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Carangola

Município brasileiro do estado de Minas Gerais

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Carangola é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Ocupa uma área de 353,404 km² e sua população em 2022 foi recenseada em 31 240 habitantes. O município é cortado pelas rodovias BR-482, MG-111 e MG-265 e está a 357 km de Belo Horizonte.

Carangola localiza-se na Zona da Mata mineira, em uma área de contato entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A ocupação da região ocorreu relativamente tarde em comparação a outras partes de Minas, principalmente porque o território integrava as chamadas “áreas proibidas” do período colonial, zonas controladas pela Coroa Portuguesa para impedir o contrabando de ouro. A partir da primeira metade do século XIX, a procura por novas jazidas auríferas atraiu colonizadores para a região. Como a exploração mineral não apresentou resultados expressivos, a agricultura passou a ocupar papel central no desenvolvimento regional, inicialmente com produções de subsistência e, posteriormente, com a expansão da cafeicultura, atividade que transformou profundamente a economia local.

Antes da ocupação colonial permanente, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados. A expansão das fazendas ao longo das décadas de 1840 e 1850 provocou intensos processos de desmatamento nas margens do rio Carangola, especialmente na área correspondente ao atual núcleo urbano. Diferentemente de muitas cidades mineiras, Carangola não teve um fundador único. Sua formação resultou da atuação simultânea de diversos proprietários rurais estabelecidos nos arredores da região durante o avanço da ocupação agrícola.

A formação do povoado não esteve associada a um único fundador. O núcleo urbano surgiu gradualmente a partir da instalação de grandes fazendas nos arredores durante a década de 1840. Nesse período ocorreu a derrubada de parte significativa da mata original existente nas margens do rio Carangola. Antes da ocupação colonial, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados.

O nome “Carangola” deriva do rio homônimo, cuja denominação já aparecia em mapas da Capitania de Minas Gerais elaborados no século XVIII, antes mesmo da presença permanente de colonizadores brancos na região. Há registros de que João Fernandes de Lannes teria passado pela área em 1805, chegando a acampar onde hoje se localiza a Praça Coronel Maximiano, embora não tenha permanecido definitivamente no local. Nesse período inicial, os contatos entre colonizadores e indígenas ocorreram de maneira relativamente pacífica, especialmente em atividades ligadas à extração da poaia, planta medicinal bastante valorizada comercialmente no interior fluminense. Apesar de diversas hipóteses propostas ao longo do tempo, a origem exata do nome permanece sem explicação definitiva.

Entre os primeiros que chegaram na da região destacam-se Antônio Dutra de Carvalho, conhecido como Coronel Dutrão, que tomou posse de sesmarias na região do Caparaó a partir de 1822, além do Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima e do Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro, responsáveis pela expansão da ocupação em áreas vizinhas. Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima ocupou cerca de 800 alqueires na região do Papagaio, estabelecendo sua base no local posteriormente conhecido como Córrego dos Freitas. Em 1833, o Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro liderou o a chegada na região de Divino, enquanto José de Lannes Dantas Brandão avançou sobre áreas localizadas entre os rios Carangola e São Mateus, em direção às atuais regiões de Porciúncula e Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro.

Os primeiros proprietários identificados das terras onde posteriormente se desenvolveu a área urbana de Carangola foram Francisco Pereira de Souza e Marciano Pereira de Souza. Um dos marcos políticos iniciais do povoado ocorreu em 2 de novembro de 1856, data da realização da primeira eleição voltada aos chamados “eleitores especiais”. Pouco depois, em 7 de outubro de 1857, foi benzida a primeira capela da localidade, dedicada a Nossa Senhora do Rosário e construída por Francisco de Souza Romano.

A disposição das ruas centrais da cidade surgiu a partir da doação de terrenos à Igreja para a formação do patrimônio religioso e do Largo da Matriz. Carangola tornou-se Distrito de Paz em 1860, freguesia em 1866 e município autônomo em 1878, desmembrando-se de Muriaé.

Em 1881, sua sede recebeu oficialmente a categoria de cidade. Já em 1882 ocorreu a instalação do primeiro governo municipal. Originalmente, o município possuía território muito mais amplo, abrangendo áreas que posteriormente dariam origem a diversas cidades da região, como Tombos, Espera Feliz, Divino e São Francisco do Glória. A vida religiosa teve grande importância no desenvolvimento local. A paróquia de Santa Luzia consolidou-se ao longo do século XIX, recebendo posteriormente congregações religiosas católicas responsáveis por atividades educacionais, assistenciais e hospitalares.

Ao longo do século XX, diferentes denominações evangélicas também passaram a se estabelecer na cidade. O desenvolvimento econômico de Carangola esteve profundamente ligado à expansão da cafeicultura. A introdução do café ocorreu ainda em 1848 e, no auge da produção, o município chegou a exportar cerca de 100 mil sacas anuais. A importância econômica da região foi tão expressiva que Carangola chegou a possuir uma das maiores arrecadações fiscais de Minas Gerais.

A chegada da ferrovia em 1887 impulsionou intensamente o crescimento urbano e comercial da cidade, estabelecendo ligação direta com o Rio de Janeiro. Durante décadas, Carangola tornou-se um importante centro regional de comércio e circulação de mercadorias.

Além da agricultura, o município também desenvolveu experiências industriais importantes no início do século XX, incluindo a instalação da primeira fábrica de isoladores de porcelana da América do Sul e oficinas metalúrgicas voltadas à fabricação de equipamentos mecânicos.

Em 6 de janeiro de 1859, uma reunião presidida pelo padre Antônio Bento Machado, vigário da freguesia de Tombos, definiu a construção da futura matriz de Santa Luzia. A organização urbana do povoado passou então a seguir exigências típicas da época para formação de freguesias, incluindo a criação de um patrimônio religioso e a abertura do Largo da Matriz diante da igreja principal. Para viabilizar esse processo, José Moreira Carneiro, português natural de Funchal, na Ilha da Madeira, e seu sogro Manoel José da Silva Novaes adquiriram de Francisco de Souza Romano a área necessária para doação à Mitra Diocesana de Mariana. A partir dessa doação surgiu a configuração inicial das ruas centrais da cidade.

A estrutura administrativa de Carangola passou por sucessivas transformações ao longo dos séculos XIX e XX. Em 1860 foi criado o distrito policial de Santa Luzia do Carangola. Em 1866 a localidade tornou-se distrito oficialmente subordinado a São Paulo do Muriaé. Em 1878 foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Muriaé e incorporando inicialmente os distritos de São Francisco do Glória e Tombos do Carangola. Já em 1881, Carangola recebeu oficialmente o título de cidade.

Nas décadas seguintes, o município expandiu significativamente seu território administrativo, incorporando áreas que posteriormente dariam origem a diversos municípios da região. Entre o final do século XIX e o início do século XX foram criados ou incorporados distritos como São Mateus, São Sebastião da Barra, Divino Espírito Santo do Carangola, Alto Carangola, Alvorada e São João do Rio Preto. Em determinados períodos o município chegou a possuir sete ou oito distritos simultaneamente, enquanto atualmente mantém os distritos de Carangola, Alvorada, Lacerdinha e Ponte Alta de Minas. Essas sucessivas mudanças refletem o papel histórico de Carangola como um dos principais núcleos de ocupação e expansão territorial da Zona da Mata mineira.

Ao longo do século XX, sucessivos desmembramentos territoriais reduziram significativamente a dimensão econômica e administrativa do município. A crise da cafeicultura, somada à erradicação de lavouras consideradas improdutivas a partir da década de 1960, contribuiu para o enfraquecimento da economia local, que anteriormente figurava entre as mais dinâmicas do estado mineiro.

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Carangola | World in Stories