Lee Jun-fan (chinês tradicional: 李振藩; São Francisco, 27 de novembro de 1940 – Kowloon, 20 de julho de 1973), conhecido mundialmente como Bruce Lee, foi um artista marcial, ator, diretor de cinema, produtor cinematográfico, roteirista, instrutor de artes marciais, filósofo e autor sino-americano. Ele foi o fundador do Jeet Kune Do, uma filosofia híbrida de artes marciais derivada de diferentes disciplinas de combate, que, muitas vezes, é creditada por pavimentar o caminho para as Artes Marciais Mistas (do inglês, MMA: Mixed Martial Arts). Lee é considerado por comentaristas/críticos, pela mídia e por outros artistas marciais o mais influente artista marcial de todos os tempos e um ícone da cultura pop do século XX, que fez a ponte entre o Oriente e o Ocidente. Ele é creditado por ter ajudado a mudar a maneira como os asiáticos eram apresentados nos filmes americanos.
Filho da estrela de ópera cantonesa Lee Hoi-chuen, Bruce Lee nasceu na área de Chinatown, em São Francisco, nos Estados Unidos. Seus pais eram de Hong Kong (então, colônia britânica), por isso foi criado com sua família lá, em Kowloon. Ele foi apresentado à indústria cinematográfica por seu pai e apareceu em vários filmes como ator infantil. Lee mudou-se para os Estados Unidos aos 18 anos para receber seu ensino superior na Universidade de Washington em Seattle, e foi nessa época que ele começou a ensinar artes marciais. Seus filmes produzidos em Hong Kong e Hollywood elevaram o tradicional filme de artes marciais a um novo nível de popularidade e aclamação, tendo despertado um grande interesse na nação chinesa, que se mantém até os dias atuais. A direção e o tom de seus filmes influenciaram e mudaram radicalmente os filmes de artes marciais e as artes marciais em geral em todo o mundo.
Ele foi conhecido por seus papéis em cinco longas-metragens de artes marciais no início dos anos 70: The Big Boss (O Dragão Chinês, 1971) e Fist of Fury (A Fúria do Dragão, 1972), de Lo Wei; The Way of the Dragon (O Voo do Dragão, 1972), da Golden Harvest, dirigida e escrita por Bruce Lee; Enter the Dragon (Operação Dragão,
1973), da Warner Brothers e da Golden Harvest, e Game of Death (Jogo da Morte, 1978), ambas dirigidas por Robert Clouse. Lee se tornou uma figura icônica conhecida em todo o mundo, especialmente entre os chineses, com base em sua representação do nacionalismo chinês em seus filmes e entre asiático-americanos, por desafiar os estereótipos associados ao homem asiático emasculado. Ele treinou a arte do Wing Chun e, mais tarde, combinou suas outras influências de várias fontes no espírito de sua filosofia pessoal de artes marciais, que ele apelidou de Jeet Kune Do (O Caminho do Punho Interceptador). Lee tinha residências em Hong Kong e Seattle.
No ano e na hora do lendário dragão chinês, Bruce Lee nascia no Hospital Chinês de Chinatown, em São Francisco, na Califórnia, durante uma turnê de ópera chinesa, da qual seus pais eram integrantes. Voltou para Hong Kong (colônia britânica até 1997) com apenas três meses de idade, cresceu e viveu lá até o fim de sua adolescência. Seu pai se chamava Lee Hoi-chuen, e sua mãe, Grace Ho. Bruce foi o quarto de cinco filhos. Por seus pais serem artistas da ópera chinesa, Bruce atuou em vários filmes chineses durante sua infância.
O nome de nascimento era Lee Jun-fan (chinês tradicional: 李振藩). O nome, homofonicamente, significa "retornar de novo". O nome foi-lhe dado por sua mãe, que sentia que ele retornaria aos Estados Unidos quando tivesse idade para tanto. Por causa do espírito supersticioso da sua mãe, ela o apelidou de Sai-fon (細鳳), que é um nome feminino que significa "pequena fênix". O nome em inglês "Bruce" fora dado pela médica do hospital, Mary Glover. Bruce Lee tinha outros três nomes em chinês: Li Yuanxin (李源鑫), um nome de família; Li Yuanjian (李元鑒), um nome de estudante enquanto ele cursava em La Salle College, em Hong Kong; e seu nome artístico, Li Xiaolong (李小龍; Xiaolong significa "pequeno dragão").
O nome de batismo de Bruce Lee, Jun-fan, era escrito originalmente 震藩. Porém, o caractere chinês Jun (震) era idêntico ao de uma parte do nome de seu avô, Lee Jun-biu (李震彪). Logo, o caractere chinês para Jun no nome de Lee fora mudado para o homófono 振, para evitar o tabu nominal dentro da tradição chinesa.
O pai de Bruce, Lee Hoi-cuen, foi um dos maiores intérpretes de ópera cantonesa e ator do cinema chinês. Completou um ano de turnê com a ópera cantonesa nas vésperas da invasão japonesa em Hong Kong durante a Segunda Guerra Mundial. Lee Hoi-chuen ficou em turnê nos Estados Unidos por muitos anos, realizando apresentações em inúmeras comunidades chinesas. Lee Hoi-chuen decidiu voltar para Hong Kong depois que sua esposa deu à luz Bruce, em 1940. Poucos meses após retornarem, Hong Kong foi invadida e viveu três anos e oito meses sob ocupação japonesa. A família Lee sobreviveu razoavelmente bem aos tempos de guerra. Com o fim da guerra, o pai de Bruce decidiu retomar sua carreira de dentista e se tornou uma estrela de maior sucesso durante os anos de "reconstrução" de Hong Kong.
A mãe de Bruce Lee, Grace Ho, pertencia a um dos clãs mais ricos e poderosos em Hong Kong, os Senhores de Ferro. Ela era sobrinha de Sir Robert Ho-tung, o patriarca do clã e um importante empresário euroasiático de Hong Kong. Com isso, o jovem Bruce Lee cresceu num ambiente rico e privilegiado. Também pelo lado materno, Bruce Lee era familiar de Stanley Ho, um importante magnata de casinos de Macau.
1940 a 1958: Primeiros papéis, estudo e iniciação nas artes marciais
O pai de Lee, Lee Hoi-chuen, foi uma famosa estrela da ópera cantonesa. Como resultado, o jovem Lee foi apresentado ao mundo do cinema desde muito jovem e apareceu em vários filmes quando criança. Lee teve seu primeiro papel como bebê, no filme Golden Gate Girl. Aos nove anos, ele coestrelou com seu pai em The Kid (1950), baseado em um personagem de quadrinhos. Foi seu primeiro papel principal. Quando Lee completou 18 anos, já tinha aparecido em 20 filmes.
Depois de estudar na Tak Sun School (ficava a dois quarteirões de sua casa, na 218 Nathan Road, Kowloon), Lee entrou numa rígida escola de ensino médio, a La Salle College, entre 1950 e 1952 (com 12 anos). Em 1956, devido ao fraco desempenho acadêmico e possivelmente a uma má conduta, foi transferido para o St. Francis Xavier's College, onde seria orientado pelo irmão Edward, professor e treinador da equipe de boxe da escola.
Depois que Lee se envolveu em várias lutas de rua, seus pais decidiram que ele precisava ser treinado em artes marciais. O amigo de Lee, William Chemung, o apresentou a Yip Man, mas ele foi rejeitado por causa da regra de longa data no mundo das artes marciais chinesas de não ensinar estrangeiros. Sua formação de um quarto alemã por parte de sua mãe seria um obstáculo inicial para seu treinamento de Wing Chun; no entanto, Cheung o recomendou, e Lee foi aceito na escola. Lee começou a treinar Wing Chun com Yip Man. Yip tentou evitar que seus alunos lutassem nas gangues de rua de Hong Kong, incentivando-os a lutar em competições organizadas. Depois de um ano de treinamento de Wing Chun, a maioria dos outros alunos de Yip Man se recusou a treinar com Lee porque soube da sua ascendência mista (os chineses eram contra o ensino de suas técnicas de artes marciais a não asiáticos). O sparring de Lee, Hawkins Cheung, afirma: "Provavelmente, menos de seis pessoas em todo o clã Wing Chun foram ensinadas pessoalmente, ou mesmo parcialmente ensinadas, por Yip Man". No entanto, Lee mostrou um grande interesse no Wing Chun e continuou a treinar em particular com Yip Man, William Cheung e Wong Shun-leung.
Em 1958, Bruce Lee venceu o Torneio Interescolar de Boxe de Hong Kong, eliminando o campeão anterior, Gary Elms, na final. Também foi dançarino, tendo vencido o Campeonato de Chá-chá-chá da Colônia da Coroa Britânica (Hong Kong) no mesmo ano.
1959 a 1964: Estudos contínuos e descoberta das artes marciais
Até o final da adolescência, as brigas de rua de Lee se tornaram mais frequentes e incluíam bater no filho de uma temida tríade familiar. Em 1958, depois que alunos de Choy Li Fut, uma escola rival de artes marciais, desafiaram a escola de Wing Chun de Lee, ele se envolveu em uma luta em um telhado. Em resposta a um soco injusto de outro menino, Bruce espancou-o tanto que ele arrancou um dente, levando os pais do menino a uma queixa à polícia. A mãe de Lee teve que ir a uma delegacia de polícia e assinar um documento dizendo que ela assumiria total responsabilidade pelas ações de Bruce se eles o libertassem sob sua custódia. Embora não tenha mencionado o incidente ao marido, ela sugeriu que Bruce, sendo cidadão americano, voltasse para os Estados Unidos. O pai de Lee concordou, já que as perspectivas de Lee na faculdade, caso ele permanecesse em Hong Kong, não eram muito promissoras.