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Carlos Martel

Líder político e militar franco

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Carlos Martel (em francês: Charles Martel; em alemão: Karl Martell; em latim: Carolus Martellus; 21 de junho de 690 – Quierzy-sur-Oise, 22 de outubro de 741) foi Mordomo do Palácio (essa posição era comum na Dinastia Merovíngia, iniciada por Clóvis; pelo fato de os reis desta dinastia serem considerados "indolentes", preguiçosos, quem de fato governava era quem ocupava o posto de Mordomo do Palácio, chamado também de Prefeito do Palácio) de 717 a 741 e duque da Austrásia e o soberano de facto dos Francos. Filho ilegítimo de Pepino de Herstal, prefeito do palácio da Austrásia com sua concubina Alpaida, e nascido em Herstal, no que agora é a Valônia, na Bélgica, Martel expandiu seu domínio sobre os três reinos francos: Austrásia, Nêustria e Borgonha.

É mais lembrado por ter vencido a Batalha de Poitiers (ou batalha de Tours) em 732, tradicionalmente considerada a ação que salvou a Europa do expansionismo muçulmano que já havia conquistado a Península Ibérica; a partir de então não houve mais invasões muçulmanas nos territórios francos, e a vitória de Carlos é considerada decisiva para a história medieval na medida em que conteve a expansão islâmica nas fronteiras francas.

Embora inicialmente lembrado simplesmente como o líder do exército cristão que prevaleceu em Tours, Carlos Martel foi um verdadeiro gigante do início da Idade Média. Um general brilhante numa época privada desse talento, ele é considerado o pai da cavalaria pesada ocidental, das ordens de cavalaria e fundador do Império Carolíngio (Pepino o Breve, seu filho, daria o nome de Império Carolíngio devido a Carlos Martel e não devido a Carlos Magno, neto de Carlos Martel), e um catalisador para o sistema feudal que acompanharia a Europa através da Idade Média (embora descobertas acadêmicas recentes sugerem que ele era mais um dos beneficiários do sistema feudal que um agente causador das mudanças sociais).[carece de fontes?]

Foi prefeito do palácio (ou seja, responsável pela administração sob o Rei) do Reino Franco do Oriente, a partir de 717. Em 731 tomou as rédeas da totalidade do Reino. Recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

Em dezembro de 714, Pepino de Herstal morreu, e seu filho Carlos foi designado para retomar o cargo de prefeito do palácio que ocupava o defunto, estando os seus meios-irmãos Drogo de Champanhe e Grimoaldo II também mortos.

Mas aos olhos de Plectruda, a primeira esposa de Pepino de Herstal, Carlos era considerado como um filho ilegítimo porque este nasceu de Alpaida, uma outra esposa nobre e elegante que Pepino havia tomado apesar de já ser casado. Plectruda portanto, fez tudo para o descartar do poder e preservar o futuro de Teodoaldo, filho bastardo de seu filho legítimo Grimoaldo, herdeiro de todos seus domínios, que tinha apenas 6 anos. Rapidamente, Plectruda sequestrou Carlos Martel, o filho sobrevivente mais velho de seu marido, um bastardo, e o aprisionou em Colônia, a cidade que estava destinada a ser sua capital. Isto evitou uma revolta a seu favor na Austrásia, mas não na Nêustria.

Em 715, a nobreza neustriana proclamou Ragenfrido prefeito do palácio em favor de - e aparentemente com seu apoio - Dagoberto III, o jovem rei, que de fato tinha a autoridade legal de escolher o prefeito, apesar de nessa época a dinastia merovíngia ter perdido a maioria de seus poderes régios.

Os austrasianos não suportariam uma mulher e seu jovem filho por muito tempo. Antes do final do ano, Carlos Martel havia escapado da prisão e foi aclamado prefeito pelos nobres austrasianos. Os neustrianos atacaram a Austrásia, e os nobres austrasianos esperavam por um homem forte que os liderasse contra os invasores. Naquele ano, Dagoberto morreu e os neustrianos proclamaram Quilperico II rei sem o apoio dos outros reinos francos.

Em 716, Quilperico e Ragenfrido comandaram um exército invasor na Austrásia. Os neustrianos se aliaram a uma outra força invasora liderada por Radbod, rei dos frísios e encontraram Carlos em batalha próximo a Colônia, ainda sob domínio de Plectruda. Carlos tinha pouco tempo para reunir um exército, ou prepará-lo, e o resultado foi a única derrota que ele sofreu na sua vida. De fato, ele fugiu do campo de batalha logo que ele percebeu que não tinha tempo nem homens para vencer, escapando para as montanhas do Eifel. O rei e seu prefeito então se voltaram para atacar seu outro rival na cidade, tomá-la e ao tesouro, e receber o reconhecimento de Quilperico como rei e Ragenfrido como prefeito. Plectruda então se rendeu em favor de Teodoaldo.

Nessa conjuntura, os eventos favoreceram Carlos. Tendo feito as preparações necessárias, Carlos atacou o exército triunfante próximo a Malmedy, quando este retornava ao seu reino, e em seguida, na batalha de Amblève, derrotou-o e afugentou-o. Várias coisas são notáveis nessa batalha, na qual Carlos estabeleceu os padrões para o resto de sua carreira militar: primeiro, ele surgiu onde seus inimigos menos esperavam, enquanto eles marchavam triunfalmente para casa e estavam em maior número do que ele. Ele também atacou quando menos se esperava, ao meio-dia, quando os exércitos daquela época tradicionalmente descansavam. Finalmente, ele os atacou como eles menos esperavam, fingindo uma retirada para atrair os seus inimigos a uma emboscada. A retirada dissimulada, quase desconhecida na Europa Ocidental na época - era tradicionalmente uma tática oriental, muito utilizada pelos hunos - exigia uma disciplina extraordinária das tropas e o comando preciso dos comandantes. Carlos, nessa batalha, começou a demonstrar a genialidade militar que marcaria seu governo, nunca atacando seus inimigos onde, quando e como eles esperavam, e o resultado foi um período de vitórias contínuo que só terminou com sua morte.

Na primavera de 717, Carlos retornou à Nêustria com seu exército e confirmou sua supremacia com uma vitória em Vincy, próximo a Cambrai. Ele perseguiu o rei fugitivo e o prefeito até Paris antes de voltar a negociar com Plectruce em Colônia. Ele tomou a cidade e dispersou os partidários dela. Ele deixou Plectruda e Teodoaldo vivos, tratando-os com bondade - comportamento incomum para a época, quando a piedade com um ex-inimigo, ou com um potencial rival, era rara.

Com seu sucesso, ele proclamou Clotário IV rei da Austrásia em oposição a Quilperico I e depôs o arcebispo de Reims, Rigoberto, substituindo-o por Milo, que o apoiou por toda a vida. Após subjugar toda a Austrásia, ele marchou contra Radbod que se tinha aliado com o duque Odão da Aquitânia e da Vascônia e o empurra de volta ao seu território, tendo-lhes imposto a primeira derrota a 14 de Outubro de 719 em Néry, entre Senlis e Soissons.

Ele se comprometeu ainda a empurrar a fronteira oriental do reino: de 720-738, e conquistou a Áustria e sul da Alemanha. Em 734, na Batalha do Boarn (Boorne), os frísios comandados pelo rei Poppo (674-734) foram derrotados pelos francos, que conquistaram a parte ocidental dos Países Baixos até Lauwers.

Ele também despachou os saxões para além do rio Weser e assim assegurou suas fronteiras - em nome do novo rei, naturalmente. Mais do que qualquer outro prefeito do palácio anterior, todavia, o poder absoluto estava com Carlos Martel. Embora ele nunca se preocupasse com títulos, seu filho Pepino se preocupava, e finalmente perguntou ao papa "quem deveria ser rei: quem possuía o título ou quem tivesse o poder?" O papa, altamente dependente dos exércitos francos para sua independência dos lombardos e do poder bizantino (o imperador bizantino ainda se considerava o único imperador "romano" legítimo, e assim, governante de todas as províncias do antigo império, reconhecidas ou não), declarou "que o rei era quem possuía o poder" e imediatamente coroou Pepino. Décadas depois, o filho de Pepino, Carlos Magno, foi coroado imperador pelo papa, estendendo mais ainda o princípio de "quem detinha o poder" revogando a autoridade nominal do imperador bizantino na península Itálica (a qual estava, então, reduzida a pouco mais que Puglia e Calábria na melhor das hipóteses) e na antiga Gália Romana, inclusive os postos avançados ibéricos (Carlos Magno havia se estabelecido na Marca Hispânica, além dos Pirenéus, no que hoje é a Catalunha). Em resumo, apesar do imperador bizantino reivindicar autoridade sobre todo o antigo Império Romano como legítimo imperador "romano", e isto era legalmente verdade, mas que simplesmente não era a realidade. A maior parte do Império Romano do Ocidente estava sob governo carolíngio, e o imperador bizantino quase não tinha mais autoridade no Ocidente desde o século VI. Mesmo assim Carlos Magno, um político completo, preferia evitar uma ruptura completa com Constantinopla. O que estava ocorrendo era o nascimento de uma instituição única na história: o Sacro Império Romano-Germânico. Apesar do mordaz Voltaire ridicularizar sua nomenclatura, dizendo que o Sacro Império não era "nem santo, nem romano, nem um império". Ele constituiu um enorme poder político, especialmente sob as dinastias saxã e saliana, e, em menor grau, por extensão, os Hohenstaufen. Ele durou até 1806, como uma entidade imaginária.

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