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Carlos do Carmo

Fadista português (1939-2021)

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Carlos do Carmo, nome artístico de Carlos do Carmo da Ascensão de Almeida ComIH • GOM (Lisboa, 21 de dezembro de 1939 – Lisboa, 1 de janeiro de 2021) foi um cantor e intérprete de fado português.

Filho de Alfredo de Almeida, livreiro e, posteriormente, proprietário da casa de fados O Faia, e da fadista Lucília do Carmo, Carlos do Carmo nasceu na Maternidade Magalhães Coutinho, à Rua de São Lazaro, n.º 100, freguesia da Pena, Lisboa.

Passou a infância no bairro da Bica.

Estudou no Liceu Passos Manuel, indo depois prosseguir os estudos na Suíça, para onde partiu com 17 anos de idade.

Nesse país frequentou o Institut auf dem Rosenberg, um colégio alemão de elite, situado em São Galo, onde teve oportunidade, durante três anos, de estudar intensamente línguas estrangeiras, tornando-se fluente em francês, inglês, alemão, italiano e espanhol.

Depois, já em Genebra, obteve um diploma técnico de Gestão Hoteleira.

O surgimento da carreira artística

Apesar de se encontrar empregado na Companhia Nacional de Navegação, a morte do pai, em 1962, levou Carlos do Carmo a assumir a gerência d'O Faia, que, com o passar dos anos, se tornara numa importante casa de Fados da capital.

N' O Faia começou a atuar para os amigos e clientes mais frequentes da casa, até que, em 1964, abraçou definitivamente a carreira artística.

O surgimento de Carlos do Carmo como fadista dá-se após gravar com Mário Simões uma versão de Loucura, fado de Júlio de Sousa, que a mãe Lucília interpretava.

O fadista afirmaria que escolheu o fado Loucura porque ser o unico de que sabia a letra.

É certo que estava habituado a ouvir o Fado desde criança, quer na voz de sua mãe, quer na voz de outros intérpretes. Fora levado a ouvir fadistas populares nas verbenas de Lisboa e cedo contactara também com os artistas que atuavam na casa de fados dos pais — Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha ou Carlos Ramos são exemplos de fadistas que Carlos do Carmo ouviu em criança n'O Faia.

Na sua juventude, porém, afastara-se da canção tradicional de Lisboa.

Da infância retivera o gosto pelas canções brasileiras de Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi, até que, adolescente, deixara-se fascinar pelas capacidades interpretativas de Frank Sinatra, na música anglo-saxónica, e de Jacques Brel, na música francófona.

Também o facto de passar alguns anos no estrangeiro, contribuíra para que Carlos do Carmo se afastasse do Fado.

A sua versão de Loucura, junto do quarteto de Mário Simões, seria um desafio à forma tradicional de interpretar o Fado — o estreante fadista gravou este tema acompanhado de um piano, um baixo, uma guitarra elétrica e um coro de vozes femininas.

O single começou a passar regularmente na rádio e, em consequência do sucesso que teve, motivaria, noS anos seguintes, o EP Carlos do Carmo com Orquestra de Joaquim Luiz Gomes (1966) e o álbum O Fado de Carlos do Carmo (1969).

Tais passos suscitariam um auspicioso reconhecimento da critica, através da Casa da Imprensa — 1967 o EP valer-lhe-ia o Premio de Melhor Intérprete e, em 1970, o seu primeiro álbum o Prémio Pozal Domingues de Melhor Disco do Ano.

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