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Catarina de Bragança

Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda (1662–1685)

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Catarina Henriqueta (Vila Viçosa, 25 de novembro de 1638 – Lisboa, 31 de dezembro de 1705) foi a esposa do rei Carlos II e Rainha Consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 até 1685. Era filha de D. João IV, primeiro rei da Casa de Bragança em Portugal, e de sua esposa Luísa de Gusmão.

Catarina não foi uma rainha popular na Inglaterra por ser católica, o que a impediu de ser coroada. Ela era um objeto especial de ataque pelos inventores da Trama Papista. Sem posteridade, deixou à Inglaterra a geleia de laranja, o hábito de beber chá, além de lá ter introduzido o uso dos talheres e do tabaco. Sua posição era difícil, teve três abortos e não produziu herdeiros. Seu marido Carlos continuava a ter filhos de suas amantes, mas insistia em que ela fosse tratada com respeito e recusou divorciar-se. Chegou mesmo a ser acusada de maquinar a morte do marido por sugestão do pontífice e outros príncipes católicos.

Enviuvando em 16 de fevereiro de 1685, Catarina permaneceu em Inglaterra durante o reinado do cunhado Jaime II e regressou a Portugal no reinado conjunto de Guilherme III e Maria II, depois da Revolução Gloriosa, instalando-se no Palácio da Bemposta. Em Portugal, ela se tornou regente do reino por impedimento do seu irmão doente, o rei D. Pedro II. Ela morreu em 1705, aos 67 anos.

Nascida no Paço Ducal de Vila Viçosa, Catarina Henriqueta era a segunda filha sobrevivente de João, 8.º Duque de Bragança e de sua esposa Luísa de Gusmão.

Após a Guerra da Restauração Portuguesa, seu pai foi aclamado rei D. João IV de Portugal, em 1 de dezembro de 1640. A irmã mais velha de Catarina, Joana, Princesa da Beira, morreu em 1653, deixando Catarina como a filha mais velha sobrevivente de seus pais. A nova posição de seu pai, como o monarca de um amplo império colonial, fez de Catarina uma das princesas em idade casamenteira mais cobiçadas da Europa, tendo sido cortejada por diversos nobres e monarcas do período, como João da Áustria, filho natural de Filipe IV da Espanha, Francisco de Bourbon, Duque de Beaufort, neto de Henrique IV da França, Luís XIV da França e Carlos II da Inglaterra. Apesar da luta contínua de seu país contra a Espanha, Catarina desfrutou de uma infância feliz na sua amada Lisboa.

Comumente considerada o poder por trás do trono, a rainha Luísa de Gusmão também era uma mãe devotada que se interessava ativamente pela educação de seus filhos e supervisionava pessoalmente a educação de sua filha. Acredita-se que Catarina passou a maior parte de sua juventude em um convento perto do palácio real, onde permaneceu sob o olhar atento de sua mãe protetora. Seu marido foi escolhido por Luísa de Gusmão, que atuou como regente de seu país após a morte de seu marido em 1656. A escolha final por Carlos II da Inglaterra como marido para Catarina deveu-se ao fato de ela ser vista como um canal útil para a contratação de uma aliança entre Portugal e a Inglaterra após o Tratado dos Pireneus de 1659, no qual Portugal foi indiscutivelmente ignorado pela França.

As negociações de um casamento Anglo-Português tiveram início durante o reinado do rei Carlos I e foram renovadas imediatamente após a Restauração. Em 23 de junho de 1661, apesar da oposição espanhola, o contrato matrimonial foi formalmente assinado, em Londres sob a negociação de Francisco de Melo e Torres. A Inglaterra assegurou o controle de Tânger, no Norte da África, e das Sete Ilhas de Bombaim, na Índia, além de privilégios comerciais no Brasil e nas Índias Orientais Portuguesas, liberdade religiosa e comercial para os súditos ingleses em Portugal, bem como a quantia de dois milhões de coroas portuguesas (aproximadamente £ 300.000). Em contrapartida, Portugal obteve apoio militar e naval inglês, o qual se revelaria decisivo em sua luta contra a Espanha, além de assegurar a liberdade de culto para Catarina.

Em 23 de abril de 1662, recebeu-se em Lisboa a notícia da realização do contrato de casamento entre o rei inglês e a infanta portuguesa, aprovado pelo Conselho de Estado. Seguiu-se um contrato de paz, com artigos muito curiosos, publicado no Gabinete histórico, de Frei Cláudio da Conceição, tomo V. Pouco depois, chegou a armada inglesa, que devia conduzir a seu bordo a nova rainha. O general comandante era Eduardo de Montaigne, Conde de Sandwich, revestido com o caráter de embaixador extraordinário. Antes de embarcar todos se dirigiram à Sé, onde se celebrou missa solene e Te-­Deum. Houve salvas da artilharia, repiques de sinos, pomposos ornatos nas ruas por onde passava o cortejo, o som das trombetas, charamela e outros instrumentos, tudo contribuía para abrilhantar a festa dos desposórios reais. Finalmente, a nova rainha entrou no bergantim real, adornado com magnificência, e navegou para bordo da nau capitania Grão-Carlos. Acompanharam as damas D. Elvira de Vilhena, Condessa de Pontével, e D. Maria Drago de Portugal, Condessa de Penalva.

Catarina chegou a Portsmouth na noite de 13 para 14 de maio de 1662, mas não foi recebida por Carlos até o dia 20 de maio. Existem dois relatos aparentemente contraditórios sobre a impressão causada em Carlos quando ele viu sua nova esposa pela primeira vez. Em uma carta ao seu principal conselheiro, Eduardo Hyde, 1.º Conde de Clarendon, o rei se mostrou satisfeito com ela. Ele admitiu que ela não era nenhuma beldade, mas seu semblante, conversa e voz eram agradáveis, além de uma inteligência suficiente. “Você ficaria surpreso ao ver o quão bem nos conhecemos. Em uma palavra, eu me considero muito feliz, e estou confiante de que nos daremos muito bem”, escreveu Carlos a Hyde. Por outro lado, Carlos também é creditado por ter dito, em particular, a um de seus companheiros, ao deixar a presença de sua noiva, que "lhe haviam enviado um morcego em vez de uma mulher." No entanto, a historiadora Antonia Fraser considera "improvável" que Carlos tenha feito tal observação, afirmando que “uma afirmação tão pouco cavalheiresca estaria completamente fora de seu caráter.” Na verdade, essa história maliciosa revela como Catarina provavelmente foi percebida pelos ingleses: pequena, morena e, acima de tudo, extremamente estrangeira. Pouco se sabe sobre os pensamentos de Catarina sobre a união. Enquanto sua mãe conspirava para garantir uma aliança com a Inglaterra e, assim, apoiar a luta de Portugal pela independência, e seu futuro marido celebrava sua restauração flertando com suas amantes, o tempo de Catarina foi gasto na reclusão sombria de sua casa no convento, com pouca oportunidade para diversão ou frivolidade.

No dia seguinte ao desembarque em Portsmouth, em 21 de maio de 1662, o casal finalmente se casou, em duas cerimônias – uma católica romana realizada em segredo, seguida de um serviço anglicano público. Em ambiente hostil ao catolicismo, Catarina manteve a sua fé e conseguiu que o seu marido abjurasse do anglicanismo numa cerimónia particular. No gabinete histórico, já citado, à pág. 160, vem a descrição do real consórcio, mas parece ter havido engano nas datas, pois a cerimónia se realizou a 22, segundo artigo publicado no Daily News que o Diário de Notícias transcreveu. Nele se diz que na última viagem a Inglaterra o rei Dom Carlos I mostrou desejos de ver os registos da igreja de São Tomás, de Portsmouth, onde está o assentamento do enlace — na igreja de Domus Dei, local onde hoje está a Garrison Church. Houve alteração no programa da viagem, e el-rei teve de partir para Londres antes do dia destinado à sua visita na paróquia de S. Tomás.

Finalmente, em 2 de setembro de 1662, o casal entrou em Londres pelo Tâmisa como parte de uma grande procissão, que incluía a delegação portuguesa e muitos membros da Corte. Havia também menestréis e músicos, entre eles dez tocando charamelas e doze tocando gaitas de fole portuguesas, sendo esses os instrumentos favoritos da nova rainha.[carece de fontes?] A procissão continuou por uma grande ponte, especialmente projetada e construída para a ocasião, que levava a Somerset House onde a mãe de Carlos, a rainha Henriqueta Maria, esperava o casal junto com a Corte e a nobreza inglesas. Seguiram-se banquetes e exibições de fogos de artifício.

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Catarina de Bragança | World in Stories