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Carlos Cardoso (jornalista)

Jornalista moçambicano (1951-2000)

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Carlos Cardoso (Beira, 1951 – Maputo, 22 de novembro de 2000) foi um jornalista moçambicano assassinado quando investigava um presumível caso de corrupção em um dos maiores bancos de Moçambique.

Iniciou a atividade jornalística em 1975, no semanário Tempo. Continuou na Rádio Moçambique e na Agência de Informação de Moçambique (AIM), onde foi diretor por dez anos. Durante vinte anos exerceu o jornalismo como uma forma de contribuir com o seu país.

O jornalista também dedicou-se às artes plásticas e realizou sua primeira exposição de pintura no ano de 1990, na cidade de Maputo, denominada "Os habitantes do forno".

Depois de vários anos trabalhando em órgãos de imprensa do Estado (os únicos que existiam em Moçambique até à abertura política), Cardoso foi membro fundador da primeira cooperativa de jornalistas, a Mediacoop, proprietária do semanário Savana e do diário Mediafax, em 1992. Em 1997, fundou o seu próprio diário, também distribuído por fax, o "Metical" que, tal como o nome indica (Metical é a moeda de Moçambique), era virado essencialmente para questões económicas.

Cardoso foi assassinado a tiros no centro de Maputo em 22 de novembro de 2000, enquanto investigava uma fraude de US$ 14 milhões relacionados à privatização do maior banco de Moçambique, o Banco Comercial de Moçambique. No julgamento de 2002 de seis suspeitos de assassinato, três deles descreveram Nyimpine Chissano, filho do presidente moçambicano Joaquim Chissano, como tendo pago o assassino de Cardoso por cheque. Aníbal dos Santos, cidadão português apontado como o mentor do assassinato de Cardoso, foi condenado à revelia em 2003, após fugir da prisão; e um novo julgamento em 2006 (após a segunda fuga de dos Santos) confirmou a sua sentença de 30 anos de prisão.

Nyimpine Chissano foi acusado de "coautoria moral" no assassinato de Cardoso e em diversos crimes económicos pelo Ministério Público moçambicano em maio de 2006. A Agência de Notícias de Moçambique noticiou, em 11 de maio de 2006, uma denúncia anónima de que um mandado de prisão contra Chissano havia sido revogado após a intervenção do ex-presidente e da sua esposa.

Aníbal dos Santos Júnior foi condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato, que ocorreu em 22 de novembro de 2000 . Além dele, outros indivíduos também foram condenados a penas entre 23 e 28 anos em 2003.

No entanto, um dos condenados, Nini Satar, foi libertado em outubro de 2025 após cumprir o remanescente de uma pena de 24 anos.

Até hoje, o governo de Moçambique não deu um pedido desculpas formais à família do jornalista Carlos Cardoso pela sua morte.

Fauvet, Paul e Marcelo Mosse. 2004. "É Proibido pôr Algemas nas Palavras - Uma Biografia de Carlos Cardoso". Editorial Caminho. Lisboa.

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