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Chapecó

Município do estado de Santa Catarina, Brasil

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Chapecó é um município brasileiro localizado no Oeste do estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil, distando aproximadamente 553 km da capital estadual, Florianópolis. Sua população total em 2026, conforme estimativa do IBGE, era de 289 170 habitantes, sendo o sexto município mais populoso de Santa Catarina. Em vias de se tornar uma cidade média-grande, Chapecó é a maior cidade do Oeste Catarinense e possui o quinto maior PIB municipal do estado, com R$ 17,6 bilhões em 2023. Sedia a Região Geográfica Intermediária de Chapecó e a Região Geográfica Imediata de Chapecó.

Importante centro industrial, financeiro e educacional, Chapecó destaca-se pela produção e exportação de alimentos industrializados e pela cadeia produtiva de suínos. Possui a segunda maior rede de influência entre os municípios catarinenses, atrás apenas da capital Florianópolis, polarizando 142 centros urbanos que reuniam 1 453 713 habitantes em 2018. É sede da Região Metropolitana de Chapecó e exerce significativa influência não só no Oeste Catarinense, mas também no noroeste do Rio Grande do Sul e no sudoeste do Paraná, sobretudo do ponto de vista econômico e da oferta de serviços.

Chapecó ganhou projeção internacional após o acidente do Voo LaMia 2933 em 2016, envolvendo a Associação Chapecoense de Futebol, clube local, que matou 71 pessoas incluindo a maioria dos jogadores e dirigentes do time principal da Chapecoense. É conhecida como "Capital da Agroindústria" e "Capital do Oeste", além de possuir oficialmente o título de "Capital Catarinense dos Eventos de Negócios".

Também é um polo universitário, sediando a Reitoria e um dos seis campi da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Na cidade também estão instalados o Centro de Educação Superior do Oeste da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e o campus Chapecó da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Chapecó também exerce papel de referência regional na área da saúde. O Hospital Regional do Oeste (HRO), localizado no município, presta atendimento de média e alta complexidade e é referência para mais de 130 municípios, abrangendo uma população de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.

O topônimo Chapecó é de origem kaingang, embora não exista consenso quanto ao seu significado original. A bibliografia especializada registra diferentes interpretações para a palavra, que já era utilizada pelos Kaingang para denominar elementos da paisagem regional antes da consolidação do atual município.

Uma das interpretações registradas relaciona a forma indígena Xaembetkó aos termos xá, associado a cachoeira, e embetkó, referente a uma modalidade de caça noturna, denominação que teria sido aplicada por analogia às pescarias realizadas no rio Chapecó. Outra interpretação, difundida na historiografia regional, associa o nome à ideia de "caminho" ou "passagem". Também se tornou conhecida a interpretação segundo a qual o topônimo derivaria dos elementos echa, apê e gô, traduzidos como "donde se avista o caminho da roça". Em razão dessas diferentes interpretações e das alterações sofridas pelo topônimo ao longo do tempo, não há uma tradução única considerada conclusiva pela bibliografia.

As grafias Chapecó e Xapecó foram utilizadas em diferentes momentos. Estudos baseados na documentação histórica regional indicam que a forma com Ch predominava até meados da década de 1930, quando documentos oficiais passaram a empregar com maior frequência a grafia Xapecó. O uso oficial de Xapecó está claramente documentado na década de 1940. O Decreto-Lei federal nº 6.550, de 31 de maio de 1944, que estabeleceu a divisão administrativa do Território Federal do Iguaçu, denominava oficialmente de Xapecó o município então integrante daquele território.

A grafia oficial foi restabelecida como Chapecó pela Lei estadual nº 247, de 30 de dezembro de 1948, que fixou a divisão administrativa e judiciária de Santa Catarina para o período de 1949 a 1953 e entrou em vigor em 1.º de janeiro de 1949. A documentação histórica do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina registra expressamente o ato como a mudança de Xapecó para Chapecó. Apesar da alteração legal, a discussão sobre o emprego de X ou Ch ainda apareceu na imprensa local durante os primeiros meses de 1949.

A forma Xapecó permaneceu na toponímia regional, sobretudo na denominação da Terra Indígena Xapecó, localizada no oeste de Santa Catarina.

Ocupação pré-colonial e povoamento regional

O território do atual município apresenta evidências de ocupação humana anteriores à colonização europeia. Pesquisas arqueológicas registraram em Chapecó sítios com materiais cerâmicos e líticos associados a diferentes ocupações pré-coloniais, sobretudo nas proximidades dos rios Uruguai e Chapecó. Na localidade de Sede Figueira, o sítio SC-CH-03 reúne galerias subterrâneas cadastradas em 1979 durante pesquisas arqueológicas realizadas na região.

A presença Kaingang antecede a formação das atuais divisões político-administrativas. No século XIX, grupos kaingang ocupavam e circulavam por um amplo território entre Palmas, os rios Chapecó e Irani e o alto Uruguai. Também se encontravam estabelecidas na região populações caboclas, cuja subsistência estava ligada à agricultura, à criação de animais, à extração de erva-mate e aos caminhos de tropeiros.

Disputas territoriais e criação do município

Durante o período colonial, o atual oeste catarinense integrou uma extensa zona de fronteira entre as possessões portuguesas e espanholas na América do Sul. A indefinição quanto aos cursos d'água que correspondiam aos limites estabelecidos pelos tratados ibéricos motivou sucessivas expedições de reconhecimento. No final da década de 1780, o geógrafo espanhol Joaquín Gundín identificou o rio hoje conhecido como Chapecó como o curso que, na interpretação espanhola, corresponderia ao Pepiri-Guaçu mencionado nos tratados. A controvérsia territorial foi posteriormente herdada por Brasil e Argentina e integrou a Questão de Palmas, solucionada em 1895 por arbitragem internacional favorável ao Brasil.

No plano interno, a jurisdição sobre a região foi disputada por Santa Catarina e São Paulo e, após a criação da Província do Paraná em 1853, por Paraná e Santa Catarina. Nesse contexto fronteiriço, o governo imperial criou em 1859 a Colônia Militar do Xapecó, instalada em 14 de março de 1882 na Campina do Xanxerê, área pertencente ao atual município de Xanxerê. Sua implantação ocorreu em um território já habitado: documentos da década de 1880 registram famílias caboclas estabelecidas entre Chapecó e Goio-Ên que receberam lotes e foram incorporadas ao núcleo colonial.

A disputa entre Paraná e Santa Catarina prolongou-se até o início do século XX e integrou o contexto territorial da Guerra do Contestado. O acordo de limites firmado em 20 de outubro de 1916 definiu a incorporação da área contestada a Santa Catarina e foi homologado pela Lei federal nº 3.304, de 3 de agosto de 1917. Poucas semanas depois, pela Lei estadual nº 1.147, de 25 de agosto de 1917, foram criados o município e a comarca de Chapecó, com sede provisória em Passo Bormann. A instalação ocorreu em 14 de novembro de 1917. O novo município possuía cerca de 14,8 mil km², abrangendo grande parte do território que atualmente constitui o Oeste Catarinense.

A localização da sede foi motivo de disputas durante os primeiros anos do município, acompanhando a alternância de grupos políticos locais. Depois de sucessivas transferências entre Passo Bormann e Xanxerê, o Decreto estadual nº 100, de 9 de abril de 1931, fixou definitivamente a sede em Passo dos Índios, instalada no mês seguinte. Em 1938, a localidade passou a denominar-se Xapecó; a grafia Chapecó foi posteriormente restabelecida pela Lei estadual nº 247, de 30 de dezembro de 1948.

A partir da década de 1920, a colonização empresarial modificou profundamente a organização territorial da região. Companhias privadas parcelaram e comercializaram grandes extensões de terras, atraindo sobretudo famílias procedentes das antigas colônias do Rio Grande do Sul, com forte presença de descendentes de italianos e também de alemães e outros grupos de origem europeia. Esse movimento ampliou o povoamento rural e os núcleos urbanos, ao mesmo tempo em que a expansão da propriedade titulada alterou formas anteriores de ocupação indígena e cabocla.

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