Cássia Kis Magro (São Caetano do Sul, 6 de janeiro de 1958) é uma atriz brasileira. Considerada uma das maiores atrizes do país, popularizou-se especialmente por viver antagonistas, mulheres de personalidade forte ou emocionalmente instáveis. Cássia ganhou vários prêmios, incluindo um Prêmio Grande Otelo, um Troféu Imprensa, um Prêmio APCA, dois Prêmios Guarani e quatro Prêmios Qualidade Brasil.
A partir de 2022 ganhou notoriedade também pelas suas posições ideológicas e envolvimento com a extrema-direita brasileira, com participação ativa nas manifestações no Brasil após as eleições de outubro daquele ano.
Filha de Josep Kiss, mecânico, Cássia é neta paterna de húngaros. A atriz é tia do modelo internacional Márcio Kiss, ex-jogador de basquete e modelo da Major Model Brasil, uma agência de São Paulo. Cássia teve uma infância muito pobre e um lar sem amor. Morava num cortiço na roça, onde sua casa era um quarto-cozinha, sendo a filha mais nova de quatro irmãos. Ela e os irmãos eram obrigados a fazer serviços domésticos desde muito pequenos. Sua mãe era uma dona de casa revoltada, que sempre teve um relacionamento conturbado com os filhos, principalmente com Cássia, que declarou ter apanhado muito de seus pais, principalmente de sua mãe, que era impaciente demais. Aos 11 anos, já lavava, passava e cozinhava, tendo que levar o almoço do pai na oficina e, se fizesse algum desses serviços errado, apanhava da mãe. Com 14 anos, já trabalhava fora, como vendedora em uma loja. Nessa época, tentando escapar aos problemas domésticos, fumava cigarros e bebia cachaça escondida, reunindo-se com amigos para se divertir, tendo que pular da janela de casa em uma ocasião para a mãe não descobrir que ela fumava e bebia. Por conta de tantas desavenças, Cássia foi expulsa de casa aos 15 anos. Cássia disse em entrevistas que ao sair de casa só lhe foi permitido levar um colchão e um jogo de lençóis e que ficou mais de cinco anos sem dar notícias à família.
Ao sair de casa, foi morar com sua melhor amiga. Após três meses, foi viver com um casal de amigos que eram músicos, ainda em São Caetano do Sul. Nesse tempo, ela tornou-se hippie, passando a frequentar os shows de seus amigos músicos, que tocavam suas músicas agitadas em bares da região. A partir do convívio nessas saídas noturnas, Cássia começou a consumir ainda mais bebidas alcoólicas e a fumar maconha. Seis meses depois, foi demitida de seu trabalho como vendedora e decidiu se mudar para São Paulo, a fim de tentar encontrar melhores oportunidades para trabalhar e estudar. Na capital, alugou uma quitinete, onde ficou morando sozinha. Conforme revelou, esse período de sua vida foi muito depressivo, já que se sentia sozinha demais. Tendo que amadurecer precocemente, arrumou um emprego, desta vez como secretária em um escritório, no qual trabalhava o dia todo. À noite, estudava no Ginasial (atual Ensino Médio), assim podendo pagar seu aluguel. Teve seu primeiro namorado aos 16 anos, o que modificou sua vida radicalmente, ao descobrir uma gravidez não planejada, após seis meses de namoro. O namorado, que tinha 20 anos, não quis assumir o bebê, terminando o relacionamento. Cássia não tinha nenhuma estrutura financeira e emocional para ter um filho, além de não querer ser mãe. Abandonada grávida pelo pai da criança, estava desesperada, sozinha e sem ninguém para lhe ajudar. Tomou uma decisão: procurou uma clínica clandestina e realizou um aborto mal tendo completado 17 anos, por ainda ser muito jovem e inexperiente. Em entrevistas posteriores, contou que demorou muitos anos para se arrepender desse ato, mas que não entendia o porquê após este acontecimento em sua vida ter desenvolvido depressão, tentando o suicídio por diversas vezes, para além de ter também desenvolvido bulimia, doença contra a qual lutou por mais de dez anos.
Nesta época, continuou sua vida, morando só e tentando ser feliz. Mesmo trabalhando o dia todo, sempre foi estudiosa e, nas horas vagas, gostava de ler e escrever, além de rever os cadernos escolares antigos. Aos 18 anos, conseguiu passar no vestibular da USP, nos cursos de Matemática e História, mas estava em dúvida entre as áreas de exatas, humanas e artísticas, até que percebeu que sempre gostou de artes cênicas, e optou por cursar teatro em um curso profissionalizante, fazendo aulas semanalmente, chegando cada vez mais perto do sonho de ser atriz profissional. Durante essa época de sua adolescência, tinha como hobby estudar astrologia. No período em que mudou-se sozinha para São Paulo, pôde curtir sua juventude sem problemas, passando a frequentar boates e shows de rock 'n roll, nos quais intensificou o uso de bebidas alcoólicas, maconha e cigarros. Também passou a experimentar LSD, ayahuasca e chá de cogumelo para conseguir sentir-se mais tranquila, o que surtia efeito. Segundo ela, todos deveriam fazer isso ao menos uma vez na vida, mas contou ter percebido que usar drogas era um caminho sem volta, pois a estava levando a ter curiosidade de experimentar substâncias ainda mais fortes, o que causou-lhe enorme receio. A atriz conseguiu largar o álcool, os cigarros e os entorpecentes aos 21 anos de idade, ao perceber que aquilo não lhe fazia bem.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1981, aos 23 anos. Cássia estava disposta a mudar de vida, continuar a estudar teatro e trabalhar. Assim que chegou à cidade, passou a dormir nas ruas, em bancos de praça, pois não conhecia o Rio, e não tinha dinheiro para nada. Foi ajudada por um poeta popular, que a colocou num quarto de empregada no apartamento dele, dentro do qual ela dividia espaço com três domésticas. Passou a tentar se entender e começou a fazer meditação e ioga nas horas vagas. Começou a trabalhar como faxineira, lavando banheiro na casa de ricos para se sustentar e pagar o templo onde fazia meditação e ioga. Largou a meditação, a ioga e o trabalho de faxineira após seis meses, e começou a vender sanduíche natural na praia, por um ano, para pagar o curso de teatro e se sustentar. Nessa época, arranjou um novo namorado. Após um mês de namoro, foram morar juntos em um apartamento alugado. Após sete meses de uma união estável, sofrendo com seus ciúmes possessivos e agressões, Cássia se separou dele.
Aos 24 anos, já fazendo peças teatrais pelo Rio, foi aprovada, e conseguiu tornar-se aluna da Fundação das Artes, uma das melhores escolas de música e teatro da América Latina. Assim ela pôde ter uma formação profissional, desempenhando mais e mais seu talento. Começou a fazer escola de teatro com o diretor Silnei Siqueira para aprimoramento de técnicas de dramaturgia e artes cênicas. Nesta altura, voltou a procurar por sua mãe, ligando para ela após nove anos sem lhe dar notícias, e disse que a perdoava por tudo, e perguntou se ela queria pedir perdão, mas a mãe nada disse. Apesar disso, três anos depois sua mãe entrou em contato, e lhe pediu perdão.
Converteu-se ao espiritismo e tornou-se vegetariana em 1989, aos 31 anos de idade. Em 1990, descobriu ser portadora de transtorno bipolar do tipo misto. Desde o início da adolescência, estava sofrendo com essa doença psiquiátrica, pois negava a si mesma que tinha fortes problemas emocionais. Neste mesmo ano, começou a fazer psicoterapia, e isso foi o apoio para que superasse muitos problemas.
Contou que herdou seus problemas psicológicos de sua mãe e de sua avó, já que descobriu-se que sua mãe era muito nervosa, pois também sofria de transtorno bipolar, mas desde que descobriu a doença, a atriz se trata com psicólogos, fazendo terapia, e com psiquiatras, se tratando com antidepressivos, ansiolíticos e lítio. A atriz diz que toma cuidado para detectar se algum de seus filhos terão algum problema psiquiátrico, para se tratarem cedo. Cássia hoje é mais amiga da mãe, que mora sozinha e é viúva.
Sempre preocupada com as questões sociais, participou, em 1989, de uma campanha do Ministério da Saúde brasileiro, sobre a prevenção do câncer de mama. Em 2006, foi madrinha, no Brasil, da Semana Mundial do Aleitamento Materno, promovida pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pelo Ministério da Saúde.