Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos, conhecido por Camané (Oeiras, 20 de Dezembro de 1966), é um fadista português. É irmão mais velho dos fadistas Hélder Moutinho e Pedro Moutinho.
Camané desperta para a música um pouco por acaso, quando durante a recuperação de uma maleita infantil se embrenhou na coleção de discos dos pais. Além de Frank Sinatra, Charles Aznavour e Os Beatles, deixa-se fascinar pelos grandes intérpretes do Fado: Amália Rodrigues, Maria Teresa de Noronha, Fernando Maurício, Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo e Carlos do Carmo.
Como conta o fadista em entrevista ao Diário de Notícias (cf. «Gravei o meu primeiro disco após um telefonema de Amália», in DN, 28 de abril de 2013):
A sua primeira interpretação em público fê-la no restaurante Cesária, em Alcântara, por sua própria iniciativa ao dirigir-se aos músicos e pedir para cantar um fado de Fernando Maurício.
A partir daí passou a ir com frequência às coletividades onde se cantava o Fado, podendo assim continuar a cantar.
Com apenas 11 anos participa pela primeira vez na Grande Noite do Fado, numa época em que não havia competição em separado para os mais novos.
Dois anos depois, na edição de 1979, alcança a vitória e é convidado a gravar um LP produzido por mestre António Chainho.
Na instrução escolar, Camané teve um percurso difícil. Não chegou a completar o nono ano, pelo que o pai, chefe de construção naval, lhe arranjou um emprego a calafetar barcos no Arsenal do Alfeite. Esteve lá durante dois anos, até ser chamado a cumprir o serviço militar obrigatório.
É também por essa altura que, por intermédio de Carlos Zel e do irmão deste, o guitarrista Alcino Frazão, inicia como profissional o circuito das casas de Fado.
Passaria por algumas das mais concorridas da capital — Fado Menor, O Faia, Adega Machado, Café Luso, Clube do Fado e Senhor Vinho —, uma rodagem que se revelou uma verdadeira escola, como afirmaria em entrevista ao Expresso/Vidas (Ana Soromenho/Vítor Rainho), a 18 de maio de 2002:
Estava ainda na tropa quando gravou o single Ai Que Saudades, para a editora MBP.
Em 1990 Camané é convidado por Filipe La Féria para o programa Grande Noite da RTP. Já em 1992, com o mesmo encenador, integra o elenco de Maldita Cocaína, no Teatro Politeama.
Surge entretanto o convite para gravar o seu primeiro CD para a editora EMI.
Uma Noite de Fados, editado em 1995, é gravado ao vivo, durante quatro noites consecutivas, no Palácio das Alcáçovas, recriando o ambiente de uma verdadeira casa de fados. O álbum é igualmente marcado pelo início de uma profícua colaboração com José Mário Branco, como produtor e como compositor.
Eleito pela crítica especializada como a voz mais representativa da nova geração do Fado, a qualidade do seu trabalho é reconhecida também pelo grande público, abrindo-lhe a porta das salas de espetáculos.
Sérgio Godinho escreve assim sobre o fadista, no livro do musicólogo Rui Vieira Nery, Para Uma História do Fado:
A partir da década de 1990 afasta-se progressivamente das casas de Fado e realiza cada vez mais concertos, quer em Portugal quer no estrangeiro. Realizaria então as suas primeiras atuações em França, Holanda, Itália e Espanha.
Em 1998 apresenta-se nos festivais Tombées de La Nuit, em Rennes, e Les Méditerranées à l'Européen, em Paris.