Carlos Coimbra da Luz (Três Corações, 4 de agosto de 1894 – Rio de Janeiro, 9 de fevereiro de 1961) foi um advogado, professor, jornalista e político brasileiro. Foi o presidente do Brasil de 8 a 11 de novembro de 1955, tendo se tornado, deste modo, o presidente do Brasil que ocupou a cadeira presidencial por menos tempo: apenas três dias.
Luz se formou em meados de 1915 em Direito, sendo nomeado mais tarde delegado de polícia e, oito anos depois, vereador da cidade de Leopoldina. Em 1934, elegeu-se deputado federal pelo Partido Progressista (PP), e foi mais tarde nomeado para o conselho administrativo da Caixa Econômica Federal por Getúlio Vargas. Eventualmente, tornou-se vice-presidente e depois presidente da instituição. Foi empossado como ministro da Justiça em janeiro de 1946 por Eurico Gaspar Dutra. No ano seguinte, Carlos Luz foi o único candidato eleito para a Câmara dos Deputados, pelo Partido Social Democrático (PSD). Tornou-se no mesmo ano diretor-presidente do Banco Ribeiro Junqueira.
Em fevereiro de 1955, Carlos Luz foi eleito presidente da Câmara dos Deputados. Em novembro, o presidente Café Filho ficou inativo por motivo de doença. Assim, Carlos Luz, como presidente da Câmara dos Deputados, seria seu sucessor legal, e foi empossado em 8 de novembro. Entretanto, após acusações de conspiração contra a posse do eleito Juscelino Kubitschek, sofreu um impeachment três dias depois. Após isso, Luz teve baixa participação na política. Morreu no Rio de Janeiro em 9 de fevereiro de 1961.
Início de vida, presidência da Câmara Municipal e deputado federal
Carlos Coimbra da Luz nasceu em Três Corações, Minas Gerais, no dia 4 de agosto de 1894. Foi filho do juiz de direito, e depois desembargador, Alberto Gomes Ribeiro da Luz, e de Augusta Coimbra da Luz. Seus estudos básicos foram concluídos no Ginásio de Lavras em 1910, na cidade de Lavras. Em 1911, foi para Belo Horizonte cursar na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, e se formou quatro anos depois; neste período, foi secretário do Conselho Superior de Instrução Pública de Leopoldina e, em 1915, do Conselho Estadual.
Pouco após se formar, foi nomeado delegado de polícia da cidade, bem como professor de geografia, coreografia e cosmografia da Escola Normal da cidade. Em 1918, deixou a primeira função para tornar-se inspetor escolar e promotor da comarca local, atividades que novamente abandonou dois anos depois para dedicar-se à advocacia e ao jornalismo. Nesta época, casou-se com Maria José Dantas Luz, com quem teve dois filhos, morrendo poucos anos depois.
Foi o redator e diretor da Gazeta de Leopoldina em 1920. Em 3 de dezembro de 1922, Carlos Luz foi eleito vereador em Leopoldina e, no dia primeiro do ano seguinte, foi eleito presidente na Câmara Municipal. Mais tarde, assumiu a prefeitura da cidade, com mandato de três anos. Em 1924, deixou a Escola Normal. Luz foi reeleito prefeito três anos depois. Em uma data desconhecida, ficou por um longo tempo em Belo Horizonte, voltando à cidade em 10 de fevereiro de 1927. Durante esse tempo, o coronel Olivier Fajardo ficou como presidente da Câmara.
Luz ficou no cargo de prefeito até 1932, mas foi afastado por um curto período devido à Revolução de 1930. Durante esse período, casou-se com Graciema Junqueira da Luz, pertencente a uma "poderosa família" do interior mineiro: o deputado federal José Monteiro Ribeiro Junqueira, tio de Graciema, era o homem mais importante da cidade, proprietário de várias companhias e dono do jornal Gazeta de Leopoldina e do Ginásio Leopoldinense. Com Graciema, Luz teve outros dois filhos.
Em 9 de setembro de 1932, foi nomeado secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais, governada por Olegário Maciel. Após sua morte em setembro no ano seguinte, Luz foi mantido no cargo pelo interventor interino, Gustavo Capanema. Em 15 de dezembro, Benedito Valadares assumiu a interventoria, nomeando Carlos Luz para o cargo de secretário do Interior. Luz substituiu Valadares esporadicamente ao longo de 1934, sempre por um dia, em despachos rotineiros da interventoria. Em 14 de outubro de 1934, elegeu-se deputado federal de Minas Gerais, pelo Partido Progressista (PP). Deixou seu cargo no governo do estado em 31 de janeiro do ano seguinte, iniciando seu mandato em 3 de maio.
Presidência da Caixa Econômica Federal e Ministro da Justiça
Devido à dissolução da Câmara com o golpe que implantou o Estado Novo, em 1937, Carlos Luz foi nomeado por Getúlio Vargas para o conselho administrativo da Caixa Econômica Federal, cuja Carteira Hipotecária passou a dirigir a partir de 25 de novembro. Em dezembro do ano seguinte, foi eleito vice-presidente da instituição, e mais tarde presidente, em julho de 1939. Ele também se tornou membro do conselho e diretor da Companhia de Seguros Minas-Brasil. Após se tornar presidente da instituição, passou a integrar o Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais. Foi reeleito para o cargo em novembro de 1942, permanecendo até fevereiro de 1946.
Em uma convenção realizada em 8 de abril de 1945 para fundar a seção mineira do Partido Social Democrático (PSD), Carlos Luz foi eleito membro da comissão executiva estadual da agremiação, assim como 24 outros políticos, ligados a Vargas. Também foi aprovada a candidatura à presidência do então ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, que Luz fortemente apoiou. Carlos Luz foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte por Minas Gerais, obtendo 24 895 votos, mas não ocupou o cargo pois foi convidado por Dutra, que ganhou as eleições, para ocupar a pasta da Justiça do novo governo, sendo empossado em 31 de janeiro de 1946.
Uma das primeiras medidas de sua gestão como ministro da Justiça foi proibir os jogos de azar no país, sancionada pelo presidente Dutra em 30 de abril seguinte. Ainda no início do cargo, Carlos Luz foi acusado de criar "um clima de pressões e intimidações" que repercutiu na Assembleia. Dois dias após o começo da votação em plenário dos artigos e títulos da Constituição, em 15 de agosto, Carlos Luz mandou apreender edições do jornal comunista Tribuna Popular, do Rio de Janeiro, proibindo sua circulação até o fim do mês. Esta medida foi contestada por vários parlamentares.
No dia 23 de agosto, aproximando-se da votação do texto final da Constituição, foi proibida por Carlos Luz a realização de comícios em todo o Brasil. Comunistas denunciaram no fim do mês que uma manifestação de estudantes secundaristas, ocorrida no Rio, havia sido usada pela polícia e por forças políticas para criar um "clima de terror" e impedir a promulgação da nova Carta. Na noite do dia 30 do mesmo mês, diversas prisões foram realizadas, sendo em sua quase totalidade de dirigentes comunistas, à medida que parlamentares do PCB tinham suas moradias invadidas. No entanto, essas perturbações não impediram o início da votação da última parte da Constituição em 7 de setembro, as "Disposições transitórias", e a promulgação no dia 18.
Substituição e presidência da Câmara dos Deputados
Depois que a Constituição foi aprovada, Dutra modificou seu ministério, substituindo Carlos Luz por Benedito Costa Neto no dia 2 de outubro. Surgiram rumores de que Luz concorreria às eleições de 19 de janeiro de 1947 ao governo de Minas Gerais, mas retirou sua candidatura para apoiar o ex-presidente Venceslau Brás. Nas eleições suplementares para a Câmara dos Deputados realizadas no mesmo período, Carlos Luz foi o único candidato eleito pelo PSD, tomando posse em 17 de março de 1947. Tornou-se no mesmo ano diretor-presidente do Banco Ribeiro Junqueira.
Em 11 de novembro de 1949, o deputado João Café Filho afirmou na Câmara que a candidatura de Carlos Luz à presidência da casa estava sendo cogitada por algum grupo político de Minas, sendo confirmado cinco dias depois com a divulgação da lista de nomes que não sofreriam objeção por parte da "ala liberal" do PSD mineiro. Luz foi reeleito para dois mandatos sucessivos na Câmara dos Deputados: em 3 de outubro de 1950, com 17 663 votos e exercendo a função de relator do orçamento da Fazenda na Comissão de Finanças da Câmara, e em 3 de outubro de 1954, com 29 280 votos. No segundo mandato, foi empossado em 1º de fevereiro de 1955 e eleito presidente da Câmara no dia seguinte.