O Canal da Mancha, historicamente conhecido como Mar Britânico, é um braço de mar que faz parte do Oceano Atlântico e que separa a ilha da Grã-Bretanha do norte da França e une o mar do Norte ao Atlântico.
O nome Mancha é derivado de 'Manche', em francês, que foi traduzido erroneamente para 'Mancha' por portugueses e espanhóis. Em francês 'Manche' não quer dizer "mancha", mas "manga" (parte de uma roupa que cobre o braço), em português e espanhol. Em francês é chamado Manche (manga), em alemão Der Ärmelkanal (Canal da Manga) e em inglês English Channel ("Canal Inglês"). Ao contrário a de outras hidrovias conhecidas como "canal" (por exemplo, o Canal de Suez ou o Canal do Panamá), o Canal da Mancha não é de origem artificial.
O Canal tem aproximadamente 563 km de comprimento e sua parte mais larga é de 240 km. Seu ponto mais estreito (o estreito de Dover) tem apenas 33 km, de Dover até o cabo Gris Nez. Neste ponto mais estreito do Canal, é comum aventureiros de diversas nacionalidades tentarem fazer a travessia do Canal a nado, inclusive com algumas tentativas resultando em morte, como foi o caso da brasileira Renata Agondi. A profundidade do Canal da Mancha varia de 120 m no setor ocidental até 45 m no setor oriental.
A circulação marítima no Canal da Mancha é uma das mais intensas do mundo, com mais de 250 navios por dia. A essa circulação intensa há que somar a dos ferries que ligam a França à Grã-Bretanha por via marítima. Atualmente, o Eurotúnel constitui uma excelente e rápida alternativa de viagem.
Devido à utilização das mais avançadas técnicas de engenharia é praticamente impossível a presença de acidentes.
As Ilhas do Canal ou Channel Islands localizam-se no interior do canal da Mancha, próximas ao lado francês. A ilha de Ouessant ou a ponta de Corsen constituem os pontos de referência da extremidade ocidental do Canal. Outras ilhas no Canal da Mancha incluem a Ilha de Wight próxima ao lado britânico, e o famoso monte Saint-Michel.
O departamento francês da Mancha, que incorpora a península do Cotentin, que avança em direção ao Canal, tem esse nome devido à região marítima circunvizinha.
As fontes da Roma antiga nomeavam o Canal como Oceanus Britannicus (ou Mare Britannicum, significando o Oceano, ou o Mar, dos Bretões ou Britannī). Variações deste termo foram usadas por escritores influentes como Ptolomeu e permaneceram populares entre autores britânicos e continentais até à era moderna. Outros nomes latinos para o mar incluem Oceanus Gallicus (o Oceano Gálico), que foi usado por Isidoro de Sevilha no século VI.
O termo Mar Britânico ainda é usado por falantes das línguas córnica e bretã, sendo o mar conhecido por eles como Mor Bretennek e Mor Breizh, respetivamente. Embora seja provável que estes nomes derivem do termo latino, é possível que sejam anteriores à chegada dos romanos à região. O galês moderno é frequentemente dado como Môr Udd (o Mar do Senhor ou do Príncipe); no entanto, este nome originalmente descrevia tanto o Canal como o Mar do Norte em conjunto.
Os textos anglo-saxões referem-se ao mar como Sūð-sǣ (Mar do Sul), mas este termo caiu em desuso, pois os autores ingleses posteriores seguiram as mesmas convenções que os seus contemporâneos latinos e normandos. Um nome inglês que persistiu foi Mares Estreitos (Narrow Seas), um termo coletivo para o canal e o Mar do Norte. Como a Inglaterra (seguida pela Grã-Bretanha e pelo Reino Unido) reivindicou soberania sobre o mar, um Almirante da Marinha Real foi nomeado com funções de manutenção nos dois mares. O cargo foi mantido até 1822, quando várias nações europeias (incluindo o Reino Unido) adotaram um limite de três-milha (4,8 km) para as águas territoriais.
Canal da Mancha (English Channel)
A palavra canal foi registada pela primeira vez em inglês médio no século XIII e foi emprestada da palavra do francês antigo chanel (uma forma variante de chenel 'canal'). Em meados do século XV, um mapa italiano baseado na descrição de Ptolomeu nomeava o mar como Britanicus Oceanus nunc Canalites Anglie (Oceano dos Bretões, mas agora Canal Inglês). O mapa é possivelmente o primeiro uso registado do termo English Channel e a descrição sugere que o nome tinha sido recentemente adotado.
No século XVI, os mapas holandeses referiam-se ao mar como Engelse Kanaal (Canal Inglês) e na década de 1590, William Shakespeare usou a palavra Channel nas suas peças históricas de Henrique VI, sugerindo que nessa altura o nome era popularmente compreendido pelos ingleses.
No século XVIII, o nome English Channel estava em uso comum na Inglaterra. Na sequência dos Atos de União de 1707, foi substituído em mapas e documentos oficiais por British Channel ou British Sea durante grande parte do século seguinte. No entanto, o termo English Channel permaneceu popular e foi finalmente adotado oficialmente no século XIX.
O nome francês la Manche tem sido usado desde pelo menos o século XVII. O nome é geralmente entendido como uma referência à forma de manga (la manche) do Canal. A etimologia popular derivou-o de uma palavra celta que significa 'canal', que também é a origem do nome para o Minch na Escócia, mas este nome não é atestado antes do século XVII, e as fontes francesas e britânicas da época são claras sobre a sua etimologia. O nome em francês foi diretamente adaptado noutras línguas, quer como um decalque, como Canale della Manica em italiano ou Ärmelkanal em alemão, quer como um empréstimo direto, como Canal de La Mancha em espanhol.[carece de fontes?]
A Organização Hidrográfica Internacional define os limites do Canal da Mancha da seguinte forma:
A Oeste. Da costa da Bretanha para oeste ao longo do paralelo (48°28' N) do extremo leste de Ushant (Lédénès), através desta ilha até ao seu extremo oeste (Pointe de Pern), daí até ao Bishop Rock, extremo sudoeste das Ilhas Scilly, e numa linha a oeste destas ilhas até ao extremo norte (Lion Rock) e daí para leste até Longships (50°04' N) e até Land's End.
A Leste. O limite sudoeste do Mar do Norte.