Brusque é um município brasileiro do estado de Santa Catarina, Região Sul do país. Localiza-se no Vale do Itajaí e possui uma área de 284,675 km². Sua população no Censo de 2024 era de 151.939 habitantes, sendo a 11ª maior do estado.
Fundada por colonos alemães em 1860, sob o comando do Barão de Schneeburg, Brusque tornou-se uma das pioneiras na indústria catarinense, em especial no ramo têxtil.
Seu nome é homenagem ao presidente da província, Francisco Carlos de Araújo Brusque, o nome, no entanto, foi oficializado apenas em 1890.
Antes da colonização de origem europeia, os Xokleng ocupavam um território "em movimento" na região, pois mantinham uma disputa secular com os Guaranis e os Kaingangs para controlar o território da região onde a cidade se situa.
Colonização de origem europeia
A história da colonização de origem europeia da atual região de Brusque tem início nas terras localizadas à margem direita do rio Itajaí-Mirim. Neste local destinado à sede da Colônia Itajahy (Brusque), já havia a presença de imigrantes que exploravam a extração de madeira, como Pedro Werner, Franz Sallentiem e Paulo Kellner. No entanto, Vicente Ferreira de Mello, conhecido como Vicente Só, foi um dos primeiros a adentrar a mata e estabelecer moradia no alto de um morro, morro no qual hoje se vê a igreja católica localizada no bairro Centro I.
Mas a imigração de origem europeia começa de fato com a chegada do nobre austríaco Barão von Schneeburg, que liderava 54 imigrantes alemães. As famílias eram oriundas da Prússia, à exceção de uma família do Grão-Ducado de Hesse-Darmstadt. Em 19 de agosto chegou uma nova leva de imigrantes, do Grão-ducado de Baden, no sul da Alemanha. O núcleo foi batizado de "Colônia Itajahy". Nos anos seguintes, novos grupos de pessoas oriundas das mais diversas regiões do que mais tarde foi denominado Alemanha chegaram ao município. Em 17 de janeiro de 1890, a cidade foi batizada de Brusque, em homenagem a Francisco Carlos de Araújo Brusque, presidente da província de Santa Catarina na época da fundação da colônia, gaúcho nascido em Porto Alegre em 24 de maio de 1822. O município foi instituído em 23 de março de 1881, ainda com o nome de São Luís Gonzaga, recebendo o nome atual em 1890.
Portanto, as comemorações do centenário (4 de agosto de 1960) e sesquicentenário (4 de agosto de 2010) se referem à chegada dos colonos alemães e não à criação do município de Brusque.
Herdou as características alemãs de seus colonizadores: na arquitetura, na comida, nas festas populares etc. Entretanto, outros povos legaram contribuições étnicas às levas de germânicos. Em 10 de março de 1867, chegaram os primeiros colonos de língua inglesa, especialmente os irlandeses e os britânicos. A colônia recebeu mais de 1 500 colonos vindos da Europa e dos Estados Unidos: estes últimos, fugindo da Guerra de Secessão. Depois, em 1875, chegaram os primeiros imigrantes italianos e, mais tarde, os poloneses. Alguns polacos trouxeram, consigo, técnicas de tecelagem, e fábricas foram fundadas na cidade.
A geógrafa e pesquisadora Maria do Carmo Ramos Krieger Goulart informa que desembarcaram, na Villa do Itajahy, 16 famílias da Silésia, região que se encontrava sob o domínio prussiano. Seu destino eram as terras da Colônia Príncipe Dom Pedro, nos idos de 1869. Registra a autora que foi nesse ano que ocorria o primeiro nascimento de imigrantes poloneses: tratava-se de Izabella Kokot, nascida em 12 de novembro de 1869, em Brusque.
No entanto, para confirmar a presença polonesa nas terras de Príncipe Dom Pedro e, posteriormente, de Porto Franco (Botuverá), é preferível citar o livro "Dívidas Coloniais", que contém a relação nominal dos poloneses estabelecidos na região, como também a contabilidade de suas dívidas. A relação inicia-se em outubro de 1890 e continua até fevereiro de 1893.
O ano de 1875 marca o fluxo de uma grande corrente imigratória: era a colonização italiana. Informa-nos a autora Roselys Isabel Correia dos Santos no livro "A colonização italiana no Vale do Itajaí-Mirim":
Na direção do atual município de Botuverá, antigo Porto Franco, no médio vale, em terrenos que constituíram a antiga Colônia Príncipe Dom Pedro, os mesmos em que foi canalizada a maioria dos imigrantes italianos.
No entanto, os terrenos eram pouco aproveitáveis para a agricultura, destacando-se a exploração da madeira.
As localidades ou linhas de colonização onde inicialmente estabeleceram-se os colonos italianos foram Azambuja, Poço Fundo e Águas Claras. Também foram ocupadas as margens do Ribeirão Alferes, no Vale do Rio Tijucas, onde foi criado o núcleo Nova Trento. Mais tarde, ocuparam as terras da extinta Colônia Príncipe Dom Pedro, nas localidades compreendidas entre Cedrinho e o distrito Porto Franco, atual Botuverá.
Brusque é conhecida como "Berço da Fiação Catarinense" e "Cidade dos Tecidos", pois foi na cidade que se iniciou um dos maiores polos têxteis de Santa Catarina e do Brasil. João Bauer, em 1890, desenvolveu a primeira tentativa de produção de tecidos no município, contando com ajuda dos imigrantes poloneses, conhecidos como "tecelões de Lodz". A segunda tentativa que logrou êxito aconteceu com o apoio de Carlos Renaux, comerciante que instalou teares de madeira rústicos, construídos pelos próprios poloneses, dentro do depósito de sua casa de comércio em 1892, fundando a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S.A., um dos ícones da indústria no sul do Brasil. Em 1898, surgiu a Buettner e, em 1911, a Schlösser. Essas indústrias dominaram a principal atividade econômica da cidade durante a maior parte do século XX, até no final dos anos 1980. Ainda hoje, é um dos setores mais fortes da economia local, agregando nomes importantes na área de malhas e serviços têxteis.
Foi em Brusque que se originaram as primeiras geladeiras da marca Consul, em 1945, com o incentivo do cônsul Carlos Renaux, que fomentou uma pequena oficina para protótipos e testes, propiciando a criação de uma das maiores indústrias de refrigeração do Brasil. Poucos anos depois, em 1950, a fábrica Consul se estabeleceu definitivamente em Joinville, no norte catarinense.
A indústria metalmecânica também prosperou na cidade. A primeira indústria metalúrgica de Brusque foi a Fundição Hércules S.A. As principais indústrias desse segmento se concentram na área automotiva, de grande projeção nos mercados interno e de exportação, como a ZM S.A., Zen S.A., 3RHO e a Remy. No setor de máquinas, equipamentos eletromecânicos e serviços metalúrgicos, outros nomes se destacam como a Irmãos Fischer, Siemsem, Kimak, Metalúrgica Brusque, Embreex, Fundição Hércules, Metalúrgica BOMASI, Atenas Metalúrgica, entre outras.