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Clara Bow

Clara Gordon Bow (Nova Iorque, 29 de julho de 1905 – Culver City, 27 de setembro de 1965) foi uma atriz de cinema norte-

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Clara Gordon Bow (Nova Iorque, 29 de julho de 1905 – Culver City, 27 de setembro de 1965) foi uma atriz de cinema norte-americana, que fez muito sucesso na era do cinema mudo. Foi uma das poucas atrizes da era do cinema mudo a continuar a carreira durante a era do cinema falado, depois de 1927. Sua participação na comédia de 1927 It, a alçou ao sucesso e foi quando surgiu o apelido de it girl. Clara se tornou a personificação dos Roaring Twenties, época de grande otimismo e efervescência cultural nas grandes capitais do mundo ocidental e era tida como a principal sex symbol de sua época.

Clara estrelou 46 filmes mudos e 11 filmes falados, incluindo grandes sucessos como Mantrap (1926), It (1927) e Asas (1927). Sua presença em um filme era uma garantia de se conseguir investidores e público, tendo sido campeã de bilheteria em 1928. No auge da fama, Clara chegou a receber mais de 45 mil cartas em um único mês (janeiro de 1929).

Clara nasceu em Prospect Heights, no Brooklyn, subúrbio da cidade de Nova Iorque, em 29 de julho de 1905, mais precisamente na Rua Bergen, 697. Era um quarto pobre em cima de uma igreja batista, um lugar frio e com pouca comida. Clara era a terceira criança do casal, mas suas duas irmãs mais velhas, nascidas em 1903 e 1904, morreram ainda na infância. Sua mãe, Sarah Frances Bow, foi aconselhada pelo médico a não engravidar novamente, pelo medo de vê-la perder outra criança. Apesar do aviso, Sarah engravidou de Clara e enfrentou a intensa onda de calor que assolou a cidade em julho de 1905, com temperaturas que chegaram aos 38ºC. Anos mais tarde, Clara disse:

Os pais de Clara eram filhos de imigrantes irlandeses, ingleses e escoceses que se mudaram para os Estados Unidos uma geração antes. Seu pai, Robert Walter Bow, era descrito pela filha como um homem muito inteligente, de pensamento rápido, com uma natural predisposição para qualquer coisa que quisesse, mas que nunca tinha sucesso. Quando Clara tinha cerca de 4 anos de idade, seu pai estava desempregado e entre 1905 e 1923, a família viveu em 14 endereços diferentes, mas raramente fora de Prospect Heights, com o pai de Clara muitas vezes ausente.

Quando Clara fez 16 anos, sua mãe caiu da janela do segundo andar da casa onde moravam e sofreu uma lesão na cabeça. Posteriormente, ela foi diagnosticada com "psicose" devido "epilepsia", devido às sequelas causadas pela queda, como confusão, alucinações, paranoia e comportamento agressivo. Desde a adolescência, Clara aprendeu a cuidar da mãe durante suas crises, bem como a lidar com a agressividade dela. Clara entendia que era parte da doença, que sua mãe não era uma pessoa má de verdade. Mas sentia que ao mesmo tempo que cuidava da mãe, a mãe não cuidava dela. Sarah piorou gradualmente e quando soube que sua filha vinha tentando uma carreira no cinema, Sarah lhe disse que preferia ver a filha morta. Na noite de fevereiro de 1922, Clara acordou ao sentir uma faca em seu pescoço, com sua mãe segurando, prestes a lhe cortar a garganta. Incapaz de se defender de um novo ataque, ela trancou a mãe no quarto. Por conta do episódio, Robert Bow internou a esposa em um sanatório.

Em 5 de janeiro de 1923, Sarah faleceu aos 43 anos, durante uma crise epiléptica. Robert se revoltou com os parentes que chegaram para o funeral, acusando-os de serem hipócritas e irado chegou a se jogar dentro do túmulo da esposa.

Clara era tímida e normalmente sofria bullying de outras meninas por suas roupas surradas e pelo cabelo. Sua infância foi bastante difícil, onde a família passou frio, fome e geralmente não tinha o que vestir. Chegando na adolescência, Clara preferia a companhia dos meninos, frequentemente se envolvendo em brigas com eles. No ensino médio, Clara começou a se interessar por esportes e começou a cogitar uma carreira como instrutora devido à suas habilidades.

No começo dos anos 1920, cerca de 50 milhões de norte-americanos ia ao cinema toda semana. Isso equivalia a metade da população do país na época. Conforme Clara crescia e amadurecia, tomando feições femininas, seu status de "garoto" na companhia dos garotos na escola começou a ser revogado. Ela não tinha amigas, a escola era difícil e sua casa uma desgraça, mas nas telas do cinema ela encontrava algum consolo.

Aos 16 anos, Clara decidiu que seria atriz de cinema, mesmo que se achasse desajeitada e esquisita. Contra os desejos da mãe, mas com o apoio da mãe, Clara entrou para o concurso nacional da revista Brewster, chamado "Fame and Fortune", no outono de 1921. Nos anos anteriores, várias ganhadoras do concurso seguiram carreia no cinema. No último teste, Clara precisava interpretar e um membro da equipe no set disse que ela se tornou a personagem, não apenas a interpretou. Na edição de 1922 da Motion Picture Classics, os juízes do concurso, Howard Chandler Christy, Neysa Mcmein e Hearrison Fisher, concluíram:

Clara ganhou um vestido de noite e um troféu de prata e o editor se comprometeu a ajudá-la a ganhar um papel em um filme, mas nada aconteceu. Seu pai então lhe aconselhou a importunar o escritório da revista Brewster, que ficava no Brooklyn até conseguir alguma coisa. Para tentar se livrar dela, ou eles realmente pretendia apresentá-la a executivos e não tiveram tempo, Clara conheceu o diretor Christy Cabanne, que a escalou para o filme Beyond the Rainbow, produzido no final de 1921 e lançado em fevereiro do ano seguinte. Clara fez apenas cinco cenas e Cabanne ficou impressionado com sua atuação, mas as cenas foram removidas na edição final.

Clara largou o ensino médio no último ano, após ser notificada de ter ganhado o concurso da revista, e conseguiu um emprego em um escritório. No entanto, anúncios em jornais e comentário sobre o filme Beyond the Rainbow, de 1922 a 1923, mostraram que Clara não tinha sido cortada do filme. Seu nome aparecia entre os nomes dos outros atores, com uma legenda ao lado: "Ganhadora do concurso de beleza da revista Brewster", às vezes até com uma foto sua.

Encorajada pelo pai, Clara continuou indo a agências ligadas aos estúdios, na tentativa de conseguir papéis. Sempre lhe davam alguma desculpa para dispensá-la, por ser nova demais, muito baixa, até muito gorda. Por fim, o diretor Elmer Clifton precisava de uma "Maria-rapaz" para seu filme Down to the Sea in Ships e viu a foto de Clara na revista Motion Picture Classic, mandando chamá-la imediatamente. Na tentativa de disfarçar sua pouca idade, Clara penteou o cabelo para cima e usou um vestido emprestado da mãe. Elmer Clifton achou que ela era velha demais, mas começou a rir quando uma nervosa Clara lhe provou que era a menina do concurso. Ele decidiu contratá-la por 35 dólares por semana. Clara sugeriu 50 por semana e ele concordou. Porém, Elmer não sabia dizer se ela servia para o papel. Clara soube algum tempo depois que um dos editores da Brewster pediu que Elmer Clifton lhe desse uma chance.

Down to the Sea in Ships foi gravado em New Bedford, Massachusetts, produzido por uma empresa independente e mostrava a vida, os amores e o trabalho de uma comunidade de caçadores de baleias. A produção contava com atores pouco conhecidos e talentos locais, tendo sido lançado em 25 de setembro no Teatro Olympia, em New Bedford e entrado em cartaz para o público em 4 de março de 1923. Apesar de ser elogiado pela crítica, a estrela do filme foi a jovem Clara Bow, que arrancou elogios rasgados de diversos jornais de grande alcance. Devido ao sucesso de sua atuação em Down to the Sea in Ships, Clara foi escolhida como "queridinha" da Western Association of Motion Picture Advertisers, em 1924. Em 1923, ela estrelou The Daring Years (1923), onde sua nova amiga, a atriz Mary Carr, lhe ensinou a usar maquiagem.

No verão de 1925, ela ganhou um papel semelhante ao de Down to the Sea in Ships no filme Grit, uma história que falava sobre crimes juvenis, escrito por F. Scott Fitzgerald. Foi onde Clara conheceu seu primeiro namorado, o operador de câmera Arthur Jacobson e Frank Tuttle, diretor com quem trabalharia em outras cinco produções.

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