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Chalaça

Político brasileiro (1791-1852)

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Francisco Gomes da Silva, dito Chalaça (Lisboa, 22 de setembro de 1791 — Lisboa, 30 de dezembro de 1852), foi um político e confidente do primeiro Imperador do Brasil, D. Pedro I.

O jovem Francisco nasceu em Lisboa, filho bastardo de Francisco José Rufino de Sousa Lobato, que futuramente seria barão e depois Visconde de Vila Nova da Rainha, e de Maria da Conceição Alves, aldeã pobre de 19 anos que trabalhava como criada de quarto de Sousa Lobato. Por ele seduzida, a moça registrou a criança como "filho de pais incógnitos". Apesar de não assumi-lo, o futuro barão e visconde o manteve junto de si, até o momento em que decidiu casar-se com a filha do futuro primeiro Visconde de Santarém.

Sousa Lobato teve de mandar sua amante para a África, e fazer desaparecer o menino Francisco, que contava então oito anos. A solução encontrada foi a seguinte: o futuro Barão pagou oito mil cruzados (soma considerável na época) a um protegido, Antonio Gomes, para assumir a paternidade do menino e o registrar como filho legítimo. O pai "testa de ferro" ainda ganhou, por influência do futuro Visconde, um emprego público como ourives da Casa Real.

Quanto a Francisco, foi mandado para o seminário de Santarém, para que fosse preparado para ser padre. Lá, aprendeu filosofia e latim, além dos idiomas francês, inglês, italiano e espanhol. Este preparo cultural em muito o ajudaria na idade adulta.

Estava quase a ordenar-se sacerdote quando chegaram as notícias dos preparativos da fuga da corte portuguesa para o Brasil. Tinha 16 anos. Brigou com o reitor e com o padre-mestre de disciplina do seminário e viajou para Lisboa, decidido a participar dos acontecimentos. No caminho, foi preso por uma guarnição francesa e condenado como espião. Às vésperas de ser fuzilado, conseguiu por acaso evadir-se de forma espetacular, chegando ao cais de Lisboa na mesma manhã em que D. João VI e sua corte embarcavam para o Brasil.

De alguma forma conseguiu reencontrar o pai adotivo e introduzir-se nas embarcações. De condenado à morte, passou a membro da multidão de 15 mil lusitanos que desembarcaria no Rio de Janeiro em março de 1808.

Já no Rio de Janeiro, o ourives Antonio Gomes estabeleceu-se na rua Direita (atual rua Primeiro de Março). Chalaça passou a auxiliá-lo, mas logo suas noitadas boêmias e desordeiras levaram-no a uma séria briga com o "pai". Saiu de casa e abriu uma tenda de barbeiro na rua do Piolho (atual rua da Carioca), onde trabalhava como cirurgião, dentista e sangrador, aplicando bichas (sanguessugas) e ventosas, segundo os princípios de medicina da época.

Em 1810 já se insinuara no palácio, obtendo a inclusão na lista de criados honorários do Paço. Um ano depois, era nomeado Moço de Reposteiro por D. João. Em 1812, aos 21 anos, já recebia algumas vantagens por sua atuação em "serviços reservados" prestados ao Príncipe Regente.

Considerando que a corte era um ninho de intrigas entre facções rivais que se espionavam mutuamente, compreende-se que já começava a desenvolver ali algumas das "qualidades" que o tornariam famoso mais tarde. Tanto que em 1816 já era Juiz da Balança da Casa da Moeda e logo tornava-se o amigo favorito do príncipe D. Pedro, que conheceu chalaça no bar da "Maricota Corneta". Encontrou no Chalaça o companheiro ideal para farras e escapadas noturnas.

D. João VI temia sobremaneira as maquinações de sua esposa, D. Carlota Joaquina, razão pela qual mantinha-a sob discreta vigilância. O Chalaça logo teria papel destacado nesse jogo de espionagem familiar, o que lhe garantiu o ódio da "espanhola maldita". A esperta rainha esperava apenas uma chance para derrubar o bastardo insinuante.

E a chance veio em 1817, quando Chalaça cometeu seu maior erro: após denúncia de Carlota Joaquina, foi flagrado pelo próprio D. João numa sala do palácio em companhia da dama do Paço D. Eugênia de Castro, ambos nus e em atitude que não deixava dúvidas. D. João expulsou-o de seu serviço e baixou ordem de que o Chalaça deveria manter-se a uma distância mínima de dez léguas da corte.

E foi-se o Chalaça para Itaguaí, abrigar-se na casa de um vigário conhecido desde os tempos de Santarém, até que a intervenção de seu verdadeiro pai, o Visconde de Vila Nova da Rainha, reabilitou-o junto a D. João VI.

A rua Direita (atual rua Primeiro de Março) era a mais importante do Rio de Janeiro do início do século XIX. Neste ambiente social em mutação, onde soldados, escravos, comerciantes e fidalgos tentavam a sorte, havia espaço para as investidas de um aventureiro sem escrúpulos e intelectualmente bem-dotado.

Chalaça, a sombra do Imperador

A insistência de Chalaça em voltar para Portugal com D. João VI desagradou a D. Pedro, que se sentiu traído pelo companheiro de esbórnias. Mas D. João VI não levou Chalaça em sua comitiva, deixando-o em má situação no Brasil. Só conseguiu reconquistar a amizade de D. Pedro em 1822, perto dos acontecimentos que levariam à Independência. Como membro da Guarda de Honra de D. Pedro I, passou a tenente em 1823, capitão em 1824 e coronel comandante em 1827.

Chalaça acompanhou o príncipe a São Paulo como uma espécie de secretário particular. Tão bem desincumbiu-se de seu serviço que D. Pedro não quis mais prescindir dele. Chalaça possuia uma caligrafia excelente, escrevia com correção, falava varias linguas, e tinha o pensamento organizado — um perfeito administrador. Por outro lado, prestava alguns "servicinhos" uteis, como arregimentar belas mulheres. A mais fascinante de todas surgiu na vida de D. Pedro nesta viagem a São Paulo e se chamava Maria Domitila de Castro Canto e Melo. mais tarde receberia o título de Marquesa de Santos. Domitila teve amores com D. Pedro. a partir da Independência, a influência do Chalaça junto ao imperador aumentou, traduzindo-se em diversos títulos honoríficos e uma fortuna crescente.

Viveu durante muito tempo numa grande casa na avenida Maracanã, que posteriormente serviu de residência oficial aos Ministros do Exército.

A lista de feitos do filho bastardo do Visconde de Vila Nova da Rainha é imensa, dos quais destacamos alguns, envoltos numa certa névoa de imprecisão, já que o confidente do imperador jamais agia muito às claras:

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