César Augusto Cielo Filho (Santa Bárbara d'Oeste, 10 de janeiro de 1987) é um nadador brasileiro campeão olímpico. Atualmente, defende a equipe de natação do Clube Náutico Marcílio Dias. No ano de 2023 César Cielo foi induzido ao Hall da Fama da Natação Internacional, com cerimônia organizada para os dias 29 e 30 de setembro de 2023. Em toda carreira, César Cielo soma 38 medalhas (24 ouros, 4 pratas e 10 bronzes).
Foi o primeiro — e ainda único — nadador brasileiro a ser campeão olímpico, após conquistar o ouro nos 50 metros livre nos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, e o atleta brasileiro mais medalhado em Campeonatos Mundiais de qualquer esporte, com 19 medalhas. Aparece, ainda, na segunda posição entre os nadadores brasileiros com maior número de medalhas conquistadas em campeonatos internacionais (33 no total) como Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais de Piscinas Longa e Curta, Jogos Pan Americanos e Pan Pacíficos (atrás apenas de Gustavo Borges, que tem 35) e o maior medalhista brasileiro em mundiais de piscina curta, com 11 medalhas.
Além da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, Cielo também conquistou mais duas medalhas em Olimpíadas, ambas de bronze, sendo uma nos 100 metros livre nos Jogos Olímpicos de 2008 e outra nos 50 metros livre nos Jogos Olímpicos de 2012. Foi ainda campeão mundial dos 100 metros livre em Roma 2009, e tricampeão mundial dos 50 metros livre em Roma 2009, Xangai 2011 e em Barcelona 2013, recordista mundial de ambas as provas. Ganhou três medalhas de ouro e uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro.
Recordista mundial dos 50 e 100 metros livre em piscina olímpica e 4x50 metros medley em piscina curta, também detém os recordes brasileiro e sul-americano nos 4x100 metros livre e 4x100 metros medley em piscina olímpica, dos revezamentos 4x50 metros livre em piscina curta (25 metros) e longa (50 metros), e dos 4x200 metros livre em piscina curta. É medalha de ouro nos 50 metros e 100 metros livre do Grand Prix de Missouri, em 2008.
Morou na cidade de Auburn, nos Estados Unidos, estudando e treinando na Universidade de Auburn. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Eleito melhor atleta ibero-americano do ano de 2009 e melhor atleta da década pela revista Sport Life. Seu desempenho nas piscinas também o vem levando a ser considerado, por parte da imprensa e de comentaristas esportivos, como o maior nadador da história da natação brasileira.
Filho do pediatra Cesar Cielo e da professora de educação física Flávia Cielo, começou no Esporte Clube Barbarense (onde sua mãe dava aulas de natação), na cidade paulista de Santa Bárbara d'Oeste, onde nasceu. Posteriormente, nadou pelo Clube de Campo de Piracicaba. Em 2003 transferiu-se para o Esporte Clube Pinheiros, onde treinou por dois anos ao lado de Gustavo Borges, inclusive recebendo do mesmo, como presente, o maiô utilizado por ele nas Olimpíadas de Atenas 2004. Participou de seu primeiro torneio internacional importante no Campeonato Mundial de Natação em Piscina Curta de 2004, ocorrido na cidade de Indianápolis, em outubro de 2004. Aos 17 anos, Cielo ganhou a medalha de prata no revezamento 4x100 metros livre. Também ficou em décimo lugar nos 50 metros livre, em sexto lugar nos 100 metros livre, em quarto lugar no revezamento 4x100 metros medley e em 19º nos 50 metros costas.
Em 2006, transferiu-se para Auburn, nos Estados Unidos, onde ganhou uma bolsa de estudos para defender o time de natação da universidade. Para os estudos acadêmicos, o nadador barbarense escolheu comércio exterior, com especialização em espanhol. Lá, foi treinado por Brett Hawke, ex-nadador australiano finalista olímpico, que fez os últimos meses de preparação do brasileiro para a Olimpíada de Pequim em 2008. Seu contrato de bolsa era muito rigoroso, proibindo ao atleta desde ter namoradas até de sair à noite e de beber. Participou, no início de abril, do Campeonato Mundial de Natação em Piscina Curta de 2006 onde ficou em quinto lugar nos 100 metros livre, no 4x100m livre e no 4x200m livre. Em dezembro, começou a se destacar no cenário nacional, ao quebrar o recorde sul-americano de Fernando Scherer nos 100 metros livre, de 48s69, que perdurava desde 1998. À época, fez o tempo de 48s61.
Foi finalista no 12º Mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne 2007 nos 100 metros livre (quarto lugar), 50 metros livre (sexto lugar) e no 4x100 metros livre (oitavo lugar), além de ter obtido o nono lugar nos 4x100 metros medley. Nessa ocasião, se consolidou como maior velocista brasileiro na natação, ao quebrar o recorde sul-americano dos 50 metros livre de Fernando Scherer. Na semifinal da prova, Cielo fez a marca de 22s09, melhorando o tempo de Xuxa, que era de agosto de 1998, em nove centésimos. Posteriormente, ajudou os revezamentos 4x100 metros livre e 4x100 metros medley brasileiros a se classificarem para as Olimpíadas de 2008. Ganhou três medalhas de ouro e uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio e, na ocasião, foi o primeiro nadador da América do Sul a nadar os 50 metros livre abaixo de 22 segundos.
Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim ganhou a primeira medalha de bronze na prova dos 100 metros livre, ficando atrás somente do francês Alain Bernard e do australiano Eamon Sullivan, batendo o recorde sul-americano. Jason Lezak fez o mesmo tempo do nadador barbarense e também ganhou a medalha de bronze.
Na outra prova que participou, na semifinal dos 50 metros livre, o brasileiro quebrou o recorde olímpico com o tempo de 21s34, que pertencia a Alexander Popov desde as Olimpíadas de Barcelona em 1992. Na final da prova dos 50 metros livre, ganhou a medalha de ouro, quebrando novamente o recorde olímpico com o tempo de 21s30, ficando a dois centésimos do recorde mundial (21s28), e se tornou o primeiro brasileiro campeão olímpico na natação. Até a medalha de ouro de Cesar Cielo, os melhores resultados da natação do Brasil haviam sido obtidos por Ricardo Prado, que ganhou a medalha de prata nos 400 metros medley nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e por Gustavo Borges, que ganhou a medalha de prata nos 100 metros livre nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e a medalha de prata nos 200 metros livre nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.
Nadando pela Universidade de Auburn nas competições da NCAA, Cesar bateu os recordes mundiais nas 50 jardas livres (18s47) e nas 100 jardas livres (40s92).
Em maio, chegou a bater o recorde sul-americano dos 50 metros borboleta, mas a marca durou poucos minutos.
Na seletiva americana de 2009, na prova dos 50 metros livres, fez o tempo de 21s14 na final B (não poderia participar da final A por não ser americano), conseguindo o melhor tempo entre todos os competidores, batendo o recorde das 3 Américas e ficando a 0,20s do recorde mundial de Frederick Bousquet, obtendo na ocasião o 2º melhor tempo da história da prova pela 2ª vez na carreira (a primeira foi na final olímpica de 2008).
No Campeonato Mundial de Roma 2009, levou o revezamento 4x100m livres do Brasil ao 4º lugar, junto com Nicolas Oliveira, Guilherme Roth e Fernando Silva. Nesta prova, ele abriu com o tempo de 47s09, ficando a 0,04s do recorde mundial de Eamon Sullivan, obtendo o 2º melhor tempo da história dos 100m livres.
Na final dos 100 metros livres, o nadador brasileiro conquistou o ouro vencendo o campeão olímpico Alain Bernard e batendo o recorde mundial da prova com 46s91, entrando no seleto panteão dos nadadores que obtiveram em suas carreiras ouro olímpico, ouro no mundial e recordes mundiais.
Na final dos 50 metros livre, Cielo venceu o recordista mundial Frederick Bousquet e conquistou o ouro com 21s08, batendo o recorde da competição e o sul-americano. O brasileiro entrou para a história da natação, sendo o terceiro atleta a conquistar o ouro nos 50 metros livre nos Jogos Olímpicos e no Mundial de forma consecutiva. Somente o russo Alexander Popov e o norte-americano Anthony Ervin haviam conseguido esta marca. E, nos 4x100 metros medley, numa disputa onde os quatro primeiros da prova bateram o recorde mundial dos Estados Unidos em Pequim 2008, levou o Brasil ao quarto lugar, junto com Guilherme Guido, Henrique Barbosa e Gabriel Mangabeira, muito próximo das medalhas de bronze e prata da prova. Suas duas medalhas de ouro no mundial levaram o Brasil ao melhor desempenho na história dos campeonatos mundiais de esportes aquáticos.