Chuva de meteoros é um evento em que um grupo de meteoros é observado irradiando de um único ponto no céu (radiante). Esses meteoros são causados pela entrada de detritos na atmosfera a velocidades muito altas. Numa chuva de meteoros, esses detritos geralmente são resultado de interações de um cometa com a Terra, em que material do cometa é desprendido de sua órbita, ou quando a Terra cruza essa órbita. A maior parte dos meteoros são menores do que um grão de areia e por isso quase sempre se desintegram e não atingem a superfície do planeta. Chuvas intensas e incomuns de meteoros são também chamadas de surtos ou tempestades de meteoros, nas quais são vistos mais de mil meteoros por hora.
Esses detritos entram na atmosfera com alta velocidade e entram em combustão, formando as chamadas estrelas cadentes. As chuvas de meteoros são fenômenos periódicos anuais. As mais conhecidas e intensas são as Leônidas e as Perseidas. Qualquer planeta do Sistema Solar com uma atmosfera razoavelmente transparente pode ter chuva de meteoros. Marte é conhecido por ter chuvas de meteoros, que acontecem com intensidade e características diferentes das da Terra.
Os detritos possuem órbitas aproximadamente elípticas, com o Sol em um dos focos. Como a distância dos detritos ao Sol é muito grande, a curvatura é pequena e as trajetórias podem ser consideradas aproximadamente paralelas. Assim, quando entram na atmosfera formam riscos de luz que parecem estar se originando de um mesmo ponto por causa do efeito de perspectiva. Esse ponto é o radiante. Esse efeito pode ser comparado aos trilhos de uma ferrovia longa e retilínea, os quais parecem se fundir no horizonte. O radiante, assim como as estrelas, também apresenta um movimento aparente por causa da rotação da Terra. A posição do radiante também varia um pouco de uma noite para outra por causa do movimento de translação do planeta.
As chuvas de meteoros são nomeadas de acordo com o nome da constelação na qual se localiza o radiante. Quando há mais de uma chuva de meteoros associada a uma mesma constelação, o nome é dado de acordo com a estrela mais próxima do radiante no pico da chuva. A desinência da forma possessiva do latim é substituída por "id" ou "ids" em inglês e por "ídeos" ou "idas" em português. Por exemplo, a chuva de meteoros cujo radiante está próximo da estrela Delta Aquarii (note a desinência possessiva "i") é chamada Delta Aquarids em inglês e Delta Aquarídeos (ou Delta Aquáridas) em português. Um grupo da União Astronômica Internacional monitora as chuvas de meteoros para determinar o nome de cada uma.
Uma chuva de meteoros é o resultado da interação entre um planeta, como a Terra, e o rastro de detritos produzido por um cometa ou asteroide. Os cometas podem produzir detritos de duas formas. A primeira é pelo arrastamento de partículas pelo vapor que se desprende do cometa quando este se aproxima do Sol. Segundo um estudo que Fred Whipple publicou em 1951, os cometas são imensas "bolas de neve sujas" formadas por rochas e envolvidas em gelo que orbitam o Sol. Esse gelo pode ser de água, metano, amônia ou outros compostos voláteis sozinhos ou em combinação. Geralmente as rochas do cometa são fragmentadas, sendo partículas menores (como grãos de areia) mais comuns que outras maiores (como pequenas pedras, por exemplo). Quando o cometa se aproxima do Sol, o calor faz com que os compostos voláteis sublimem, criando várias ejeções de vapor que arrastam as partículas de rochas presentes no meio do gelo. Essas rochas ficam, então, na mesma órbita do cometa e são chamadas de meteoroides. Os gases liberados do cometa, no entanto, são dispersados pela radiação solar, restando apenas a trilha de meteoroides.
A segunda forma foi descoberta recentemente, por Peter Jenniskens, que argumentou que a maior parte das chuvas de meteoros de curta duração não vem da forma normal (quando as partículas são arrastadas pelo vapor de água), mas do produto de raras desintegrações, quando saem pedaços de um cometa dormente ou asteroide. Exemplos são as chuvas de meteoros Quadrântidas e Gemínidas, que surgiram, respectivamente, da fragmentação dos asteroides 2003 EH1 e 3200 Faetonte cerca de 500 a 1 000 anos atrás. Os fragmentos tendem a se desintegrar rapidamente em poeira, areia e pequenas pedras, e se espalhar ao longo da órbita do cometa para formar uma densa trilha de meteoroides, que subsequentemente cruza com a órbita do planeta.
Evolução das trilhas de meteoroides
Pouco depois de Whipple predizer que partículas de poeira viajavam com velocidades menores em relação ao cometa, Milos Plavec foi o primeiro a propor o conceito de trilha de poeira, quando ele calculou como os meteoroides, uma vez liberados do cometa, poderiam se mover à frente ou atrás do cometa. O efeito é uma simples mecânica orbital - o material se afasta somente um pouco para a lateral do cometa enquanto se move à frente ou atrás deste porque algumas partículas fazem uma órbita mais extensa que outras. Estas trilhas de poeira são às vezes observadas em imagens dos cometas no comprimento de onda infravermelho (radiação do calor), onde partículas da aproximação anterior do Sol são espalhadas ao longo da órbita do cometa.
O empurrão gravitacional dos planetas determina onde as trilhas de poeira passarão pela órbita da Terra, semelhante a um jardineiro direcionando o jato de água de uma mangueira para uma planta distante. Na maioria dos anos, essas trilhas não atingem o planeta completamente, mas em algumas vezes este é atingido por milhares de meteoroides de uma vez. Este efeito foi demonstrado em observações da chuva de meteoros Alfa-Monocerotídeos e de identificações menos conhecidas de tempestades de meteoros passados.
Cometas de curto e médio período
Por meio de observações realizadas em infravermelho, as trilhas de poeira são detectadas em órbitas de cometas de curto período (menor que 20 anos). Essa trilha tende a ser menos influenciada pela ação gravitacional dos planetas gigantes, visto que suas órbitas não interceptam a desses planetas. Entretanto a maior proximidade com o Sol faz com que as partículas fiquem mais dispersas por causa da radiação solar que empurra as partículas. Essa trilha vai ficando, então, mais larga. Em cometas da família jupiteriana a poeira tende a ser menos uniforme por causa da influência gravitacional do planeta gigante, e isso cria lacunas e amontoados de meteoroides.
A chuva de meteoros Táuridas, por exemplo, é causada pelo cometa Encke, que tem um período de 3,31 anos. Por causa da proximidade de sua órbita com a órbita de Júpiter, a trilha de meteoroides foi dividida em duas, e por isso essa chuva tem dois picos de atividade anualmente.
Os cometas de médio período ou período intermediário possuem um período de translação de 20 a 200 anos e alta inclinação. Esse tipo de cometa produz um rastro de poeira que possui a mesma órbita do próprio, mas tem lacunas e amontoamentos de meteoroides que são criados pela influência gravitacional dos planetas gigantes. Esses amontoamentos possuem o mesmo período orbital do cometa e, portanto, atingem a Terra em períodos determinados que coincidem com o período do cometa. Quando isso acontece, formam-se os surtos e as tempestades de meteoros que podem ser um pouco atrasadas ou adiantadas, mais intensas ou menos intensas, a depender da posição dos planetas gigantes.
O cometa 55P/Tempel-Tuttle, que tem um período de 33 anos e causa a chuva de meteoros Leônidas, intercepta a órbita da Terra quase exatamente e os amontoados de meteoroides criados pelos planetas gigantes atingem nosso planeta em cheio, causando intensas tempestades de meteoros a cada 33 anos.
Para os cometas de longo período, as trilhas de poeira podem estar em caminhos mais "complicados". Um dos efeitos é que as órbitas de alguns cometas periódicos e de alguns meteoroides que os deixam estão em órbitas ressonantes com Júpiter ou outro planeta gigante, ou seja, muitas revoluções de um equivalem a outro número de revoluções de outro. Então, como Júpiter vai ter sempre a mesma posição relativa em sua órbita, isso tende a empurrar os meteoros para manter a mesma posição relativa. Isto cria um componente de uma chuva de meteoros chamado "filamento". Esses filamentos podem ser direcionados para o interior do Sistema Solar por meio da influência gravitacional dos planetas gigantes.