Carlos Alberto Monteiro Dias da Graça (Lisboa, 22 de dezembro de 1931 - Lisboa, 17 de abril de 2013) foi um médico, político e escritor santomense.
Em sua trajetória política, destacou-se pelo envolvimento na luta pela independência santomense.
De família cabo-verdiana, Carlos Graça nasceu em Lisboa em 22 de dezembro de 1931. Formou-se em medicina pla Faculdade de Medicina de Lisboa, sendo um dos residentes da Casa dos Estudantes do Império.
Envolveu-se, em 1961, no Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP) em Librevile (Gabão). Participou da luta política pela libertação de São Tomé e Príncipe, tendo sido refundador do CLSTP como Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) em 1972 em Malabo na Guiné Equatorial.
Nos preparativos para a independência nacional, em 1974, assumiu a função de Ministro de Assuntos Sociais. Em 1975, tornou-se membro da Assembleia Constituinte. Após a independência de seu país, exerceu a função de Ministro da Saúde e dos Assuntos Sociais no primeiro governo até janeiro de 1977, quando demitiu-se por discordar da opção socialista tomada pelo partido MLSTP, exilando-se no Gabão. Neste país, foi médico particular do presidente conservador gabonês Omar Bongo.
Em 1978, sob seu comando a partir do Gabão, ocorreu uma tentativa de golpe de Estado em São Tomé e Príncipe levada a cabo principalmente por mercenários estrangeiros gaboneses e franceses. Em 1979, foi condenado, à revelia, a 24 anos de trabalho forçado por sua participação neste incidente.
Ainda no Gabão, em 1981 ajudou a fundar e em 1983 tornou-se presidente da Frente de Resistência Nacional de São Tomé e Príncipe (FRNSTP). Porém, em 1986, desfiliou-se da FRNSTP.
Reabilitado no país, voltou a São Tomé e Príncipe e exerceu entre 1988 a 1990 a função de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Curiosamente uma dissidência da FRNSTP, a FRNSTP-Renovada, tentou um golpe de Estado em 1988, enquanto Graça era membro do governo.
Em 1990 foi eleito secretário-geral do MLSTP, convertendo-o de um partido socialista em uma agremiação de orientação social-democrata, adotando o nome Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD).
Como resultado das eleições parlamentares de São Tomé e Príncipe de 1994, vencidas pelo MLSTP-PSD, tornou-se primeiro ministro, exercendo as funções de 1994 a 1996. Seu governo tornou-se possível após a formação de um governo de coligação entre o MLSTP-PSD e o Partido da Convergência Democrática (PCD-GR).
Nas eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe de 1996, candidatou-se a presidente sem o apoio do MLSTP-PSD e como independente, tendo sido derrotado, terminando em quarto lugar. Após a derrota afastou-se da política.
Participou do VII Congresso Internacional de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos, promovido pela União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos (UMEAL) em Lisboa, em setembro de 2010, pleiteando presidir o próximo congresso em São Tomé. Porém a saúde não o deixou cumprir o pleiteado, e o congresso foi transferido para Curitiba, Brasil.
Sua saúde debilitou-se mais, vindo a falecer em Lisboa a 17 de abril de 2013.
Pelo seu falecimento, a Assembleia de São Tomé e Príncipe aprovou voto de pesar.
O primeiro ministro Gabriel Costa assim se expressou a respeito:
O partido MLSTP-PSD, através de seu líder parlamentar Alcino Pinto, também se pronunciou:
Carlos Graça publicou as seguintes obras:
Ensaio sobre a condição humana - Instituto para a Democracia e o Desenvolvimento, 2004;