Cartaxo é uma cidade portuguesa sede do Município do Cartaxo, no Distrito de Santarém, com 10 680 habitantes (2021).
Desde 2023 que está integrada na região estatística (NUTS II) do Oeste e Vale do Tejo e na sub-região estatística (NUTS III) da Lezíria do Tejo; continua, no entanto, a fazer parte do território sob tutela da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, que manteve a designação da antiga CCDR com o mesmo nome. Pertence à província do Ribatejo, hoje sem significado político-administrativo, mas constante nos discursos de auto e hetero-identificação cultural. Com 148 hab./km² é a cidade com maior densidade populacional da região estatística. Dista 65 km de Lisboa e 13 km de Santarém.
O Município do Cartaxo tem 158,17 km² de área e 23 187 habitantes (2021), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Santarém, a leste por Almeirim, a sueste por Salvaterra de Magos e a oeste pela Azambuja.
Conta a lenda que, a Rainha Santa Isabel, em busca de paz de espírito e contacto com Deus, passou por onde hoje é a cidade, pelas terras do "barrio", onde terá repousado e saciado a sua sede, num local onde encontrou sombra e uma fonte. Estando em repouso, deparou-se com um bonito chilreio que ecoava pelos ares em seu redor, tendo observado melhor terá reparado que para além de cantarem de forma linda, estas criaturas voadoras eram também em si lindos, formosos e galantes. A rainha, tendo avistado uns camponeses que se dirigiam para ali, indagou-lhes que pássaros eram aqueles. Os camponeses responderam-lhe, dizendo que eram cartaxos. A rainha agradeceu-lhes e perguntou-lhes que lugar era aquele, ao que eles responderam que era o Lugar da Fonte. Então, a rainha disse para que todos lhe pudessem ouvir: "Pela Graça de Deus, pelo poder que me foi atribuído, que este Lugar da Fonte se passe a chamar de agora em diante Lugar de Cartaxo, e que seja assim para toda a eternidade, e que todas as gentes saibam, e assim se faça de acordo com as leis dos homens sob a presença de meu marido o muy nobre el-rey Dom Dinis e de acordo com as regras de Deus Nosso Senhor Todo-o-Poderoso, que ordena sobre o Céu e sobre a Terra…". Tendo dito isto, partiu, prosseguindo o seu caminho em direção ao Lugar de Almoster, demandando na sua peregrinação o mosteiro aí existente, o Mosteiro de Almoster.
A existência da povoação do Cartaxo será sem dúvida bem remota. A proximidade de Santarém, cujas muralhas foram bem disputadas entre muçulmanos e cristãos, e as devastadoras incursões sobre as populações vizinhas atingiram decerto o Cartaxo.
D. Sancho II chamou-lhe "fogo morto" e pensou repovoar o lugar do "Cartaxo" e o vizinho Cartaxinho (atual Ribeira do Cartaxo), pelo que concedeu esta sua terra reguengueira a Pedro Pacheco, ficando este obrigado a construir ali uma albergaria para os pobres. Nem Pedro Pacheco nem os seus descendentes cumpriram tal obrigação. Mais tarde, os moradores do lugar pediram a D. Dinis que lhes desse uma carta de povoamento. D. Dinis satisfez o pedido e concedeu carta de foral a 20 homens e seus sucessores para que eles fizessem ali "pobra" no seu "lugar do Cartaxo". Ficaram obrigados a dar ao rei, em cada ano, a oitava parte do pão, do vinho e do linho, "estando o pão na eira, o vinho no lagar e o linho no tendal"; e dos "monte maninhos" que cultivassem, só passados 3 anos, ou 5 anos se fossem vinhas, é que lhes exigiria o pagamento do foro. O mesmo se aplicaria a todos os futuros povoadores do lugar. Obrigavam-se todos, também, a fazer boas casas e bons currais "bem larguos". Os abusos ou crimes contra alguém eram punidos com 6000 soldos e pagamento a dobrar do prejuízo causado. Este foral foi depois confirmado por D. João I a 27 de Julho de 1387, e por D. Manuel I em 4 de Novembro de 1496.
Um dos problemas dos moradores prendia-se com os abusos das "Justiças de Santarém". Alguns documentos fazem alusão ao facto, assim como aos reparos régios. Assim o demonstra, por exemplo, uma carta datada de Almeirim, de 6 de Janeiro de 1458, na qual D. Afonso V atende às reclamações dos cartaxenses contra as prepotências de Gonçalo Galvão, juiz da vila de Santarém.
O crescente aumento populacional e o progresso da lavoura encorajavam a reivindicação de isenção face à jurisdição de Santarém. Só em 1815, por alvará dado no Rio de Janeiro, a 10 de Dezembro desse ano, D. João VI concede ao Cartaxo (então "Cartacho"), a independência administrativa e eleva-a à categoria de vila, "(que) terá por termo além do seu antigo Desctrito, os lugares de Vallada e Porto de Muge, e as Freguesias de Valle da Pinta, Pontével, Ereira e Lapa…". Foi elevada a cidade a 21 de Junho de 1995.
O território do Município do Cartaxo foi, em todas as épocas, um ponto de passagem para o interior do país, quer por via fluvial (Rio Tejo), quer por via terrestre. Uma via romana, que partia de Olisipo (Lisboa) e passava por Jerábriga (Alenquer), seguindo para Escálabis (Santarém), atravessava o território do município ou certamente, muito próximo. Antes dos romanos, outras civilizações se fixaram na região: Castros de Vila Nova de São Pedro (Eneolítico), Vale do Tejo, nas regiões de Muge (vestígios do Paleolítico e do Mesolítico; os concheiros de Muge tiveram vida ativa entre 7500 e 500 a.C.). Os vestígios materiais, até hoje detectados, datam da Idade Média, embora na Lapa exista a Gruta da Lapa que poderá ser anterior.
A importância histórica do município, pode ainda ser confirmada por outros factos, nomeadamente, a Batalha de Ourique que está provavelmente ligada a Vila Chã de Ourique (1139), a concessão de forais a Pontével pelo rei D. Sancho I (1194), e ao Cartaxo por D. Dinis (1312) e ainda a existência de Paços Reais em Valada (1361-1365). Noutros aspectos, também o município ganha preponderância, pois já em finais do século XIX, em virtude das inovações tecnológicas introduzidas, torna-se o centro de produção vinícola mais característico do Vale do Tejo, sendo já famosos os seus vinhos, quer em Portugal quer no estrangeiro.
O município nos seus primeiros tempos era constituído pelas freguesias de Vale da Pinta, Valada, Pontével, Ereira e Lapa e Cartaxo, sendo esta então formada pela povoação do mesmo nome, por Casal do Ouro, Beijoca e Ribeira, antigamente chamada Cartaxinho. Já no século XX foram criadas as seguintes freguesias:
8 de agosto de 1921 - A freguesia da Lapa por desanexação da Ereira.
29 de janeiro de 1927 - A freguesia de Vila Chã de Ourique, cuja sede se chamou primeiro Casal do Ouro, por desanexação do Cartaxo.
23 de maio de 1988 - A freguesia de Vale da Pedra por desanexação de Pontével.
O município do Cartaxo era inicialmente composto por cinco freguesias: Cartaxo, Vale da Pinta, Valada, Pontével e Ereira-Lapa. No século XX, foram criadas mais três freguesias: Lapa, por desanexação de Ereira (1921), Vila Chã de Ourique (1927) e Vale da Pedra, por desanexação de Pontével (1987). Desde 2013, a divisão administrativa do município é a indicada na tabela abaixo.
★ Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.
★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente
A população no município do Cartaxo tem evoluído progressivamente aos longo dos anos. Em 1991, a população concelhia tinha uma população de 22 268 habitantes, contrapondo os 23 338 habitantes em 2001. Por zona geográfica, a freguesia do Cartaxo contava, em 2001, com o maior número de habitantes, com 10 092, seguida das freguesias de Pontével (4 424 habitantes) e de Vila Chã de Ourique (2 942 habitantes). Apesar do aumento da população, apenas as freguesias do Cartaxo, Vale da Pinta e Vale da Pedra, registaram aumentos populacionais entre 1991 e 2001. Por sexo, a população masculina é de 11 931 habitantes, enquanto que a população do sexo feminino tem 11 407 habitantes. Em consonância com a população residente, segundo dados de 2001, existiam 8 983 famílias, 11 201 alojamentos, e 8 991 edifícios no município.