Carlos, o Gordo (Carlos Branco) (13 de junho de 839 – Donaueschingen, 13 de janeiro de 888), também conhecido como Carlos III, foi o Imperador dos Romanos de 881 até sua morte, além de reinar sobre a Frância Oriental, a Frância Ocidental e sobre a Itália. Era o filho mais novo de Luís, o Germânico e Ema da Baviera, e bisneto de Carlos Magno, sendo o último carolíngio a reinar sobre um império unificado.
Durante sua vida, Carlos tornou-se o governante de vários reinos do antigo império de Carlos Magno. Recebeu em 876 o senhorio da Alemania após a divisão da Frância Oriental, sucedendo ao trono italiano após a abdicação de seu irmão Carlomano, que fora incapacitado por um derrame. Foi coroado imperador em 881 pelo papa João VIII, sucedendo seu irmão Luís III na Saxônia e Baviera um ano depois, reunificando a Frância Oriental. Com a morte de seu primo Carlomano II em 884, ele herdou toda a Frância Ocidental, reunificando o Império Carolíngio.
O império não durou muito. Um golpe de estado liderado por seu sobrinho Arnulfo da Caríntia em novembro de 887 depôs Carlos na Frância Oriental, Lotaríngia e Itália. Foi forçado a se isolar e morreu de causas naturais em janeiro de 888. O império rapidamente caiu depois de sua morte, nunca sendo restaurado e se dividindo em cinco reinos.
Carlos era o mais novo dos três filhos de Luís, o Germânico, primeiro rei da Frância Oriental, e Ema da casa de Gelfo. Um incidente de possessão demoníaca é recordado na sua juventude, em que se dizia que ele estava espumando pela boca antes de ser levado ao altar da igreja. Isso afetou muito o pai e a si mesmo. Ele foi descrito como: "... um príncipe muito cristão, temente a Deus, com todo o coração guardando os Seus mandamentos, obedecendo com muita devoção às ordens da Igreja, generoso de esmolas, praticando incessantemente oração e cânticos, sempre com a intenção de celebrar os louvores de Deus."
Em 859, Carlos foi feito Conde da Brisgóvia, uma marca Alemânica que limita o sul de Lotaríngia. Em 863, seu irmão mais velho rebelde Carlomano se revoltou contra seu pai. No ano seguinte, Luís, o Jovem seguiu Carlomano na revolta e Carlos se juntou a ele. Carlomano recebeu o domínio do Ducado da Baviera. Em 865, o ancião Luís foi forçado a dividir as suas terras restantes entre seus herdeiros: o Ducado da Saxônia (com o Ducado da Francônia e o Ducado da Turíngia) foi para Luís; a Alemânia (Ducado da Suábia com Récia) foi para Carlos. A Lotaríngia foi dividida entre os dois jovens.
Quando em 875 o imperador Luís II, que também era rei da Itália, morreu tendo concordado com Luís, o Germânico, que Carlomano o sucederia na Itália, Carlos, o Calvo da França Ocidental, invadiu a península e se coroou rei e imperador. Luís, o Germânico, enviou primeiro Carlos e depois o próprio Carlomano, com exércitos contendo forças italianas sob Berengário de Friul, seu primo, para o reino italiano. Essas guerras, no entanto, não tiveram sucesso até a morte de Carlos, o Calvo, em 877.
Em 876, Luis, o Germânico, morreu e a herança foi dividida como planeado após uma conferência em Ries, embora Carlos tenha recebido menos de sua parte da Lotaríngia do que o planeado. Nas suas cartas, o reinado de Carlos na Germânia é datado desde a sua herança em 876.
Os três irmãos governaram em cooperação e evitaram guerras pela divisão de seu património: uma ocorrência rara no início da Idade Média. Em 877, Carlomano finalmente herdou a Itália de seu tio, Carlos, o Calvo. Luís dividiu Lotaríngia e ofereceu um terço a Carlomano e um terço a Carlos. Em 878, Carlomano devolveu a sua Lotaríngia para Luis, que então dividiu-a igualmente com Carlos. Em 879, Carlomano ficou incapacitado por um derrame e dividiu seus domínios entre seus irmãos: a Baviera foi para Luís e a Itália para Carlos. Carlos datou seu reinado em Italia a partir deste ponto, e desde então ele passou a maior parte do seu reinado até 886 em seu reino italiano.
Em 880, Carlos juntou-se a Luís III da França e Carlomano II, os reis conjuntos da França Ocidental, num cerco fracassado de Bosco da Provença em Viena, de agosto a setembro. A Provença, legalmente parte do reino italiano desde 863, rebelou-se sob Bosão. Em agosto de 882, Carlos envia Ricardo, Duque de Borgonha, Conde de Autun, para tomar a cidade, o que ele finalmente fez em setembro. Depois disso, Bosão ficou restrito a Viena.
A 18 de julho de 880, o papa João VIII enviou uma carta a Guido II de Espoleto em busca de paz, mas o duque ignorou-o e invadiu os Estados Papais. João respondeu implorando a ajuda de Carlos na sua capacidade como rei de Itália e coroou Carlos Imperador em 12 de fevereiro de 881.Isto foi acompanhado pela esperança de um renascimento da Euopa Ocidental, mas Carlos fez pouco para ajudar Guido II. Cartas papais de novembro ainda estavam pedindo ação a Carlos.
Como imperador, Carlos iniciou a construção de um palácio em Sélestat, na Alsácia. Ele modelou-o a partir do Palácio em Aachen que foi construído por Carlos Magno, a quem ele conscientemente procurou imitar, como indicado pelo Gesta Karoli Magni de Notker, o Gago. Como Aachen estava localizada no reino de seu irmão, era necessário que Carlos construísse um novo palácio para a sua corte na sua base de poder na Alemânia ocidental. Sélestat estava também mais centralmente localizada do que Aachen.
Em fevereiro de 882, Carlos convocou uma dieta em Ravena. O duque, o imperador e o papa fizeram as pazes e Guido e seu tio, Guido de Camerino, prometeram devolver as terras papais. Numa carta de março para Carlos, João afirmou que os votos não foram cumpridos. Em 883, Guido, agora Duque de Espoleto, foi acusado de traição num sínodo imperial realizado em Nonantula no final de maio. Ele voltou a Espoleto e fez uma aliança com os sarracenos. Charles enviou Berengário contra Guido do Espoleto. Berengário foi inicialmente bem-sucedido até que uma epidemia de doenças, que assolou toda a Itália, afetou o imperador e a sua comitiva, bem como o exército de Berengário, forçando-o a retirar.
Em 883, Carlos assinou um tratado com Giovanni II Participazio, Doge de Veneza, concedendo que qualquer assassino de um doge que fugisse para o território do Império seria multado em 100 libras de ouro e banido.
No início dos anos 880, os remanescentes do Grande Exército Pagão, derrotados por Alfredo, o Grande, na Batalha de Ethandun, em 878, começaram a se estabelecer nos Países Baixos. O irmão de Carlos, Luis, o Jovem opôs-se a eles com algum sucesso, mas ele morreu depois de uma curta campanha a 20 de janeiro de 882, deixando o seu trono para Carlos, que reuniu todo o reino franco do leste.
Depois de voltar da Itália, Carlos realizou uma assembleia em Worms com o objetivo de lidar com os vikings. Exércitos de toda a França Oriental foram reunidos no verão sob Arnulfo, duque da Caríntia, e Henrique, conde da Saxônia. O acampamento chefe dos Vikings foi então sitiado em Asselt. Carlos então abriu negociações com os chefes vikings Godofredo e Siguefredo. Godofredo aceitou o cristianismo e tornou-se vassalo de Carlos. Ele era casado com Gisela, filha de Lotário II da Lotaríngia. Siguefredo foi subornado. Apesar das insinuações de alguns historiadores modernos, nenhum relato contemporâneo criticou as ações de Carlos durante essa campanha. Em 885, temendo Godefredo e seu cunhado, Hugo, duque da Alsácia, Carlos arranjou uma conferência em Spijk, perto de Lobith, onde o líder viking caiu na sua armadilha. Godofredo foi executado, e Hugo foi cego e enviado para Prüm.
De 882 a 884, a Guerra Guilherminense englobou a Marca da Panônia (mais tarde, marca da Áustria). Arnulfo da Caríntia, o sobrinho ilegítimo de Carlos, fez aliança com o rebelde Engelschalk II contra Aribo da Áustria, nomeado por Carlos mangrave da região. Svatopluk I, governante da Grande Morávia, concordou em ajudar Aribo e em 884 em Kaumberg fez um juramento de fidelidade a Carlos. Embora o imperador tenha perdido seus vassalos da família Wilhelminer e seu relacionamento com o sobrinho tenha sido quebrado, ele ganhou poderosos novos aliados no dux da Morávia e outros duces eslavos da região.