Carlos IV de França e I de Navarra (Clermont, 18/19 de junho de 1294 – Vincennes, 1 de fevereiro de 1328), também conhecido como Carlos, o Belo, foi o Rei da França como Carlos IV e Rei de Navarra como Carlos I de 1322 até sua morte. Era filho do rei Filipe IV de França e foi o último monarca capetiano "direto" da França.
Carlos passou a enfrentar a partir de 1323 uma revolta popular no Condado da Flandres, e no ano seguinte tentou sem sucesso ser eleito Sacro Imperador Romano-Germânico. O rei Eduardo II de Inglaterra era seu vassalo por também ser Duque da Aquitânia, porém estava relutante em prestar homenagem a outro rei. Carlos conquistou a Guiena em retaliação em conflito conhecido como a Guerra de Saint-Sardos. No acordo de paz, Eduardo concordou em jurar fidelidade ao rei francês e pagar uma multa. Em troca, o território foi devolvido a Inglaterra, porém reduzido.
Carlos casou-se três vezes mas nunca teve um herdeiro homem, assim a principal linhagem masculina da Casa de Capeto encerrou-se com sua morte. Ele foi sucedido em Navarra por sua sobrinha Joana II e na França por seu primo Filipe VI, porém a legitimidade contestada foi um dos fatores que levaram a Guerra dos Cem Anos.
Depois da invasão da Flandres em 1305, o seu pai concedeu Béthune, a primeira cidade a render-se, a Matilde, condessa de Artois e viúva de Otão IV, conde palatino da Borgonha. Para garantir a fidelidade desta, foi organizado o casamento das suas duas filhas, Joana e Branca, com os príncipes Filipe e Carlos, respectivamente, filhos do rei francês. O matrimónio de Carlos com Branca ocorreu em 1308.
Em Abril de 1314, ano em que recebeu o título de conde de la Marche em apanágio do seu pai, uma visita da sua irmã Isabel de França despoletou o caso da Torre de Nesle: Margarida da Borgonha, esposa do seu irmão Luís, e a sua esposa Branca da Borgonha foram acusadas de adultério.
Filipe de Aunay, amante de Margarida, e Gautério de Aunay, amante de Branca, foram julgados e condenados por crime de lesa-majestade. A 19 de Abril foram supliciados e executados em praça pública em Pontoise.
As duas princesas tiveram os seus cabelos rapados, um humilhante desfiguramento e marca física do seu crime de adultério. Vestidas de preto, foram aprisionadas nas masmorras de Les Andelys, de onde Branca só sairia depois de sete anos, obtendo autorização para tomar o hábito de religiosa. Ainda se tornaria rainha de França na prisão, a 21 de Fevereiro de 1322, até o seu casamento ser anulado a 19 de Maio pelo papa João XXII.
Carlos subiu ao trono depois da morte do seu irmão Filipe V de França, segundo a lei sálica, e foi sagrado em Reims a 21 de Fevereiro de 1322 pelo arcebispo Roberto de Courtenay, tal como o seu predecessor. Simultaneamente, herdou o reino de Navarra e o condado de Champanhe.
Tal o reinado do seu irmão mais velho Luís X de França, o seu também seria condicionado pelo escândalo da Torre de Nesle e pela vontade em se casar com uma rainha capaz de lhe dar um descendente para continuar a dinastia capetiana.
Encontrando o tesouro real vazio devido aos gastos dos reinados precedentes, Carlos aumentou os impostos. Puniu severamente e confiscou os bens dos banqueiros lombardos que tinham sido os credores do reino.
Foi igualmente rigoroso com os juízes e senhores que se tinham apropriado dos bens de particulares, sendo acusado de não só perseguir estes, como também outros nobres que não estavam no seu favor. Chegou mesmo a prender Girard de la Guette, superintendente das finanças de Filipe o Alto acusado de ter desviado 1 200 000 libras.
Carlos o Belo teve um grave conflito com o rei Eduardo II de Inglaterra por este se recusar a prestar-lhe o juramento de vassalagem a que era obrigado pelas suas possessões na França: o ducado de Guyenne e Ponthieu.
A partir de 1323, alguns senhores da Gasconha, apoiados pelos ingleses, fizeram incursões nos domínios do reino. Uma vez que estes gascões eram liderados por bastardos da nobreza, este conflito foi chamado de Guerra dos Bastardos.
Em 1325, o rei francês tomou os territórios ingleses no continente. Eduardo enviou a sua esposa Isabel de França para negociar com o irmão. Isabel acabou por organizar na França a deposição do rei inglês em favor do seu filho Eduardo III, em 1326-1327, e a instituição de uma regência da rainha mãe com Roger Mortimer, em nome do seu filho.
Carlos IV morreu de tuberculose a 1 de Fevereiro de 1328, em Vincennes, encerrando assim a linha dinástica directa que começou com Hugo Capeto. Foi sepultado com a sua terceira esposa, Joana de Évreux, na basílica de Saint-Denis.
Joana de Évreux estava grávida aquando da morte de Carlos IV. Tal como no caso do seu irmão Luís X, foi necessário aguardar o nascimento da criança para se saber se era varão e poderia continuar a dinastia capetiana. Entretanto o reino passou para a regência de Filipe de Valois. Ao nascer outra filha, a 1 de Abril de 1328, que não podia reinar devido à lei sálica, passaram a haver três pretendentes:
Eduardo III de Inglaterra, filho de Isabel de França, eliminado da sucessão porque, segundo uma interpretação mais alargada da lei sálica, as mulheres não só não podiam herdar o trono, como também não podiam transmitir este direito. Esta posição foi contestada pelo monarca inglês, o que foi uma das razões principais para a Guerra dos Cem Anos que se seguiu;
Filipe de Valois, regente, primo direito de Carlos IV e filho de Carlos de Valois;