Chile (pronunciado em português europeu: [ˈʃilɨ, ˈʃiɫ]; pronunciado em português brasileiro: [ˈʃili]; pronunciado em castelhano: [ˈtʃile]), oficialmente República do Chile (em castelhano: ), é um país da América do Sul que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e a Passagem de Drake, a ponta mais meridional do país. O Pacífico forma toda a fronteira oeste do país, com um litoral que se estende por 6435 km. Com quase 20 milhões de habitantes, o Chile compreende alguns territórios ultramarinos, como o Arquipélago Juan Fernández, as Ilhas Desventuradas, a ilha Sala y Gómez e a ilha de Páscoa, sendo que as duas últimas estão localizadas na Polinésia. O Chile reclama a soberania de 1 250 000 quilômetros quadrados de território na Antártida. É um dos dois únicos países da América do Sul que não têm uma fronteira comum com o Brasil, junto com o Equador.
O Chile possui um território incomum, com 4300 quilômetros de comprimento e, em média, 175 km de largura, o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrâneo no centro, até um clima alpino propenso à neve ao sul, com geleiras, fiordes e lagos. O deserto do norte chileno contém uma grande riqueza mineral, principalmente de cobre. Uma área relativamente pequena no centro chileno domina o país em termos de população e de recursos agrícolas. Esta área é o centro cultural, político e financeiro a partir do qual o Chile se expandiu no final do século XIX, quando integrou as regiões norte e sul em uma só nação. O sul do país é rico em florestas e pastagens e possui uma cadeia de montanhas, vulcões e lagos. A costa sul é um gigantesco labirinto de penínsulas compostas por fiordes, enseadas, canais e ilhas. A cordilheira dos Andes está localizada por toda a fronteira oriental chilena.
Os primeiros humanos provavelmente chegaram ao Chile por volta de 18 500 anos atrás. Antes da chegada dos europeus no século XVI, o norte do Chile estava sob o domínio inca, enquanto os índios Mapuches (também conhecidos como Araucanos pelos colonizadores espanhóis) habitavam o centro e o sul do território. Embora o Chile tenha declarado sua independência em 1817, a vitória decisiva contra o controle espanhol não foi alcançada até 1818. Na Guerra do Pacífico (1879–83), o país venceu a Bolívia e o Peru e conquistou as regiões do norte. O Chile, que até então parecia estar relativamente livre da instabilidade política e do surgimento de governos autoritários que atingiam o resto do continente sul-americano, suportou 17 anos de uma rígida ditadura militar (1973–1990), uma das mais sangrentas do século XX na América Latina, responsável pela morte de mais de 3 mil pessoas.
Atualmente, o Chile é um dos países mais estáveis e prósperos da América do Sul detendo, ainda, o melhor Índice de desenvolvimento humano dentro do contexto da América Latina. O país também possui bons níveis de qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica e percepção de corrupção, além de índices comparativamente baixos de pobreza. [ligação inativa] Também é elevado no país o nível de liberdade de imprensa e de desenvolvimento democrático. Em maio de 2010, o Chile se tornou o primeiro país sul-americano a aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), além de também ser um dos membros de várias outras organizações internacionais, como as Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), a Aliança do Pacífico (AP), o Parlamento Latino-americano e a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).
Há várias hipóteses sobre a origem da palavra Chile. De acordo com uma teoria do século XVII, do cronista espanhol Diego de Rosales, os incas chamavam o Vale do Aconcágua de "Chili", por decomposição do nome de um chefe tribal picunche chamado Tili, que governou a área no momento da conquista inca durante o século XVI. Outra teoria aponta para a semelhança do vale do Aconcágua com o do Vale de Casma no Peru, onde havia uma cidade e um vale chamados Chili.
Há teorias acerca da derivação do termo Chile de uma palavra indígena que significa "confins da terra" ou "gaivotas"; a partir da palavra mapuche chilli, cujo significado pode vir a ser "onde a terra acaba"; ou da palavra quéchua chiri, que significa "frio", ou tchili, que significa tanto "neve" como "o ponto mais profundo da Terra". Uma outra origem atribuída ao termo chilli é a onomatopeia cheele-cheele — a imitação mapuche do gorjeio de um pássaro conhecido localmente como trile. Os conquistadores espanhóis ouviram falar deste nome dos Incas e os poucos sobreviventes da primeira expedição espanhola de Diego de Almagro, ao sul do Peru em 1535–1536, se chamavam os "homens da Chilli". Finalmente, Almagro é creditado pela universalização do nome do "Chile", depois de nomear o vale do Mapocho como tal.
Os vestígios mais antigos de presença humana na América do Sul confirmados foram encontrados no sul do Chile, no sítio arqueológico de Monte Verde, datados de 14,5 mil anos.
Quando da chegada dos europeus ao atual Chile, no século XVI, a região já era habitada por uma diversidade de tribos ameríndias. Não havia nenhuma civilização centralizada e sedentária no território, embora o Império Inca tenha alcançado o norte do país no século XV, não avançando mais para o sul por causa da resistência dos mapuches, denominados araucanos pelos espanhóis. Os grupos indígenas no norte chileno viviam da pesca e da agricultura ao redor dos oásis, enquanto o centro e parte do sul eram habitados pelos mapuches, uma sociedade fragmentada nômade de caçadores-coletores e agricultores, estes últimos encontrados mais para o centro.
Os primeiros europeus a chegarem na terra que é hoje o Chile pertenceram ao grupo liderado por Fernão de Magalhães, no ano de 1520, onde fica atualmente a cidade de Punta Arenas, na Patagônia. O grupo procurava o caminho para o Oceano Pacífico, batizado por ele próprio.
A conquista espanhola do Chile, inicialmente denominada como Nueva Extremadura ("Nova Extremadura"), se iniciou com a expedição do associado e posterior rival de Francisco Pizarro, Diego de Almagro, em busca de Otro Perú ("Outro Peru"), que saiu do Peru rumo ao sul em 1535, alcançando até a região de Coquimbo, retornando dois anos depois, por causa da resistência indígena e por não ter encontrado metais preciosos. A segunda expedição espanhola do Peru rumo à região foi liderada pelo também espanhol Pedro de Valdivia em 1540, o qual fundou a cidade de Santiago da Nova Extremadura em 12 de fevereiro de 1541, para servir de sede da nova Capitania Geral do Chile.
Nas duas primeiras décadas da capitania, os espanhóis viviam uma situação precária e ameaça dos indígenas, que resistiram à escravização. Em 1550, nos preparativos para uma expansão para o sul, Valdivia e seu grupo fundaram, na foz do rio Biobío, a cidade de Concepción. Em dezembro de 1553, os mapuches, liderados por Lautaro, atacaram o forte de Tucapel e todos os homens daquela fortificação morreram na Batalha de Tucapel. Valdivia conseguiu fugir, mas foi morto por Lautaro, que morreu na Batalha de Mataquito (1557) e, no ano seguinte, a revolta indígena cessou.
Esta conjuntura deu início à Guerra de Arauco, que opôs as forças militares do Império Espanhol aos mapuches e seus aliados, como os huilliches, picunches, pehuenches e cuncos. Apesar do significativo poderio militar, os espanhóis não conseguiram estabelecer controle sobre todos os territórios conquistados, ante a resistência indígena, que chegou a destruir sete cidades. Em 1641, os mapuches tiveram sua autonomia sob as terras ao sul do rio Biobío reconhecida no Parlamento de Quilín, numa área conhecida como La Frontera, o que perdurou até a Guerra do Pacífico (1879–1883), quando o Chile — já independente — conquistou o território mapuche.