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Cindy Sherman

Fotógrafa e diretora de cinema norte-americana, mais conhecida por seus auto-retratos conceituais

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Cindy Sherman (Glen Ridge, 19 de janeiro de 1954) é uma fotógrafa e diretora de cinema norte-americana, mais conhecida por seus autorretratos conceituais, que, segundo alguns, redefiniu a autorretratística. A artista norte-americana Cindy Sherman representa muito bem a arte pós-moderna. O pós-modernismo foi uma reação ao modernismo e aconteceu a partir dos anos 1960, com o advento da arte conceitual. Os retratos fotográficos conceituais de Cindy Sherman dialogam com a estética do cinema, da moda, das artes, da performance e do cotidiano. Ela atualmente reside e trabalha em Nova Iorque. Nenhum fotógrafo produziu uma negociação tão complexa entre espectador e tema, atitudes societais em relação ao gênero e questões de identidade por meio de autorretratos como Cindy. Através de um número diversos de trabalhos, Sherman levantou questões importantes e desafiadoras sobre o papel e a representação das mulheres na sociedade, a mídia e a natureza da criação de arte.

Cindy Sherman nasceu em 19 de janeiro de 1954 em Glen Ridge (New Jersey). Logo após o seu nascimento, sua família se mudou para a cidade de Huntington (Nova Iorque), Long Island.

Sherman interessou-se pelas artes visuais no Buffalo State College, onde ela começou a pintar e a estudar pintura. Onde se tornou conhecida por sair à rua vestida como Lucille Ball, como forma de escape para os seus momentos de depressão A maioria das suas pinturas eram auto-retratos e reproduções de fotografias que retirava de revistas. É através da sua professora de fotografia que Sherman entra em contato pela primeira vez com a arte conceitual, que viria a marcá-la profundamente. Frustrada com as suas limitações, ela abandonou a forma e tornou à fotografia. "Não havia mais nada a dizer - sobre a pintura, ela relembrou mais tarde. "Eu estava meticulosamente copiando a arte de outros e então eu me dei conta que eu poderia somente usar uma câmera e colocar em prática uma ideia instantânea." Ela passou o resto dos seus anos de faculdade focada na fotografia.

Começa a fotografar em 1977, produzindo uma série de imagens a preto e branco intituladas "Untitled Film Still". Tentando fugir à estética da fotografia tradicional, o seu trabalho é comparável ao de alguns artistas famosos como Barbara Kruger, Richard Prince e Jenny Holze.

Cindy Sherman fotografava-se incorporando vários estereótipos femininos, inspirada por filmes da série B dos anos 50. Foi nesta época que começou a fotografar a cores, produzindo imagens de grande dimensão concentrando-se na iluminação e na expressão facial.

Ao longo dos anos, o seu estilo sofre alterações. Em meados dos anos 80, o seu trabalho era composto por auto-retratos em cenários cuidadosamente preparados. Apesar de ela mesma fazer as fotografias, não podemos considerar que as fotos sejam autorretratos (ou selfies), já que Sherman cria personas, sendo assim, não está fotografando a si mesma nessas ocasiões. Nas fotos, a artista anula sua identidade, deixando aberto o espaço da subjetividade e da fruição em primeiro plano. Suas fotos ocultam a realidade ao invés de revelá-la. Eram fotografias onde tentava criar diferentes identidades, recorrendo a diversas máscaras, roupas e até partes de corpos de manequins. Mais tarde, os seus trabalhos começaram a assumir características violentas e mórbidas, inspirados em filmes de terror. A destruição e a decomposição passam a ser a sua imagem de marca.

Cindy cria narrativas partindo de seu próprio corpo como modelo, fazendo relações visuais, comportamentais e sociais interessantíssimas que nos direcionam para reflexões acerca dos papéis desempenhados (ou rotulados?) pelas mulheres na sociedade contemporânea. Em uma série de sessenta e nove fotografias inspiradas no cinema europeu, por exemplo, a artista criou imagens que sugerem cenas cinematográficas que estereotipam a figura da mulher em uma sequência de identidades forjadas. Suas fotografias confundem o espectador que se pergunta se são cenas de filmes realmente, se são montagens, se são das épocas sugeridas pelas suas visualidades, se são reais ou fictícias.

Ao longo dos anos 80 e 90, trabalhou em campanhas publicitárias para designers de moda como Jean Paul Gaultier e Rei Kawakubo da Comme des Garçons, o que lhe permitiu dar a conhecer o seu trabalho internacionalmente.

Os trabalhos de Cindy Sherman encontram-se em exibição em vários museus de todo o Mundo e recentemente foi lhe atribuída uma bolsa pela MacArthur Foundation. O seu primeiro filme, "Office Killer", data de 1997.

Referencia: Porto Editora – Cindy Sherman na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-09-14 02:50:41]. Disponível em https://www.infopedia.pt/$cindy-sherman

A maioria dessas obras foi criada enquanto Sherman era estudante de arte na State University College, em Buffalo, entre 1972-1976. No início, seu fascínio em transformar sua própria aparência se focava principalmente em seu rosto. Em Sem título #479, o processo de mudança é explicitado em uma sucessão de 23 imagens que traçam a manipulação progressiva de seus próprios recursos. Em Sem título A–E, sua preocupação é menos com a alteração do que criar imagens de alter egos totalmente formados, um desenvolvimento importante que caracteriza seu trabalho posterior.

Posteriormente, o foco de Sherman mudou para todo o corpo dela. Seu desenho animado Roupas de Boneca a mostra como uma boneca recortada ganha vida; em Prostituta Infeliz, ela faz o papel de uma prostituta esperando por um cliente.

Em Mistério do Assassinato ela criou uma peça fictícia na qual representou todos os personagens. Line-up foi feita depois que Sherman se formou e pouco antes de deixar Buffalo para Nova York. Originalmente composta por 35 personagens usando maquiagem, máscaras, perucas e fantasias, a série confirmou o caráter camaleônico da arte de Sherman.

Cover Girl (Vogue), 1975/2011.

A série Cover Girls foi concluída logo depois que Sherman se formou na escola de arte e enquanto ela ainda morava em Buffalo. As fotografias foram originalmente exibidas em novembro de 1976, quando foram mostradas no interior do convés superior de um ônibus.

A série compreende cinco trabalhos separados, cada um composto por três “capas” de revistas femininas, a saber: Cosmopolitan, Vogue, Family Circle, Redbook e Mademoiselle. Em cada grupo de três, a primeira imagem é uma capa original com o rosto de uma modelo; o segundo mostra Sherman, cujas feições foram transformadas pela maquiagem para se assemelhar à modelo original; na terceira capa, Sherman mantém a representação, mas adota uma “cara pateta”, que zomba da aparência do original.

Cover Girls é uma manifestação inicial da apropriação de imagens de Sherman derivada da mídia de massa, neste caso, revistas. Ao replicar uma imagem preexistente, o trabalho dela cita o estilo do original; na capa da Vogue, por exemplo, Sherman chama a atenção para a maquiagem de Jerry Hall, que ela copia exatamente igual. No entanto, parodiando a expressão de Hall, Sherman enfatiza a natureza artificial da imagem original, que procura transmitir uma impressão de sofisticação e glamour.

STILLS DE FILMES SEM TÍTULO, 1977-1980

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