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Cassandra Rios

Escritora brasileira

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Cassandra Rios, pseudônimo de Odette Pérez Ríos (São Paulo, 3 de outubro de 1932 – São Paulo, 8 de março de 2002), foi uma escritora brasileira. Escrevia ficção, mistério e principalmente sobre homossexualidade feminina e erotismo, sendo a primeira escritora a tratar do tema, quebrando um grande tabu nacional. Cassandra Rios acabou sendo perseguida e ameaçada pela ditadura militar, mas não parou jamais de escrever.

Odette Pérez Ríos nasceu e cresceu em uma família de classe média alta do bairro de Perdizes, na cidade de São Paulo, em 3 de outubro de 1932. Filha dos imigrantes espanhóis Graciano Fernández Ríos e Damiana Pérez Ríos, ambos naturais da vila da Gudiña, província de Ourense, na Galiza.

Em 1948, aos 16 anos, publicou seu primeiro livro: A Volúpia do Pecado, uma história de amor entre duas adolescentes, se tornando a primeira autora do país de romances eróticos voltados ao universo da homossexualidade feminina.

Na época, após ter sido rejeitado por todas as editoras de São Paulo, A Volúpia do Pecado foi publicado pela própria Odette com dinheiro emprestado por sua mãe. Sob o pseudônimo de Cassandra Rios, em homenagem a sacerdotisa grega que profetizou o episódio do "cavalo de Troia", o livro de estreia fez tanto sucesso que chegou a ser reeditado nove vezes em pouco mais de dez anos. Até que, em 1962, foi proibido e tirado de circulação por ofender os valores familiares.

"A sociedade rotula o homossexual como cachaça de macumba, não como uísque", brincou a escritora em 2001, pouco antes de morrer, ao lembrar da sua trajetória.

Durante sua carreira Cassandra escreveu mais de quarenta romances que lidam com o tema da homossexualidade.

Em 1986 foi convidada a se candidatar a deputada estadual pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) durante um programa de rádio em que entrevistava Adhemar de Barros. Aceitou e candidatou-se com o número 12169, porém não foi eleita.

Foi, ainda, o primeiro caso conhecido de uma escritora nacional a viver exclusivamente da venda de seus livros, nunca tendo exercido outra profissão.

Com os direitos autorais que recebia de seus livros, a escritora mantinha um padrão de vida elevado: Tinha seu próprio apartamento no Centro de São Paulo, uma casa em Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, uma chácara em Embu das Artes e alguns carros, além de sua própria livraria.

"Escrevi A Santa Vaca de raiva", disse a autora quando questionada se o objetivo do título do livro, que conta as fantasias eróticas por trás de uma jovem considerada boa moça, era chocar. "De tanto me perseguirem, resolvi fazer pornografia, então fiz esse livro. Na introdução, está a minha intenção: Mostrar a força da mulher ao ser chamada de prostituta", contou Cassandra Rios em entrevistas. Este livro lhe concedeu a alcunha de "A escritora mais proibida do Brasil".

Porém, além de não se considerar pornográfica, Cassandra não conseguia entender por que o erotismo era algo a ser combatido pelos ditadores. "Pornografia é a intenção deliberada de chocar. É o sexo pelo sexo. Nos meus livros, o sexo só acontece em função do amor, para realizá-lo plenamente e sem preconceitos", esclareceu a escritora na entrevista à revista Realidade.

Nos anos 1990, a escritora ganhou um programa na Rádio Bandeirantes. Durante uma entrevista ao vivo com o ex-governador paulista Adhemar de Barros, Cassandra foi convidada pelo político a concorrer às eleições de 1986, eleições que marcaram o fim da ditadura. Ela aceitou o convite e se candidatou a deputada estadual por São Paulo pelo PDT, mas não foi eleita.

Ninguém foi mais perseguida pelos censores da ditadura militar brasileira do que Cassandra Rios, escritora recordista em vetos durante o regime, com 36 dos seus 50 livros publicados censurados durante a vida - fora algumas edições clandestinas.

Entre 1964 a 1985, anos da ditadura, outras três dezenas de livros da escritora foram proibidos. Ficou conhecida como a "escritora maldita", pela ditadura, devido aos conteúdos publicados, a sua sexualidade em uma época conservadora - a escritora era publicamente lésbica - e a sua popularidade com as classes ricas e pobres incomodaram muito os que estavam no poder.

Apesar da perseguição recorde durante a ditadura militar, com 36 obras censuradas, Cassandra Rios se tornou a primeira escritora brasileira a vender 1 milhão de exemplares, meta alcançada em 1970.

Mesmo censurada, Cassandra era persistente, continuava escrevendo. No final, a própria censura ajudou a transformá-la em um mito. Mais que um xingamento, a fama de escritora maldita se transformou em um rótulo lucrativo para as editoras. Foi uma das pioneiras na profissionalização do escritor no país.

Ainda que fosse um sucesso de vendas e de popularidade entre os anos 1950 a 1980, Cassandra foi perseguida e tirada de circulação com tanta ferocidade pelos militares que até hoje é difícil encontrar seus mais de 50 livros em livrarias e sebos.

Com a perseguição dos censores, Cassandra foi à falência em 1976, ano em que 14 obras da escritora foram censuradas em apenas seis meses. Ela perdeu quase tudo e teve de fechar a livraria temporariamente.

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