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Carapicuíba

Município brasileiro do estado de São Paulo

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Carapicuíba é um município no estado de São Paulo, Brasil, e faz parte da Região Metropolitana de São Paulo. Fundada pelo padre José de Anchieta por volta de 1580, Carapicuíba era uma das doze aldeias jesuíticas criadas com o objetivo de catequizar os povos originários da região de São Paulo.

A cidade recebeu a Estrada de Ferro Sorocabana em 1875 e desempenhou um papel importante no abastecimento de carne para a capital paulista. A Estação General Miguel Costa, que hoje existe no local, era utilizada para o desembarque de gado destinado ao matadouro.

Ainda no século XIX, o Barão de Iguape adquiriu terras na região e a batizou de Fazenda Carapicuíba. Posteriormente, em 1923, a fazenda foi vendida para Delfino Cerqueira, que contratou uma empresa para lotear os terrenos e construir ruas. Na década de 1930, o povoado começou a se desenvolver, impulsionado pelas condições climáticas favoráveis e pelos solos propícios para o cultivo de diversos alimentos, como batatas, cereais, legumes e hortaliças.

Naquela época, aproximadamente 60 famílias japonesas arrendavam parte das terras, trabalhando em cooperação por meio da Cooperativa Agrícola de Cotia.Na década de 1950, Carapicuíba recebeu imigrantes russos, poloneses e ucranianos. Já em 1965, Carapicuíba tornou-se um município independente de Barueri, acolhendo imigrantes de diversos estados da Região Nordeste do Brasil.

Carapicuíba é o segundo município mais populoso na Microrregião de Osasco, e faz divisa com Osasco, Barueri, Cotia e Jandira. Localizada na Zona Oeste da Grande São Paulo, conforme definido pela lei estadual nº 1.139 de 16 de junho de 2011, e pelo Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI), a cidade é composta pela área central e pelos distritos da Aldeia de Carapicuíba e da Vila Dirce. Sua localização estratégica entre o Rodoanel Mário Covas, a Rodovia Castelo Branco e a Rodovia Raposo Tavares torna o município um ponto logístico importante para o transporte de pessoas e mercadorias na região. Além disso, Carapicuíba possui um heliporto, o que contribui para sua acessibilidade.

O nome "Carapicuíba" tem origem na língua tupi ou na língua geral meridional. Porém seu significado ainda é controverso. O tupinólogo Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), oferece três explicações:

"peziza (um tipo de cogumelo) mau (para comer)" (karapuku, peziza + aíb, mau + a, sufixo)

"carapicus (uma espécie de peixe) podres (para comer)" (akará, acará + puku, comprido + aíb, mau + a, sufixo)

"pé de carapicu (uma espécie de arbusto) (carapicu, carapicu + ' yba, pé)

Pode significara ainda "aquele que se resolve em poços": derivado de Quar-I-Picui-Bae, que era o nome dado pelos índios ao ribeirão que, cortando a cidade, faz divisa com Osasco e que delimita uma das divisas entre as cidades de Osasco e Cotia, na altura do quilômetro 20 da Rodovia Raposo Tavares.[carece de fontes?]

Após a fundação de São Paulo em 25 de janeiro de 1554, os padres jesuítas liderados por José de Anchieta criaram doze aldeamentos no entorno de São Paulo, para catequização dos índios. Um desses aldeamentos foi batizado Aldeia de Carapicuyba e foi fundado em 12 de outubro de 1580 pelos padres e pelo capitão-mor Jerônimo Leitão a quem foi concedida a sesmaria de Carapicuyba. Após a chegada dos jesuítas, colonos portugueses se instalaram na região, como Afonso Sardinha, o velho (??-1618), Susana Dias (1553-1634) e seu filho André Fernandes que fundaram a vila de Parnaíba. A convivência entre os jesuítas e os fazendeiros era difícil, com registro de conflitos frequentes. Em ata de 18 de junho de 1633, a Câmara Municipal de São Paulo registrou um desses conflitos (nas aldeias de Cuty e Caraquapicuyba), onde fazendeiros acusavam os padres jesuítas de invadirem suas terras.

Inicialmente vinculada à Vila de São Paulo de Piratininga, as terras de Carapicuíba acabaram divididas pelas vilas de Parnaíba (1625) e Cotia (1856). Após a abertura do caminho real de Itu no século XVII, o aldeamento passou a experimentar algum desenvolvimento, com a ampliação de sua estrutura. Isso atraiu a elite política a adquirir terras na região. Em 1828 o 1º barão de Iguape Antônio da Silva Prado adquriu uma fazenda nos arredores da aldeia e batizou “Carapicuyba”.

Carapicuíba manteve-se estagnada, experimentando um lento desenvolvimento a partir da chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana à região em 1875.

Com o crescimento de São Paulo, ocorreu uma crise de abastecimento de alimentos na cidade. O principal alimento que faltava na cidade era a carne bovina, sendo que o único matadouro municipal (localizado em Vila Mariana) encontrava-se sobrecarregado. Assim, na década de 1910, alguns políticos e fazendeiros liderados pelo coronel Delfino Cerqueira (?/-1936) propuseram a criação de um novo matadouro em terras localizadas no quilômetro 21 da linha tronco da Estrada de Ferro Sorocabana (divisa do distrito de Osasco com a cidade de Santana de Parnaíba). Com a aprovação do projeto, o coronel Cerqueira adquiriu a Fazenda Carapicuyba em 1923. Uma grande extensão de terras da fazenda (onde hoje ficam os prédios da Cohab) foi utilizada como pasto para abastecimento do matadouro. A implantação do Matadouro forçou a Sorocabana a investir em um grande programa de modernização de suas linhas para garantir a ampliação segura do tráfego ferroviário. Durante a década de 1920, o trecho inicial da Linha tronco foi retificado entre São Paulo e Sorocaba. Para a realização das obras, vários acampamentos foram criados às margens da estrada. Um desses acampamentos foi implantado no Quilômetro 23, em terras do coronel Cerqueira. Ao redor do acampamento, a Sorocabana implantou entre 1921 e 1923 um posto telegráfico e uma vila ferroviária para atender ao crescente número de funcionários da empresa. Isso incentivou os proprietários de terras ao redor do posto do Quilômetro 23 a iniciar um loteamento. O coronel Cerqueira e o deputado Sílvio de Campos (irmão do governador do estado Carlos de Campos) lançaram em 1927 o loteamento de Vila Silvânia (em homenagem ao deputado). Ao mesmo tempo, a Sorocabana elevou o posto do quilômetro 23 ao nível de estação e inaugurou uma nova edificação. Por menos de um ano a estação foi chamada de Silvânia até ser rebatizada Carapicuíba.

Ainda na década de 1920 uma sociedade filantrópica adquiriu terras no quilômetro 24 da linha tronco da Sorocabana para implantar um hospital e asilo de recolhimento para pessoas portadoras de hanseníase e suas famílias. Com contribuição da alta sociedade paulista, o Asylo Santa Terezinha foi aberto em 25 de agosto de 1923. Até o final da década, suas instalações foram concluídas. A abertura do asilo ocorreu ao mesmo tempo em que a Estrada Velha de Itu (que atravessava o centro de Carapicuíba) recebeu pavimentação e foi transformada em estrada, sendo inaugurada em 1 de maio de 1922 pelo presidente do estado Washington Luis.

A morte do coronel Cerqueira em 1936 forçou seus herdeiros a realizarem novos loteamentos de suas terras e, assim, surgiu a Vila Anita Caldas na década de 1940. Em 1948, o distrito de Barueri (incluindo o sub-distrito de Carapicuíba) foi emancipado de Santana de Parnaíba. Dessa forma, Carapicuíba foi elevada a distrito de Barueri no ano seguinte.

Durante o processo de emancipação de Barueri, Carapicuíba contribuiu por possuir mais moradores que a primeira. Em 1950 Barueri possuía 4499 moradores contra 5948 de Carapicuíba. Dessa maneira, a população de Carapicuíba conseguiu eleger vários vereadores para a recém-criada Câmara Municipal de Barueri. Apesar de possuir maior população e eleger até mesmo prefeitos em Barueri como João Acácio de Almeida e Carlos Caprioti, Carapicuíba acabou preterida em investimentos por Barueri. Isso fez surgir uma insatisfação crescente na população do distrito de Carapicuíba, fomentando os primeiros desejos emancipacionistas na década de 1950.

Inspirados pelo movimento emancipacionista de Osasco, que se iniciou em 1953, políticos como João Acácio de Almeida (ex-prefeito de Barueri), Antonio Faustino dos Santos (vereador em Barueri), entre outros, lançaram o movimento de emancipação de Carapicuíba. Barueri tentou impedir, porém um plebiscito com os moradores do distrito de Carapicuíba foi marcado para 9 de dezembro de 1963.

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