Carla Zambelli Salgado de Oliveira (Ribeirão Preto, 3 de julho de 1980) é uma política brasileira, filiada ao Partido Liberal (PL). Também tem nacionalidade italiana. Foi deputada federal por São Paulo de 1 de fevereiro de 2019 até 14 de dezembro de 2025, quando a Câmara dos Deputados anunciou que ela havia renunciado ao mandato parlamentar.
Obteve notoriedade por integrar o grupo feminista Femen no início dos anos 2010 e, depois, por sua participação no movimento conservador e de direita no Brasil, tendo sido uma das fundadoras do Movimento Nas Ruas, que organizou protestos contra o governo Dilma Rousseff em 2015 e 2016. Nas eleições de 2018, elegeu-se deputada federal por São Paulo, sendo reeleita em 2022.
Foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal, em maio de 2025, à pena de dez anos de reclusão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, em razão de haver inserido dados falsos no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Também em agosto de 2025 recebeu a pena de cinco anos e três meses de reclusão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo por haver, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, perseguido armada um apoiador do candidato Luiz Inácio Lula da Silva na rua nos Jardins. Em junho de 2025, cerca de vinte dias após a primeira condenação, Zambelli fugiu do território brasileiro e foi presa na Itália em 2 de julho. A Justiça brasileira solicitou à Justiça italiana a sua extradição. A suprema corte italiana negou o pedido e a libertou da prisão no ano seguinte.
Carla alega não ter, atualmente, ligação alguma com o grupo Femen, embora tenha participado de protestos do grupo e sido identificada como fundadora e porta-voz do coletivo em reportagem da época, ou mesmo ser feminista, inclusive explicando que a confusão se deve ao fato de Sara Giromini, com quem ali ela protestava, ser do grupo e não ter esclarecido os pontos que o movimento radical defendia, causando um rompimento das partes que só viria a ser restabelecido quando Sara passasse a defender pautas mais conservadoras e da direita. Começou a trabalhar como gerente de projetos na empresa KPMG Consultoria em 2015, ano em que o movimento Nas Ruas ganhou notoriedade por causa dos protestos contra a presidente Dilma Rousseff, tornando-se conhecida do grande público a partir das redes sociais e passando a transitar mais pela Câmara dos Deputados.
Ao longo de sua militância, se envolveu em alguns momentos conturbados.
Em julho de 2016, o ministro do Supremo Ricardo Lewandowski se irritou com um boneco inflável gigante que fazia referência a ele, durante protesto organizado pelo grupo Nas Ruas. O Supremo Tribunal Federal enviou ofício ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pedindo que providências fossem tomadas contra os responsáveis pelo ato, citando Carla como suposta líder da manifestação.
Em junho de 2017, Carla se envolveu em um conflito com Paulo Pimenta (PT-RS) ao acusá-lo de roubo. O vídeo em que o petista lhe dá voz de prisão foi publicado nas redes pela própria ativista, que chegou a ser encaminhada para a delegacia do Congresso. O deputado petista, contudo, não formalizou nenhuma queixa contra ela.
Zambelli tem um perfil alinhado à direita, sendo liberal na economia e conservadora nos costumes. Em 2017 se declarou monarquista, após conversas com membros da família imperial. É contra a política de cotas, exceto para pessoas com deficiência.
Nas eleições de 2018, foi eleita deputada federal pelo PSL. Afirmou que sua linha de atuação na Câmara dos Deputados continuaria sendo o combate à corrupção. De acordo com Zambelli, isso seria feito por meio de três pilares: "menos Estado, mais justiça e educação de verdade".
Em 2019, foi convidada a viajar à China, a fim de conhecer o novo sistema de reconhecimento facial produzido pelos chineses.
No dia 25 de agosto de 2022, foi eleita melhor deputada pelo público na categoria "Melhores na Câmara", no prêmio Congresso em Foco.
Em 2 de outubro de 2022, foi reeleita deputada federal, sendo a segunda mais votada do estado de São Paulo e a terceira mais votada do país.
Em 13 de dezembro de 2024, o TRE-SP formou maioria para cassar e declarar Zambelli inelegível, devido a desinformação eleitoral no contexto da eleição de 2022. Com placar de 4 a 0, o julgamento foi suspenso devido a um pedido de vista. Independente do resultado no TRE, cabe recurso ao TSE, e os eventuais efeitos da decisão só passam a ser válidos após o esgotamento dos recursos. A ação de investigação judicial eleitoral foi movida pela deputada federal Sâmia Bomfim. Se condenada ao final, Zambelli perde o mandato e fica inelegível por oito anos, contados a partir do ano do pleito de 2022.
Em 16 de dezembro de 2024, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) apresentou no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados um pedido de cassação do mandato de Zambelli por quebra de decoro parlamentar. O novo pedido mira no suposto envolvimento dela nos "planos de golpe de Estado", investigados pela Polícia Federal. O documento, assinado pela presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, e pela bancada federal do partido, aponta que a parlamentar teria participado do plano envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e membros das Forças Armadas. A representação justifica o pedido com a informação revelada pela Polícia Federal de que Zambelli pressionou o então comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, para que ele aderisse ao suposto plano golpista.
Em 2018, a associação Brasil nas Ruas, presidida por Zambelli, foi processada por danos morais ao publicar fake news insinuando que o Deputado Jean Wyllys cometia crime de pedofilia. Após ser condenada a pagar R$ 40 mil reais, a deputada recém-eleita afirmou que o valor seria pago com crowdfunding de seus eleitores, pois ela já tinha destino para seu novo salário de deputada.
Ingresso do filho em Colégio Militar
Em setembro de 2019, a revista Veja divulgou que o filho de Carla Zambelli foi matriculado no ensino fundamental do Colégio Militar de Brasília sem passar pelo processo tradicional da seleção de candidatos. Nas redes sociais, a deputada negou irregularidades e relatou que seu filho de 11 anos vinha sofrendo ameaças em São Paulo e que ele estaria seguro ingressando em uma escola militarizada.
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