São Carlos Borromeu (Arona, 2 de outubro de 1538 – Milão, 3 de novembro de 1584) foi um Cardeal italiano e Arcebispo de Milão, sendo o primeiro bispo a fundar seminários para a formação dos futuros padres; promoveu sínodos diocesanos; abundou os escritos catequéticos e conhecimento da doutrina católica.
Era filho do Conde Gilberto Borromeo e de Margherita de Medici, irmã do Papa Pio IV (1559–1565), do qual era, portanto, sobrinho. Primo dos Cardeais Gianantonio Serbelloni (1560); Mark Sittich von Hohenems (1561); Guido Luca Ferrero (1565); e Federico Borromeo (1587). Tio do Cardeal Giberto Borromeo (1652). Outros cardeais da família foram: Federico Borromeo (1670); Giberto Bartolomeo Borromeo (1717); Vitaliano Borromeo (1766); e Edoardo Borromeo (1868).
Carlos recebeu ótima formação humana e cristã em Milão, com o padre Giacomo Merula. A partir de outubro de 1552, estudou na Universidade de Pavia, obtendo o doutorado in utroque iure, canônico e civil, em 6 de dezembro de 1559; estudou com Francesco Alciati, posteriormente cardeal. Recebeu o hábito clerical e a tonsura em Milão, do Bispo Giovanni Simonetta de Lodi, em 13 de outubro de 1547. Também foi Clérigo de Milão. Após a renúncia de seu tio Giulio Cesare Borromeo, tornou-se abade comendatário de São Felino e São Graziano em Arona, em 20 de novembro de 1547. Abade comendatário de São Silano di Romagnano, em 10 de maio de 1558. Prior comendatário de Santa Maria di Calvenzano, em 8 de dezembro de 1558.
Carlos foi convocado a Roma por seu tio, o novo papa, que logo o nomeou Protonotário apostólico participantium e referendário da corte papal, em 13 de janeiro de 1560. Naquele mês, ainda foi nomeado membro da counsulta para a administração dos Estados Papais, 22 de janeiro; abade comendatário de Nonatola; S. Gallo di Moggio; Serravalle ou della Follina; S. Stefano del Corno, perto de Milão; e de uma abadia em Portugal e outra na Flandres, 27 de janeiro.
Também em 1560, Borromeu foi criado cardeal-diácono no primeiro consistório de Pio IV, em 31 de janeiro; recebeu o barrete cardinalício e o diaconato de São Vito e São Modesto em 14 de fevereiro. Nomeado administrador da arquidiocese de Milão em 7 de fevereiro. Legado em Bolonha e Romandiola por dois anos, em 26 de abril. Optou pelo título de São Martinho dos Montes em 4 de setembro de 1560. Também foi nomeado supervisor dos Franciscanos, Carmelitas e Cavaleiros de Malta. Em 1561, Borromeu fundou e dotou um colégio em Pavia, hoje conhecido como Almo Collegio Borromeo, que dedicou a Santa Justina de Pádua.
Recebeu o subdiaconato e o diaconato em 21 de dezembro de 1560. Nomeado secretário de Estado em 1560. Governador de Civita Castellana antes de 1º de junho de 1561. Governador de Ancona em 1º de junho de 1561. Proclamado cidadão honorário de Roma em 1º de julho de 1561. Governador de Spoleto em 1º de dezembro de 1562.
Em 19 de novembro de 1562, seu irmão mais velho, Federico, morreu repentinamente. Sua família insistiu para que Borromeu buscasse permissão para retornar ao estado laico, casar-se e ter filhos para que o nome da família não se extinguisse, mas ele decidiu não abandonar o estado eclesiástico. A morte de seu irmão, juntamente com seus contatos com os jesuítas e os teatinos e o exemplo de bispos como Bartolomeu de Braga, foram as causas da conversão de Borromeu para uma vida cristã mais rigorosa e operante, e seu objetivo passou a ser colocar em prática a dignidade e os deveres do bispo, conforme delineados pelo recente Concílio de Trento.
Optou pela ordem dos cardeais presbíteros em 4 de junho de 1563. Cardeal Borromeu foi ordenado sacerdote em 4 de setembro de 1563, na basílica patriarcal Liberiana, pelo Cardeal Federico Cesi. Usou sua influência como secretário de Estado para reabrir o Concílio de Trento e participou de suas sessões, 1562-1563; no consistório de 26 de janeiro de 1564, o papa confirmou os decretos do concílio. Príncipe de Orta, 1563. Membro do Santo Ofício.
Durante os seus quatro anos em Roma, Borromeu viveu em austeridade, obrigou a Cúria Romana a usar preto e estabeleceu uma academia de pessoas eruditas, a Academia dos Cavaleiros Vaticanos, publicando as suas memórias como Noctes Vaticanae.
Recebeu a consagração episcopal em 7 de dezembro de 1563, na Capela Sistina, Vaticano, pelo Cardeal Gianantonio Serbelloni, assistido por Tolomeo Gallio, arcebispo de Manfredonia, e por Felice Tiranni. Presidente da comissão de teólogos encarregada pelo papa, no final de 1563, da elaboração do Catecismo Romano; ao mesmo tempo, também trabalhou na revisão do Missal e do Breviário e foi membro de uma comissão para a reforma da música sacra.
Preconizado arcebispo de Milão em 12 de maio de 1564, depois que o antigo arcebispo Ippolito II d'Este renunciou às suas pretensões ao arcebispado, mas só foi autorizado pelo papa a deixar Roma um ano depois. Borromeu fez sua entrada formal em Milão como arcebispo em 23 de setembro de 1565.
Governador de Terracina em 3 de junho de 1564. Arquipreste da basílica patriarcal da Libéria, em outubro de 1564. Optou pelo título de São Prassede em 17 de novembro de 1564. Conde Palatino em 1564. Prefeito da Sagrada Congregação do Concílio Tridentino de 1564 até setembro de 1565. Legado em Bolonha, Romandiola, em 17 de agosto de 1565. Legado a latere e vigário geral em assuntos espirituais para toda a Itália em 17 de agosto de 1565. Penitenciário-mor de 7 de novembro de 1565 até 12 de dezembro de 1572.
Borromeo também esteve envolvido em assuntos ingleses quando auxiliou Pio IV. Muitos católicos ingleses fugiram para a Itália nessa época por causa das perseguições sob a rainha Elizabeth I, e o cardeal prestou assistência pastoral a esses católicos ingleses.
Após a morte de seu tio, Pio IV (1566), Borromeu enviou uma galera para buscar o Cardeal Ugo Boncompagni, o Núncio na Espanha, mas ele não chegou a tempo de ser considerado no conclave. Borromeu então chegou a um acordo com Alessandro Farnese, que tinha um número significativo de votos, para apoiar Antonio Ghislieri, que era alvo de rumores de ter o apoio de Filipe II da Espanha. Ghislieri foi eleito e adotou o nome de Pio V. Cardeal Borromou precisou deixar o conclave por motivo de doença, mas pediu ao novo papa que adotasse o nome de Pio.
Antes de Borromeo ir para Milão, enquanto supervisionava a reforma em Roma, um nobre observou que esta última cidade já não era um lugar para se divertir ou fazer fortuna. "Carlo Borromeo empreendeu refazer a cidade de cima a baixo", disse ele, prevendo que o entusiasmo do reformador "o levaria a corrigir o resto do mundo assim que terminasse com Roma".
Posteriormente, dedicou-se à reforma de sua diocese, que havia se deteriorado na prática devido à ausência de arcebispos anteriores durante 80 anos. Milão era a maior arquidiocese da Itália na época, com mais de 3.000 clérigos e 800.000 pessoas. Tanto o clero quanto os leigos haviam se afastado dos ensinamentos da Igreja. A venda de indulgências e cargos eclesiásticos era comum; os mosteiros estavam "cheios de desordem"; muitos religiosos eram "preguiçosos, ignorantes e depravados". O cardeal-arcebispo fez numerosas visitas pastorais e restaurou a dignidade do serviço divino. Ele insistiu para que as igrejas fossem projetadas em conformidade com os decretos do Concílio de Trento, que declarava que a arte e a arquitetura sacras sem fundamento bíblico adequado eram, na prática, proibidas, assim como qualquer inclusão de elementos pagãos clássicos na arte religiosa. Ele dividiu a nave da igreja em dois compartimentos para separar os sexos durante o culto.
Borromeu acreditava que os abusos na Igreja surgiam da ignorância do clero. Entre suas ações mais importantes, estabeleceu seminários, faculdades e comunidades para a formação de candidatos às ordens sagradas. Sua ênfase no aprendizado católico aumentou consideravelmente a preparação de homens para o sacerdócio e beneficiou suas congregações. Além disso, ele fundou a fraternidade dos Oblatos de Santo Ambrósio, uma sociedade de homens seculares que não recebiam ordens, mas se dedicavam à Igreja e seguiam uma disciplina de orações e estudos monásticos. Eles prestavam auxílio às paróquias quando solicitados.