Neste Dia

Cecília de Roma

Santa cristã, padroeira dos músicos

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Santa Cecília é uma mártir cristã da Antiguidade, identificada como uma jovem nobre romana que abraçou a fé em Cristo e entregou a própria vida por fidelidade ao Evangelho. Venerada em 22 de novembro, tornou-se universalmente reconhecida como padroeira dos músicos e da música sacra, pois a tradição narra que, nos instantes derradeiros de seu martírio, elevou cânticos de louvor a Deus.

Os dados históricos sobre sua vida são escassos. Os primeiros relatos hagiográficos datam do século V, na obra conhecida como Paixão de Santa Cecília, que preserva referências valiosas à devoção que já lhe era prestada nos primeiros séculos. Escavações arqueológicas realizadas nas catacumbas e na região do Trastevere contribuíram para confirmar sua existência e a antiguidade de seu culto.

Excluída a Virgem Maria, Cecília é uma das sete mulheres mencionadas nominalmente no Cânon Romano, testemunhando a veneração que a Igreja primitiva dedicava às mulheres mártires. A igreja mais significativa ligada à sua memória é a Basílica de Santa Cecília no Trastevere, que remonta ao cristianismo primitivo e, segundo a tradição, foi erguida sobre a casa onde ela teria vivido. O templo tornou-se centro de devoção, de arte e de preservação da memória litúrgica da santa ao longo dos séculos.

Em 1599, ao se abrir seu túmulo durante trabalhos de restauração, encontrou-se o corpo de Cecília em estado notavelmente preservado, fato que impressionou profundamente os contemporâneos. O escultor Stefano Maderno (1576–1636) foi convidado a reproduzir fielmente a postura em que o corpo foi encontrado. Sua célebre escultura permanece na basílica como um dos mais expressivos testemunhos do culto à mártir.

Em sua honra, no final do século XIX desenvolveu-se o movimento conhecido como cecilianismo, que buscava renovar a música sacra, restaurando-lhe a pureza, a dignidade litúrgica e a inspiração espiritual próprias da tradição cristã.

Segundo este relato, Cecília seria da nobre família romana dos Metelos, filha de senador romano e cristã desde a infância. Ela foi dada em casamento, contra a vontade, a um jovem chamado Valeriano. Se bem que tivesse alegado os motivos que a levavam a não aceitar este contrato, a vontade dos pais se impôs de maneira a tornar-lhe inútil qualquer resistência. Assim se marcaria o dia do casamento e tudo estava preparado para a grande cerimônia. Da alegria geral que estampava nos rostos de todos, só Cecília fazia exceção. A túnica dourada e alvejante peplo que vestia não deixavam adivinhar que por baixo existia o cilício, e no coração lhe reinasse a tristeza.

Estando só com o noivo, disse-lhe Cecília com toda a amabilidade e não menos firmeza: “Valeriano, acho-me sob a proteção direta de um Anjo que me defende e guarda minha virgindade. Não queiras, portanto, fazer coisa alguma contra mim, o que provocaria a ira de Deus contra ti”. A estas palavras, incompreensíveis para um pagão, Cecília fez seguir a declaração de ser cristã e obrigada por um voto que tinha feito a Deus de guardar a pureza virginal.

Disse-lhe mais: que a fidelidade ao voto trazia a bênção, a violação, porém, o castigo de Deus. Valeriano, ficou "vivamente impressionado" com as declarações da noiva, respeitou-lhe a virgindade, converteu-se e recebeu o batismo naquela mesma noite. Valeriano relatou ao irmão Tibúrcio o que tinha se passado e conseguiu que também ele se tornasse cristão.

Turcius Almachius, prefeito de Roma, teve conhecimento da conversão dos dois irmãos. Citou-os perante o tribunal e exigiu peremptoriamente que abandonassem, sob pena de morte, a religião que tinham abraçado. Diante da recusa formal, foram condenados à morte e decapitados. Também Cecília, teve de comparecer na presença do juiz. Antes de mais nada, foi intimada a revelar onde se achavam escondidos os tesouros dos dois sentenciados. Cecília respondeu-lhe que os tinha bem guardados, sem deixar perceber ao tirano que já tinham achado o destino nas mãos dos pobres. Almachius, mais tarde, cientificado deste fato, enfureceu-se e ordenou que Cecília fosse levada ao templo e obrigada a render homenagens aos deuses. De fato foi conduzida ao lugar determinado, mas com tanta convicção falou aos soldados da beleza da religião de Cristo que estes se declararam a seu favor, e prometeram abandonar o culto dos deuses.

Almachius, vendo novamente frustrado seu estratagema, deu ordem para que Cecília fosse trancada na instalação balneária do seu próprio palacete e asfixiada pelos vapores d’água. Cecília teria sido então protegida milagrosamente, e embora a temperatura tivesse sido elevada a ponto de tornar-se intolerável, ela nada sofreu. Segundo outros mitos, a Santa foi posta em um banho de água fervente do qual teria saído ilesa.

Almachius recorreu então à pena capital.Três golpes vibrou o algoz sem conseguir separar a cabeça do tronco. Cecília, mortalmente ferida, caiu por terra e ficou três dias nesta posição. Aos cristãos que a vinham visitar dava bons e caridosos conselhos e ao Papa entregara todos os bens, com o pedido de distribuí-los entre os pobres. Outro pedido fora o de transformar a sua casa em igreja, o que se fez logo depois de sua morte. Foi enterrada na Catacumba de São Calisto.

As diversas invasões dos godos e lombardos fizeram com que os Papas resolvessem a transladação de muitas relíquias de santos para igrejas de Roma. O corpo de Santa Cecília ficou muito tempo escondido, sem que lhe soubessem o jazigo.

Uma aparição da Santa ao Papa Pascoal I (817-824) trouxe luz sobre este ponto. Achou-se o caixão de cipreste que guardava as relíquias. O corpo, foi encontrado intacto e na mesma posição em que tinha sido enterrado. O esquife foi "achado em um ataúde de mármore e depositado no altar de Santa Cecília. Ao lado da Santa acharam seu repouso os corpos de Valeriano, Tibúrcio e Máximo.

Em 1599, por ordem do Cardeal Sfondrati, foi aberto o túmulo de Santa Cecília e o corpo encontrado ainda na mesma posição descrita pelo papa Pascoal. O escultor Stefano Maderno que assim o viu, reproduziu em finíssimo mármore, em tamanho natural, a sua imagem. Ele teve pouco tempo, pois o corpo se desintegrou em poucos dias.

A Igreja ocidental, como a oriental, têm grande veneração pela Mártir, cujo nome figura no cânon da Missa. O ofício de sua festa traz como antífona um tópico das atas do martírio de Santa Cecília, as quais afirmam que a Santa, nos festejos do casamento, ouvindo o som dos instrumentos musicais, teria elevado o coração a Deus nestas piedosas aspirações: “Senhor, guardai sem mancha meu corpo e minha alma, para que não seja confundida”. Desde o século XV, Santa Cecília é considerada padroeira da música sacra. Sua festa é celebrada no dia 22 de Novembro, dia da Música e dos Músicos.

Compositores eruditos importantes como Henry Purcell, Georg Friedrich Händel e Benjamin Britten escreveram composições em sua honra, apareceu em poesias de John Dryden, Alexander Pope e W. H. Auden, e músicos populares também fizeram referência a ela, como Paul Simon, David Byrne, Brian Eno e Dave Grohl.

Santa Teresinha do Menino Jesus

Santa Teresinha do Menino Jesus tinha Santa Cecília como sua santa de maior devoção. Ela escreveu poemas e várias citações a essa santa em sua autobiografia. Em uma de suas citações a Santa Cecília, sua santa predileta, ela escreveu: "(…) Senti por ela mais que uma devoção, uma verdadeira ternura de amiga e tornou-se a minha santa predileta e minha confidente".

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