considerável experiência e se tornando um ídolo local. Gable, então, foi para Nova Iorque, e conseguiu trabalho na Broadway. O Morning Telegraph considerou: "He's young, vigorous and brutally masculine" ("Ele é jovem, vigoroso e brutalmente masculino").

Em 1930, após uma impressionante atuação como Killer Mears na peça teatral "The Last Mile", bancada por sua esposa, em Los Angeles, Gable teve ótima recepção da crítica, o que lhe angariou vários testes para o cinema. Um desses testes ficou famoso, quando Darryl F. Zanuck o testou para o papel em "Little Caesar" (1931), e o rejeitou, alegando: "Ele não serve para o cinema. As orelhas são grandes e se parece com um macaco".

A agente Minna Wallis, irmã de Hal Wallis, viu o teste e ficou impressionada, levando-o para a Pathé, onde seu primeiro papel em um filme sonoro foi o de vilão no western de William Boyd denominado "The Painted Desert" (1931). Ele recebeu, na época, diversas cartas de fãs, como resultado de sua voz e atuação.

Gable despertou o interesse da Metro-Goldwyn-Mayer, que resolveu confiar a ele um papel em "The Easiest Way" (1931), ao lado de Constance Bennett, Robert Montgomery e Anita Page. Seu nome, porém, era o último dos creditados. Seu sucesso fez com que a MGM renovasse seu contrato por 2 anos.

Após alguns papéis de vilão em diversos filmes, tais como em "Dance, Fools, Dance", "The Secret Six", "The Finger Points", e "Laughing Sinners" (todos de 1931), Gable alcançou fama como o marginal de "A Free Soul" (1931), quando dominou o filme ao lado de Norma Shearer. Houve, inclusive, tentativas do então marido da atriz, Irving Thalberg, em tentar modificar o roteiro, distanciando-o de Shearer o máximo possível.

Louis B. Mayer e o diretor de publicidade Howard Strickling, que se tornaria um dos grandes amigos de Gable, tiveram a ideia de lançar um novo tipo de galã, movido menos pelo romantismo e mais pelo cinismo, domínio e sex-appeal agressivo, características mais compatíveis com o período de violência e agitação da Grande Depressão. Gable abriu as portas, portanto, para outros heróis do período, tais como James Cagney, Humphrey Bogart, Spencer Tracy e George Raft.

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