Neste Dia

Chacrinha

Apresentador de televisão e rádio brasileiro (1917–1988)

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José Abelardo Barbosa de Medeiros OMC (Surubim, 30 de setembro de 1917 – Rio de Janeiro, 30 de junho de 1988), mais conhecido como Chacrinha ou simplesmente Abelardo Barbosa, foi um comunicador de rádio e televisão brasileiro, apresentador de programas de auditório de grande sucesso das décadas de 1950 a 1980.

Foi o autor da célebre frase: "Na televisão, nada se cria, tudo se copia". Em seus programas de televisão, foram revelados para o país inteiro cantores como Roberto Carlos, Clara Nunes, Roberto Leal, Paulo Sérgio, Raul Seixas, Perla, entre muitos outros. Desde a década de 1970, era chamado de Velho Guerreiro, após uma homenagem feita a ele pelo cantor Gilberto Gil, que assim se referiu a Chacrinha em sua canção "Aquele Abraço".

Pernambucano de Surubim, Chacrinha desenvolveu um grande legado na televisão, com programas como Buzina do Chacrinha, Cassino do Chacrinha e Discoteca do Chacrinha, trabalhando nela e no rádio por mais de quarenta e cinco anos (desde a estreia do programa de rádio Rei Momo na Chacrinha em 1943 até sua morte em 1988).

No final da década de 1980, o comunicador teve a saúde fragilizada em decorrência de complicações pulmonares. Com câncer de pulmão, doença da qual ele mesmo não sabia ser portador, Abelardo Barbosa foi substituído e auxiliado por Paulo Silvino e João Kléber e gravou seu último programa a apenas quinze dias de morrer. Chacrinha morreu em sua casa na Barra da Tijuca em 30 de junho de 1988, com setenta anos, e teve um grande velório do qual participaram celebridades da época, como o humorista Chico Anysio e o empresário Boni.

Nasceu em Surubim, no agreste de Pernambuco. Ainda na infância, muda-se com a família para Caruaru, também em Pernambuco, e depois, aos 10 anos de idade, para Campina Grande, na Paraíba. Aos 15, vai estudar, em regime de internato, no Colégio Marista do Recife, na capital pernambucana. Começa a cursar medicina em 1936, e em 1937, tem o seu primeiro contato com o rádio na Rádio Clube de Pernambuco, ao dar uma palestra sobre alcoolismo. Chacrinha, apesar de sucessivas crises financeiras na família, tem a infância tranquila das crianças de classe média de seu tempo.

1936–56: Chegada em Recife e Cassino da Chacrinha

Em Recife, ponto de chegada, Chacrinha prossegue seus estudos e todos os caminhos parecem indicar a Faculdade de Medicina para o jovem Abelardo. Não pretendendo passar um ano inteiro no quartel, falsifica a data de nascimento na cédula de identidade e acaba ingressando no Tiro de Guerra. Após esta experiência, passa a tocar bateria. Dois anos depois de começar seus estudos de medicina, em 1938, cai nas mãos de colegas já formados que o salvam de uma apendicite supurada e gangrenada. Ainda convalescente da delicada cirurgia, ele, como percussionista do grupo Bando Acadêmico, decide, aos 21 anos, viajar rumo à Alemanha no navio Bagé. Porém, na mesma época, estoura a Segunda Guerra Mundial que agitaria o mundo em 1939. Esses eventos o fazem desembarcar na então capital federal, o Rio de Janeiro, onde torna-se locutor na Rádio Tupi.

Em 1943, lança na Rádio Clube Fluminense um programa de marchinhas de carnaval chamado Rei Momo na Chacrinha, que faz muito sucesso. Passa então a ser conhecido como Abelardo "Chacrinha" Barbosa. Nos anos 1950, comandaria o programa Cassino da Chacrinha, no qual viria a lançar vários sucessos da música popular brasileira como "Estúpido Cupido", da cantora paulista Celly Campelo, e "Coração de Luto", do artista gaúcho Teixeirinha. E, no Cassino da Chacrinha, ele fingia, com sons e ruídos, que lá aconteciam enormes festas e lançamentos de discos.

Em 1956, estreou na televisão com o programa Rancho de Mister Chacrinha na TV Tupi, uma série de faroeste infanto-juvenil, na qual interpretava o papel do xerife. Naquela mesma emissora, começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha.

Na década de 1960, seu programa foi exibido na TV Paulista, TV Rio e TV Excelsior e, em 1967, foi contratado pela TV Globo. Chegou a fazer dois programas semanais: Buzina do Chacrinha, no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava "Vai para o trono, ou não vai?", e Discoteca do Chacrinha. Cinco anos depois voltou para a Tupi. Em dezembro de 1972, as gravações da Buzina do Chacrinha foram além do horário planejado, o que já vinha acontecendo. O diretor Boni pediu a Chacrinha que o programa terminasse antes das 22h10, o que não aconteceu. Boni, então, tirou o programa do ar. Segundo Boni, Chacrinha teria destruído o estúdio e ido até sua sala sem camisa dizendo que nunca mais voltaria à emissora.

Em 1974, teve uma breve passagem pela TV Record, retornando em seguida para a Tupi. Em 1978, transferiu-se para a TV Bandeirantes e, em 1982, retornou à Globo, onde ocorreu a fusão de seus dois programas num só, o Cassino do Chacrinha, que fez grande sucesso nas tardes de sábado.

Durante sua passagem pela Band, foi preso após uma censora da ditadura militar se sentir desacatada por ele. Ela comparecera ao programa para fiscalizar as roupas das chacretes, que precisavam se adequar ao padrão de moral dos militares, e circulou pelos bastidores do programa sem se identificar. O apresentador pediu que ela se retirasse, alegando que o local era exclusivo para artistas, e a censora, indignada, chamou um delegado, um chefe de censura e dez agentes federais para apreender Chacrinha após o programa. Ele foi fichado como criminoso comum, pagou fiança de CrS 10 mil e foi liberado. Em 1982, voltou a apresentar seu programa na TV Globo e lá permaneceu até o fim da atração. Em 1988, já debilitado em razão do câncer de pulmão que foi consequência de seu hábito de fumar, Chacrinha foi ajudado e, em algumas ocasiões, substituído, por João Kléber e Paulo Silvino. Seu último programa foi gravado quinze dias antes de sua morte e exibido em 2 de julho de 1988.

Chacrinha foi casado com Florinda Barbosa de Medeiros (1920–2020) de 1947 até sua morte em 1988. Florinda morreu apenas um dia antes de completar cem anos, em 16 de outubro de 2020. Com ela, teve três filhos, José Amélio "Leleco" de Medeiros, José Renato "Nanato" de Medeiros e Jorge Barbosa de Medeiros. Em 1972, ficou extremamente abalado após Nanato sofrer um acidente que o deixaria tetraplégico. Durante uma festa, o filho do apresentador, ao pular numa piscina de águas turvas devido ao cloro, bateu com a cabeça numa barra de ferro. Jorge Barbosa morreu em 2 de setembro de 2020. José Renato foi casado com a cantora Wanderléa e morreu em 6 de novembro de 2014, vítima de complicações respiratórias e cardíacas.

Fumante, Abelardo sofria de câncer pulmonar nos últimos anos de vida e chegou a ser substituído e auxiliado por Paulo Silvino e João Kléber quando não tinha capacidade para apresentar o programa. O apresentador fumava sete maços de cigarro por dia, e seu vício resultou na remoção de um de seus pulmões em 1971, causando uma deterioração ainda mais rápida de seu estado de saúde. Chacrinha chegou a ser internado e fazer sessões de quimioterapia para tratar o tumor, que já se espalhava para o pulmão remanescente. Leleco, filho do apresentador, afirmou que ele tinha uma aparência frágil, extremamente magro.

O comunicador ainda gravou um último programa quinze dias antes de sua morte, e a emissora Globo exibiu essa edição em 2 de julho de 1988. Leleco, filho do apresentador, afirmou não saber se Chacrinha tinha consciência de ter a doença. O apresentador morreu aos setenta anos em 30 de junho de 1988, às 23h30, vítima de um infarto agudo do miocárdio e de insuficiência respiratória, sofridos enquanto ia ao banheiro em sua casa na Barra da Tijuca. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte no Cemitério de São João Batista, na capital carioca. Presenciaram o sepultamento diversas celebridades da época, como o humorista Chico Anysio; o empresário Boni; Wanderléa, ex-esposa do filho do comunicador, Nanato; e várias atrizes, incluindo Betty Faria e Glória Menezes.

Quando o bacalhau encalhou nas Casas da Banha, seu patrocinador na TV Tupi, Chacrinha arrumou um jeito de reverter a situação. Durante o programa, virava-se para o auditório: "Vocês querem bacalhau?", e atirava o peixe para o auditório, onde a plateia disputava a tapa o produto. As vendas explodiram e ele explicou: "brasileiro adora ganhar um presentinho".[carece de fontes?]

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