Catarina de Aragão (em castelhano: Catalina de Aragón; Alcalá de Henares, 16 de dezembro de 1485 — Castelo de Kimbolton, Cambridgeshire, 7 de janeiro de 1536) foi Princesa da Espanha e a primeira rainha consorte de Henrique VIII de Inglaterra, sendo mãe da rainha Maria I da Inglaterra. Conversava tanto em seu espanhol sua língua materna, quanto em latim, grego, francês e, mais tarde, inglês. Quando rainha, o seu tempo foi maioritariamente empenhado em obras de caridade, o que lhe conferiu o amor do povo inglês.
Filha de Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, Catarina tinha três anos quando estava noiva de Arthur, príncipe de Gales, herdeiro aparente do trono inglês. Eles se casaram em 1501, mas Arthur morreu cinco meses depois. Ela ocupou o cargo de embaixadora da Coroa Aragonesa na Inglaterra em 1507, a primeira embaixadora da história da Europa. Catarina se casou posteriormente com o irmão mais novo de Arthur, o recém-ascendido Henrique VIII de Inglaterra, em 1509. Por seis meses em 1513, ela serviu como regente da Inglaterra enquanto Henrique VIII estava na França. Durante esse período, os ingleses venceram a Batalha de Flodden, um evento em que Catarina desempenhou um papel importante com um discurso emocionado sobre a coragem inglesa.
Sua união com Henrique não resultou em um herdeiro masculino para o trono. Henrique entrou com um pedido de anulação do casamento, alegando que ela teria consumado o anterior, com seu irmão mais velho, falecido pouco depois de desposar Catarina, Artur, Príncipe de Gales. Uma série de eventos seguiu esse pedido, levando ao rompimento da coroa inglesa com a Igreja Católica Romana após o papa negá-lo. O rei, assumindo a supremacia religiosa no país, conseguiu a anulação e casou-se com sua amante Ana Bolena. Catarina, todavia, nunca aceitou a decisão, e continuou considerando-se sua legítima esposa e Rainha da Inglaterra.
Catarina nasceu em Alcalá de Henares e foi a filha sobrevivente mais nova dos Reis Católicos Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. Ela tinha uma baixa estatura, cabelos ruivos, grandes olhos azuis e rosto arredondado. Descendia, pelo lado materno, da família real inglesa; sua bisavó Catarina de Lencastre, de quem recebeu seu nome, e sua trisavó Filipa de Lencastre eram ambas filhas de João de Gante e netas de Eduardo III. Consequentemente, ela era prima em terceiro grau de seu futuro sogro, Henrique VII, e em quarto grau da sogra, Isabel de Iorque.
Ainda pequena, Catarina viajava constantemente pela Espanha, acompanhando seus pais durante as guerras para expulsar os mouros. Foi educada pelo tutor Alessandro Geraldini, um eclesiástico, e estudou religião, os clássicos, história, leis, heráldica e genealogia, além de atividades consideradas femininas, como costura, bordado e dança. Catarina aprendeu a falar e escrever em latim e espanhol, além de falar francês e grego e, apenas depois de sua chegada à Inglaterra, inglês. Aos três anos, tornou-se noiva do herdeiro do trono inglês, Artur Tudor, Príncipe de Gales. Considerando seu lado materno, Catarina teria uma maior reivindicação ao trono do que o próprio Henrique VII, pois descendia das duas primeiras esposas de João de Gante, Branca de Lencastre e outra Infanta espanhola, Constança de Castela. Em contraste, Henrique descendia da relação dele com Catarina Swynford, cujos filhos nasceram fora do casamento e só foram legitimados depois da morte de Constança e casamento com Catarina. Embora considerados legítimos depois disso, eles foram privados de direito ao trono, algo que foi ignorado nas gerações seguintes. Por causa disso, a dinastia Tudor não era aceite nem considerada legítima por todos os países europeus. Portanto, o casamento com Catarina, além de ligá-los a uma das famílias mais prestigiadas da Europa na época, os Trastâmara, fortalecia sua reivindicação ao trono. Os dois casaram-se por procuração em maio de 1499 e escreviam um para o outro em latim até Artur completar quinze anos, quando foi considerado que estavam com idade suficiente para o casamento de fato. Catarina chegou a Londres com um grupo de seus servidores africanos, considerados de luxo pelos ingleses, que causaram grande impressão.
Quando se conheceram, ela e Artur descobriram que não conseguiam se entender, pois haviam aprendido pronunciações diferentes do latim. Casaram-se em novembro de 1501, na Antiga Catedral de São Paulo, com uma grande cerimônia oferecida pelo pai do noivo. O casal foi viver no País de Gales, onde Artur tinha deveres a cumprir. Alguns meses depois, ambos ficaram doentes, provavelmente da doença do suor que assolava a região. Em abril de 1502, Artur morreu e Catarina recuperou-se como uma viúva aos dezesseis anos.
Henrique VII não queria devolver a primeira parte do seu dote, nem seus pais queriam que ela voltasse para a Espanha sem os direitos de viuvez, o que o rei não concedia por não ter recebido a segunda parte do dote. Surgiu então a possibilidade de tornar-se noiva do novo Príncipe de Gales, seu antigo cunhado Henrique, cinco anos mais jovem que ela. A morte de sua mãe, Isabel de Castela, durante as negociações; todavia, diminuiu o valor de Catarina para o matrimônio aos olhos do rei inglês, pois Castela era um reino muito maior que Aragão, e foi herdado pela filha mais velha do casal, a mentalmente instável Joana I de Castela. O casamento foi, então, ostensivamente adiado até que Henrique estivesse com idade suficiente, mas o rei procrastinou tanto que era uma dúvida se realmente aconteceria. A situação de Catarina ficou difícil, pois passou a viver como uma potencial prisioneira, e com pouco dinheiro para manter a si própria e a suas damas de companhia, sendo obrigada a vender parte de seus bens.
Em 1507, serviu como embaixadora espanhola na Inglaterra, quando seu pai viu-se sem um representante no país, o que fez dela a primeira mulher embaixadora da Europa. A jovem afirmou que o casamento com Artur não havia sido consumado devido a pouca idade de ambos, e uma dispensa papal foi requisitada, porque o direito canônico dizia que um homem não poderia casar com a mulher de seu irmão. O Papa Júlio II a concedeu em 1505.
Após um ano da morte de Artur, a rainha Isabel de Iorque morreu no parto de um bebê natimorto, aos 37 anos. Em abril de 1509, o próprio rei Henrique VII faleceu, tornando seu filho o novo rei da Inglaterra, Henrique VIII. Ele decidiu que se casaria com Catarina rapidamente. A cerimônia privada aconteceu em junho de 1509, seis anos depois da morte de Artur; Catarina estava com 23 anos, e Henrique próximo dos 18. Os dois fizeram a tradicional procissão para Westminster no dia 23 desse mês, seguida por uma população entusiasmada, depois de passarem a noite na Torre de Londres, como de costume. No dia seguinte, foram ungidos e coroados juntos pelo Arcebispo da Cantuária na Abadia de Westminster. No mês que se seguiu, seriam organizadas várias ocasiões sociais para que a nova rainha fosse apresentada ao povo inglês, que a recebeu bem.
Catarina esteve grávida seis vezes ao todo:
Em agosto de 1509, dois meses após o casamento, a primeira gravidez de Catarina foi anunciada. Em 31 de janeiro de 1510, ela deu à luz uma filha natimorta.
Em maio de 1510, quatro meses após a perda de seu primeiro filho, Catarina anunciou sua segunda gravidez. Um filho, Henrique, Duque da Cornualha, nasceu em 1 de janeiro de 1511. Em sua honra, armas foram disparadas da Torre de Londres e os sinos da cidade foram tocados, balizas foram acesas e vinho gratuito foi distribuído para toda a população. Cinco dias após o seu nascimento, em 6 de janeiro de 1511, o príncipe foi batizado no Palácio de Richmond, sendo seus padrinhos William Warham, arcebispo da Cantuária, Margarida de Áustria, Duquesa de Saboia e o rei francês Luís XII de França. Em 22 de fevereiro de 1511, depois de apenas 52 dias de vida, o jovem príncipe morreu repentinamente.
No início de 1513, Catarina estava grávida de novo. Em 30 de junho de 1513, Catarina foi deixada como regente na Inglaterra quando Henrique VIII foi lutar na França. Em 17 de setembro de 1513, ela entrou em trabalho de parto prematuro e deu à luz um menino que morreu poucas horas após o nascimento.