Clément Agnès Ader (Muret, 2 de abril de 1841 – Toulouse, 3 de maio de 1925) foi um engenheiro francês, precursor da aviação e inventor do termo avion (1890). Apesar de ser um assunto controverso, é atribuído a ele por alguns historiadores o voo da primeira máquina motorizada mais pesada que o ar em 1890. A controvérsia se dá por conta do desconhecimento da real capacidade de controle e estabilidade da máquina, que poderia ser praticamente incontrolável no ar.
Clément Ader era filho de François Ader (1812-1889) e sua segunda esposa, Antoinette Forthané (1816-1865). A família Ader esteve ligada ao ramo da carpintaria durante gerações. Seu avô materno, que serviu no exército de Napoleão, viveu com sua mulher num moinho, cujo mecanismo encantava o pequeno Clément, enquanto ele escutava as histórias das campanhas de seu avô. Essas histórias, com certeza, incentivaram o patriotismo naquela criança, característica que o acompanhou durante toda a vida.
O pai de Ader tinha grandes esperanças de que ele o sucedesse nos negócios da família no ramo da carpintaria. Mas acima de tudo, ele queria a felicidade do seu único filho. Assim sendo, quando o magistrado de Muret recomendou que Clément fosse enviado a Toulouse para o ensino secundário, ele concordou. O seu filho partiu em outubro de 1853, aos 12 anos, para o internato "l'institution Assiot".
Ele se graduou aos 15 anos, sendo considerado por seus professores "um estudante sério e dedicado, particularmente forte em matemática e desenho".
Em 1857, uma nova seção foi criada naquele instituto, uma escola industrial que concedia um diploma de engenheiro, equivalente ao de Arts et Métiers. Clément fez parte da primeira turma e se graduou em 1861. Acredita-se que ele fez a preparação para ingressar nas Grandes Ecoles, mas não há registro da sua participação no concurso. Depois de se graduar, ele começou a procurar uma ocupação estável.
Durante a Exposição Universal de 1867, Clément teve contato com os velocípedes de Pierre Michaux, e imaginou substituir as rodas de ferro por rodas de borracha. Em 1868, ele entrou na atividade de fabricação de velocípedes com a denominação de "véloces caoutchouc" (algo como "velocípedes de borracha"). Outra inovação, é que ele usava um quadro tubular de seção quadrada, feita de metal, propiciando uma leveza desconhecida até então. A guerra franco-prussiana de 1870 encerrou essa atividade.
Em seguida começou a trabalhar na Compagnie des chemins de fer du Midi, e em 1875 criou uma máquina para assentar trilhos, que foi usada durante décadas.
Em Paris, Ader concluiu que precisaria de dinheiro para sustentar sua família recém formada e levar adiante as suas ideias de máquinas voadoras mais pesadas que o ar. Interessado no recém inventado telefone, ele passou a comercializar o sistema de Graham Bell em conjunto com o dispositivo de mão de Cyrille Duquet. Passou a ser representante da Bell na França e instalou os primeiros telefones de Paris em 1879. Depois disso, entre 1880 e 1881, ele criou o teatrófono, uma rede telefônica conectada à Ópera de Paris, que permitia ouvir a ópera estando em casa com dois canais separados permitindo o efeito estereofônico a uma distância de até 3 km. Em um curto período, ele acumulou uma grande fortuna, e multiplicou contatos influentes no governo. Ele viria a usar esses recursos para apresentar um projeto ao Ministère de la Guerre: o Éole.
Desenvolvido entre 1886 e 1890, o motor do Éole com 51 kg, produzia 20 hp, com uma relação peso/potência de 2,5 kg/hp. Para efeito de comparação, o motor usado pelos irmãos Wright, em 1903, produzia 12 hp, e pesava 75 kg, uma relação de 6,2 kg/hp. Essa proeza técnica, tornava possível o voo motorizado. Seguindo os testes com aeronaves, Ader propôs sua máquina a vapor para o capitão Renard, que estava trabalhando na propulsão de dirigíveis, e então ele começou a fabricar motores de combustão interna, incluindo os tipos V2 e V4.
As hélices do Avion III tinham quatro lâminas, com o formato de penas, compostas por hastes de bambu, recobertas com tela e papel da China.
Clément Ader dedicou boa parte de sua vida para a realização de um sonho de infância: fazer voar uma máquina mais pesada que o ar.
A pesquisa e o trabalho de Ader para atingir a meta que havia estabelecido, ou seja: pilotar um "mais pesado que o ar motorizado" eram caros. Felizmente, ele encontrou na pessoa de Isaac Pereire um patrocinador tanto generoso quanto inteligente. Durante a guerra de 1870, Ader foi contratado por ele como cientista e tenta, sem sucesso, fazer uma pipa capaz de transportar um homem.
O voo dos pássaros e insetos sempre me preocupou... Eu havia estudado todos os tipos de asas de pássaros, morcegos e insetos dispostas em asas batendo ou asa fixa com hélice... eu descobri a importante curva universal de voo ou de sustentação.
Em 1874, Ader construiu um planador com envergadura de 9 m, pesando 24 kg e capaz de receber um motor. Podem-se ver elementos desse projeto em algumas fotografias de seu amigo Nadar. Estudos realizados no Musée de l'Air et de l'Espace em Le Bourget demonstram que a máquina seria capaz de voar.
Baseado nos estudos sobre o voo dos pássaros de Louis Pierre Mouillard, construiu os primeiros aeroplanos com motor.
Depois de ter convencido o "Ministro da Guerra" a financiar o seu trabalho, Ader (com a ajuda de Ferdinand Morel, um engenheiro que fez os desenhos) começou a desenvolver protótipos cujas asas tinham inspiração naturalista, imitando a asa do morcego. Ader pensou que para o controle do voo, uma asa rígida inspirada nos pássaros seria mais eficaz. Ele percebeu que não devia tentar reproduzir o bater de asas dos pássaros, mas adotar o conceito de asa fixa como fez George Cayley antes.
Entre 1890 e 1897, ele construiu três protótipos: o Éole (Avion I), financiado por ele mesmo, o Zephyr (Avion II) e o Aquilon (Avion III) que seriam financiados por fundos públicos.
O seu primeiro protótipo, ao qual chamou avion, e que tinha o sobrenome de Éolo, rei dos ventos da mitologia, percorreu, no dia 9 de outubro de 1890, cerca de 50 metros a uma altura de 20 cm, 13 anos antes dos irmãos Wright. Em seguida, com o apoio do Estado-Maior francês, e do próprio ministro da Guerra, trabalhou no aperfeiçoamento do seu invento durante 7 anos, no mais completo segredo. Depois de pronto, o mesmo passaria a pertencer ao Estado.