Capanema é um município brasileiro localizado no Sudoeste Paranaense. De acordo com a estimativa do IBGE de 2022, possui 20.481 habitantes. Está situado na fronteira entre o Brasil e a Argentina.
O município recebeu este nome em homenagem ao engenheiro Guilherme Schüch, o barão de Capanema, político que atuou na divergência entre Brasil e Argentina na Questão de Palmas.
Em 5 de fevereiro de 1885, por mediação do presidente Stephen Grover Cleveland dos Estados Unidos, a região de conflito entre a Argentina e o Brasil, que perfaz o Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, passou a pertencer definitivamente ao território brasileiro.
A partir do início do Século XX, os mapas já incluíam a localidade. Essa surgiu a partir de correntes migratórias, predominantemente de origens alemã e italiana, advindas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para o sudoeste paranaense. Naquela época, companhias de colonização vendiam terras sem controle, originando conflitos intensos pela posse das terras.
Sem passar pela categoria de distrito, a localidade foi elevada à condição de município (e respectivo distrito-sede) e batizada de Capanema por força do decreto-lei estadual n.º 790, de 14 de novembro de 1951, desmembrando-a de Clevelândia. A instalação oficial ocorreu no dia 14 de dezembro de 1952.
Em 1957, ocorreu a Revolta dos Posseiros, que é considerada um caso de reforma agrária no sudoeste do Paraná, que teve profundos efeitos na estrutura fundiária do município.
O limite norte do município, a partir do qual se inicia o oeste paranaense, é dado pelo Rio Iguaçu. Nesse ponto de seu curso localiza-se a Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu, a última e mais nova de todas as hidrelétricas que represam o rio. Ao sul, encontra-se o rio Santo Antônio, que estabelece a divisa natural com a Argentina; a leste, destaca-se o rio Capanema. Além disso, dentro do perímetro do município, está o rio Siemens, importante manancial responsável pelo abastecimento público local.
Localiza-se a uma latitude 25º40'19" sul e a uma longitude 53º48'32" oeste, estando a uma altitude de 368 metros. Está situado na fronteira do Brasil com a Argentina, estando separado dela pelo Rio Santo Antônio.
Compõem o município, além da sede, três distritos: Cristo Rei, Pinheiro e São Luiz.
O município, reconhecido como a “Terra do Melado”, tem nesse produto um de seus principais pilares econômicos. A produção local é fortalecida por cooperativas e indústrias que, juntas, alcançam cerca de 400 toneladas anuais, gerando aproximadamente 200 empregos diretos (dados de 2020). Em 2019, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a indicação geográfica (IG é a identificação que dá origem a um produto ou serviço), o que permite o reconhecimento único no mercado para o melado produzido na região, favorecendo assim, a sua exportação com certificação de qualidade.
O turismo de Capanema, no estado do Paraná, destaca-se pela forte integração entre natureza, cultura e atividades produtivas locais, oferecendo experiências autênticas aos visitantes. Localizado em uma região privilegiada, o município tem grande parte de seu território influenciado pelo Parque Nacional do Iguaçu, um dos mais importantes patrimônios naturais do Brasil, o que contribui significativamente para o desenvolvimento do turismo sustentável.
Entre os principais atrativos naturais, destacam-se trilhas ecológicas que proporcionam contato direto com a biodiversidade da Mata Atlântica. A Trilha da Cachoeira do Rio Silva Jardim, com aproximadamente 3 km de extensão, e a Trilha da Taquara, com cerca de 800 metros, são opções bastante procuradas por visitantes interessados em caminhadas, contemplação da natureza e educação ambiental. Outro ponto relevante é o Parque Natural Municipal Marcelino Ampessan, localizado na região do Porto Moisés Lupion, que oferece estrutura para visitação, trilhas interpretativas e atividades voltadas ao lazer e à sensibilização ambiental.
O município também conta com belas quedas d’água, como a Cachoeira do Saltinho, situada próxima ao bairro Santa Bárbara, além de diversos pontos ao longo do rio Iguaçu que possibilitam banho, recreação e prática de atividades ao ar livre. Os rios da região, como o rio Iguaçu e o rio Santo Antônio — este último fazendo divisa com a Argentina —, são propícios para a prática de canoagem e outras atividades de turismo de aventura, ampliando o leque de experiências disponíveis.
Outro destaque é o turismo rural e de experiência, que ganha força por meio de roteiros temáticos como o “Doce Iguaçu”. Esse roteiro valoriza a produção artesanal de melado, mel e outros derivados, além de incluir visitas a propriedades rurais, campings e balneários. Capanema é amplamente reconhecida como a “Terra do Melado”, sendo esse produto um dos principais símbolos culturais e econômicos do município.
Nesse contexto, destaca-se também a tradicional Feira do Melado, realizada de forma bienal no Parque de Exposições Armandio Guerra. O evento reúne exposições agropecuárias, industriais e comerciais, além de apresentações culturais, gastronomia típica e atividades voltadas ao turismo e à valorização da produção local, atraindo milhares de visitantes.
Para os interessados em história e cultura, o município integra o traçado dos Caminhos do Peabiru, antigas rotas indígenas que conectavam diferentes regiões da América do Sul. Atualmente, esses caminhos são ressignificados como rotas turísticas que percorrem estradas rurais, oferecendo uma imersão na paisagem, na cultura e na história local.
Dessa forma, o turismo em Capanema se consolida como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social, aliando conservação ambiental, valorização cultural e geração de renda. Com atrativos diversificados e em constante estruturação, o município apresenta grande potencial para se firmar como um destino turístico sustentável e de referência na região sudoeste do Paraná.
O município está servido apenas por rodovias, sendo a principal delas a BR-163, de jurisdição federal, que liga o município a Planalto e Pérola d'Oeste, no sentido sul, e a Capitão Leônidas Marques, no sentido norte. Também corta o município, no sentido latitudinal, a PR-281, que o liga a Argentina, através da Ponte Internacional sobre o Rio Santo Antônio, no sentido oeste, e a Realeza, no sentido leste. Entre em 1950 e 2001, o município possuía uma ligação direta com Serranópolis do Iguaçu, através da Estrada do Colono (PR-475), que foi fechada por motivos ambientais.==Referências==