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Bronisław Malinowski

Antropólogo polaco e etnógrafo baseado em Inglaterra e nos EUA (1884-1942)

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Bronisław Kasper Malinowski (Cracóvia, 7 de abril de 1884 – New Haven, 16 de maio de 1942) foi um antropólogo e etnólogo polaco-britânico cujos escritos sobre etnografia, teoria social e pesquisa de campo exerceram uma influência duradoura na disciplina de antropologia.

Malinowski nasceu no que fazia parte da divisão austríaca da Polônia. Ele se formou no CK III Gimnazjum im. Rei Jan Sobieski em Cracóvia. Nos anos 1902–1906 estudou no departamento de filosofia da Universidade Jaguelônica, na cidade de Cracóvia, e lá recebeu seu doutorado em 1908. Em 1910, na London School of Economics (LSE), trabalhou em intercâmbio e economia, analisando a Austrália aborígene por meio de documentos etnográficos. Em 1914, ele viajou para a Austrália. Conduziu pesquisas nas Ilhas Trobriand e em outras regiões da Nova Guiné e da Melanésia onde permaneceu por vários anos, estudando culturas indígenas.

Retornando à Inglaterra após a Primeira Guerra Mundial, publicou sua principal obra, Argonautas do Pacífico Ocidental (1922), que o estabeleceu como um dos antropólogos mais importantes da Europa. Assumiu cargos como conferencista e posteriormente como catedrático de antropologia na LSE, atraindo grande número de estudantes e exercendo grande influência no desenvolvimento da antropologia social britânica. Ao longo dos anos, ele lecionou em diversas universidades americanas; quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, ele permaneceu nos Estados Unidos, assumindo um cargo na Universidade Yale. Ele morreu em 1942 e foi enterrado nos Estados Unidos. Em 1967, sua viúva, Valetta Swann, publicou seu diário pessoal mantido durante seu trabalho de campo na Melanésia e na Nova Guiné. Desde então, tem sido fonte de controvérsia, devido à sua natureza etnocêntrica e egocêntrica.

A etnografia das Ilhas Trobriand de Malinowski descreveu a complexa instituição do anel Kula e tornou-se fundamental para teorias subsequentes de reciprocidade e troca. Ele também foi amplamente considerado um eminente pesquisador de campo, e seus textos sobre métodos antropológicos de campo foram fundamentais para a antropologia inicial, popularizando o conceito de observação participante. Sua abordagem da teoria social era uma forma de funcionalismo psicológico que enfatizava como as instituições sociais e culturais atendem às necessidades humanas básicas — uma perspectiva oposta ao funcionalismo estrutural de Alfred Radcliffe-Brown, que enfatizava as maneiras pelas quais as instituições sociais funcionam em relação à sociedade como um todo.

Malinowski, descendente da szlachta (nobreza polaca), nasceu em 7 de abril de 1884 em Cracóvia, na partição austríaca da antiga Comunidade Polaco-Lituana — então parte da província austro-húngara conhecida como Reino da Galiza e da Lodoméria. Seu pai, Lucjan Malinowski, era professor de filologia eslava na Universidade Jaguelônica, e sua mãe era filha de uma família de proprietários de terras. Quando criança, ele era frágil, muitas vezes com problemas de saúde, mas se destacava academicamente. Em 30 de maio de 1902, ele passou nos exames de matura (com distinção) na Escola Secundária Jan III Sobieski e, mais tarde naquele ano, começou a estudar na Faculdade de Filosofia da Universidade Jaguelônica de Cracóvia, onde inicialmente se concentrou em matemática e ciências físicas.

Enquanto frequentava a universidade adoeceu gravemente (possivelmente com tuberculose) e, enquanto recuperava, o seu interesse voltou-se mais para as ciências sociais ao fazer cursos de filosofia e educação. Em 1908 ele recebeu um doutorado em filosofia pela Universidade Jaguelônica; sua tese foi intitulada Sobre o Princípio da Economia do Pensamento.

Durante os seus anos de estudante interessou-se por viajar para o estrangeiro, e visitou a Finlândia, a Itália, as Ilhas Canárias, a Ásia Ocidental e o Norte de África; algumas dessas viagens foram, pelo menos em parte, motivadas por questões de saúde. Ele também passou três semestres na Universidade de Leipzig (c. 1909-1910), onde estudou com o economista Karl Bücher e o psicólogo Wilhelm Wundt. Depois de ler The Golden Bough, de James Frazer, ele decidiu se tornar um antropólogo.

Em 1910, foi para Inglaterra, tornando-se estudante de pós-graduação na London School of Economics (LSE), onde teve como mentores C. G. Seligman e Edvard Westermarck.

Em 1911 Malinowski publicou, em polonês, seu primeiro artigo acadêmico, "Totemizm i egzogamia" ("Totemismo e Exogamia"), em Lud. No ano seguinte ele publicou seu primeiro artigo acadêmico em inglês, e em 1913 seu primeiro livro, A Família Entre os Aborígenes Australianos. No mesmo ano deu suas primeiras palestras na LSE, sobre temas relacionados à psicologia da religião e à psicologia social.

Em junho de 1914 ele partiu de Londres, viajando para a Austrália, como o primeiro passo de sua expedição à Papua (no que mais tarde se tornaria a Papua-Nova Guiné). A expedição foi organizada sob a égide da Associação Britânica para o Avanço da Ciência (BAAS). Inicialmente, a viagem de Malinowski à Austrália deveria durar apenas cerca de meio ano, já que ele planejava principalmente participar de uma conferência lá, e viajou para lá na qualidade de secretário de Robert Ranulph Marett. Pouco depois, sua situação complicou-se devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Embora polonês por etnia, era súdito da Áustria-Hungria, que estava em guerra com o Reino Unido. Malinowski, em risco de internamento, decidiu, no entanto, não regressar à Europa a partir da região controlada pelos britânicos, e após a intervenção de vários dos seus colegas, incluindo Marett e Alfred Cort Haddon, as autoridades britânicas permitiram-lhe permanecer na região da Austrália e até lhe forneceu novos financiamentos.

A sua primeira viagem de campo, que durou de agosto de 1914 a março de 1915, levou-o à ilha de Toulon (ilha Mailu) e à ilha Woodlark. Esta viagem de campo foi descrita em sua monografia de 1915, Os Nativos de Mailu. Posteriormente, ele conduziu pesquisas nas Ilhas Trobriand, na região da Melanésia. Ele organizou duas expedições maiores naquela época; de maio de 1915 a maio de 1916 e de outubro de 1917 a outubro de 1918, além de diversas excursões mais curtas. Foi durante este período que ele conduziu seu trabalho de campo no anel Kula (um sistema de troca cerimonial conduzido pelos nativos que estudou) e avançou a prática da observação participante, que continua sendo a marca registrada da pesquisa etnográfica hoje. A coleção etnográfica de artefatos de suas expedições é mantida principalmente pelo Museu Britânico e pelo Museu de Melbourne. Durante os intervalos entre suas expedições ele permaneceu em Melbourne, escrevendo suas pesquisas e publicando novos artigos, como Baloma; os Espíritos dos Mortos nas Ilhas Trobriand. Em 1916 recebeu o título de Doutor em Ciências.

Em 1919, ele retornou à Europa, permanecendo em Tenerife por mais de um ano antes de retornar à Inglaterra em 1920 e finalmente a Londres em 1921. Ele retomou o ensino na LSE, aceitando um cargo de professor, recusando uma oferta de emprego da Universidade Jaguelônica Polaca. No ano seguinte, seu livro Argonautas do Pacífico Ocidental, muitas vezes descrito como sua obra-prima, foi publicado. Pelas próximas duas décadas, ele estabeleceria a LSE como o principal centro de antropologia da Europa. Em 1924 foi promovido a leitor, e em 1927, professor catedrático (professor fundador de Antropologia Social). Em 1930 tornou-se membro estrangeiro correspondente da Academia Polaca de Artes e Ciências. Em 1933, tornou-se membro estrangeiro da Real Academia Holandesa de Artes e Ciências. Em 1934 ele viajou para a África Oriental Britânica e a África Austral, realizando pesquisas entre diversas tribos como os bembas, quicuios, maragolis, massais e suázis. O período 1926-1935 foi o período mais produtivo de sua carreira, vendo a publicação de muitos artigos e vários outros livros.

Malinowski ensinou intermitentemente nos Estados Unidos, que visitou pela primeira vez em 1926 para estudar os hopis. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu durante uma de suas visitas aos Estados Unidos, ele ficou lá. Ele se tornou um crítico ferrenho da Alemanha nazista, argumentando que ela representava uma ameaça à civilização, e instou repetidamente os cidadãos dos EUA a abandonarem sua neutralidade; seus livros foram devidamente proibidos na Alemanha. Em 1941 ele realizou pesquisas de campo entre os camponeses mexicanos em Oaxaca. Ele assumiu um cargo na Universidade Yale como professor visitante, onde permaneceu até sua morte. Em 1942 ele co-fundou o Instituto Polaco de Artes e Ciências da América, do qual se tornou seu primeiro presidente.

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