Charles Alston (Hamilton, 24 de outubro de 1685 — Edimburgo, 22 de novembro de 1760) foi um médico e botânico escocês.
Charles Alston passou seus primeiros anos no palácio de Hamilton, sob o patrocínio de Anne Hamilton, 3.ª Duquesa de Hamilton.
A duquesa desejava que ele estudasse Direito, mas ele preferiu a botânica e a medicina e, assim, em 1716, partiu para Leiden, onde essas ciências eram, naquela época, ministradas pelo médico neerlandês Herman Boerhaave. Lá, conheceu Alexander Monro Primus e encontrou um grande número de jovens escoceses dedicados à mesma área, todos inspirados por um entusiasmo incomum em seus estudos, que haviam adquirido de seu mestre Boerhaave.
Ao retornarem os dois a Edimburgo, eles reviveram as aulas de medicina na universidade e também (1716), Alston obteve o cargo honorífico de botânico do rei, graças à influência do Duque de Hamilton, guardião hereditário do Palácio de Holyrood, à qual o jardim botânico estava vinculado. Esse jardim ele enriqueceu com grandes coleções que havia reunido nos Países Baixos, onde a ciência botânica era então mais intensamente cultivada do que em qualquer outro país da Europa. Os dois cargos ele manteve até sua morte em 1760.
Em 1720, apesar de já haver uma disciplina de botânica ministrada na universidade por um ilustre professor chamado Preston, ele iniciou uma série de palestras no jardim do rei. Preston, por fim, envelhecendo, Alston foi, em 1738, escolhido para sucedê-lo como professor de botânica e materia medica (termo latino para o conjunto de conhecimento coletado sobre as propriedades terapêuticas de qualquer substância usada para a cura, ou seja, medicamentos). Ele era extremamente diligente em suas funções como professor, ministrando um curso de botânica a cada verão e outro de materia medica a cada inverno; e nunca poupava que, em sua opinião, pudessem contribuir para o progresso de seus alunos.
O médico inglês Anthony Fothergill, em sua obra sobre o Dr. Russell, presta amplo testemunho da assiduidade de Alston, que fora seu mestre; e descreve em linguagem elogiosa os benefícios que aqueles que o frequentavam tinham a oportunidade de colher, sua cautela nas especulações e o quanto ele era diligente nas experiências. Para auxiliar seus alunos, publicou, por volta de 1740, uma lista das plantas oficiais cultivadas no jardim médico de Edimburgo.
Quanto ao sistema de Lineu, promulgado pela primeira vez em 1736, Alston, como muitos outros botânicos de sua época, era um opositor ferrenho. Ele publicou um artigo contra esse sistema, sobre os sexos das plantas, no primeiro volume de Physical and Literary Essays, uma miscelânea iniciada em Edimburgo, em 1751. A controvérsia que ocorreu naquele período entre os naturalistas perdeu hoje todo o seu interesse, visto que o método de Lineu, após ter cumprido um propósito útil, foi substituído pelo sistema natural, para cuja fundação Lineu contribuiu em grande medida, mas cujo amadurecimento ficou a cargo de Jussieu e Augustin Pyrame de Candolle.
Alston também contribuiu com alguns artigos para uma coletânea de Edimburgo intitulada Medical Essays; o mais importante é um sobre o ópio. Em 1753, publicou uma introdução ao Index Materiæ Medicos, do cirurgião, anatomista e botânico escocês Patrick Blair, uma obra que se assemelhava consideravelmente ao seu próprio índice. Essa introdução era uma obra à parte e intitulava-se Tyrocinium Botanicum Edinburgense. Alston, como contemporâneo do cirurgião e anatomista Alexander Monro Primus e professor de um ramo afim da ciência, não era de forma alguma indigno nem de seu tempo nem de seu lugar. Ele deve ser considerado como um daqueles que contribuíram para a exaltação da Universidade de Edimburgo como uma instituição de ciências médicas. Faleceu em 22 de novembro de 1760, aos setenta e sete anos. Está sepultado no Canongate Churchyard, em Edimburgo.
Suas palestras sobre materia medica foram preparadas para publicação após sua morte por seu amigo e sucessor, John Hope, e apareceram em dois volumes de 4 volumes em 1770. Robert Brown dedicou-lhe o gênero de árvore Alstonia.
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