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Brigitte Bardot

Atriz e ativista francesa (1934–2025)

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Brigitte Anne-Marie Bardot (Paris, 28 de setembro de 1934 – Saint-Tropez, 28 de dezembro de 2025), frequentemente referida também por suas iniciais "B.B.", foi uma atriz, modelo e ativista francesa. Famosa por interpretar personagens emancipados e hedonistas, foi considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 1950 e 1960. Figura feminina de destaque durante esse período, Bardot tornou-se mundialmente conhecida em 1957, após protagonizar o polêmico filme E Deus Criou a Mulher, trabalho que foi censurado em muitos países e a catapultou a um nível de fama internacional até então inédito para uma atriz de língua estrangeira atuando fora de Hollywood. Ela trabalhou com diversos cineastas renomados interpretando personagens com elegância e sensualidade fotogênica. Seu estilo de vida liberal e inconformista na Europa do pós-guerra, também chamou atenção de muitos intelectuais franceses e despertou grande interesse público. Simone de Beauvoir, em sua obra de 1959 intitulada A Síndrome de Lolita e baseando-se em temas existencialistas, descreveu Bardot como "uma locomotiva da história das mulheres".

Mesmo sem ganhar importantes prêmios do cinema durante sua carreira, com exceção de um David di Donatello, em 1961, e uma indicação ao BAFTA, em 1967, Bardot causava histeria na imprensa internacional e era uma das poucas atrizes não americanas de sua época que recebiam grande atenção da mídia dos Estados Unidos, onde surgiu o termo "Bardot mania" para descrever a adoração e o frenesi que sua imagem causavam. Além disso, seu visual marcante, com cabelos longos e loiros, seu estilo de vestir e seu lifestyle influenciaram a moda e o comportamento das gerações rebeldes dos anos 1950 e 1960 e a transformaram em um ícone pop.

Depois de encerrar sua carreira de atriz em 1974, pouco antes de completar 40 anos, Bardot passou a dedicar o seu tempo na defesa dos direitos dos animais, liderando campanhas internacionais e erguendo a Fundação Brigitte Bardot, em 1986. Sua popularidade sofreu declínio no final da década 1990 e nos anos 2000, quando ela enfrentou uma série de processos e condenações na justiça francesa por suas posições hostis ao Islã na França e o sacrifício de animais em seus rituais. Apesar disso, seu legado no cinema continuou inspirando a moda e muitos artistas da contemporaneidade, a fazendo permanecer uma figura ilustre do cenário cultural francês.

Ela foi eleita pela revista TIME como um dos cem nomes mais influentes da história da moda, enquanto a Los Angeles Times Magazine a listou como a segunda mulher mais bonita do cinema. Bardot também é um dos membros do Global 500 Roll of Honour e em 1985 foi premiada com a Legião de Honra Francesa, mas causou polêmica ao recusar o prêmio. Em 1995, o The Times a colocou com destaque na lista dos "1000 nomes que fizeram o século XX".

Após muitos anos de reclusão e afastada da mídia em meio aos seus animais resgatados, Bardot faleceu no dia 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos, em sua famosa propriedade La Madrague, em Saint-Tropez, no sul da França, vítima de um câncer.

Brigitte Bardot nasceu no dia 28 de setembro de 1934, em um apartamento localizado na Place Violet, no 15.º arrondissement de Paris. Sua juventude foi marcada por uma educação muito rigorosa. Em entrevista ao jornalista Jean Cau, ela atribuiu seu espírito rebelde à educação que recebeu: "Fui criada por pais de direita, de uma burguesia austera, que me deram uma educação católica bastante rigorosa. Eu conhecia o chicote. Era supervisionada por uma governanta. Nunca saía sozinha na rua. Fui muito bem mantida até os quinze anos".

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Paris foi ocupada pela Alemanha Nazista, Bardot passou mais tempo em casa devido a vigilância civil cada vez mais rigorosa. Nesta época, ela se interessou por dança, que sua mãe via como potencial para uma carreira de bailarina. Bardot foi admitida aos sete anos de idade na escola particular Cours Hattemer. Ela frequentava a escola três dias por semana, o que lhe dava tempo suficiente para ter aulas de dança em um estúdio local, sob os arranjos de sua mãe. Em 1947 foi aceita no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris, onde cursou as aulas de balé por três anos, ministradas pelo coreógrafo russo Boris Knyazev, onde também foi colega e se tornou amiga de Leslie Caron.

Com o apoio e incentivo da mãe começou a fazer trabalhos de moda, em 1949, aos quinze anos, e em 1950 foi contratada pela revista francesa Elle para ser modelo da coleção juvenil, sendo capa da edição de março daquele ano. A fundadora da revista, Hélène Gordon-Lazareff, pertencia ao círculo de amizades da mãe de Brigitte em Paris. A capa Elle chamou a atenção do então jovem cineasta Roger Vadim, que mostrou o trabalho ao cineasta e roteirista Marc Allégret, que convidou Brigitte para um teste para seu filme Les lauriers sont coupé. Bardot foi escolhida para o papel, mas o filme acabou não sendo realizado. Mesmo assim, esta oportunidade fez com que ela pensasse em se tornar atriz. Mais do que isso, seu encontro com Vadim, que assistiu ao teste, iria influenciar sua carreira e sua vida.

Depois de aparecer na capa da revista Elle novamente, Bardot recebeu seu primeiro papel no cinema pelo diretor Jean Boyer, no filme Le Trou Normand, em 1952, aos dezessete anos de idade. Em sua autobiografia, ela contou que resistiu em aceitar esse pequeno papel por causa do dinheiro e que também não guardava boas lembranças das filmagens, devido à sua inexperiência diante das câmeras. Em dezembro de 1952, após dois anos de namoro à revelia dos pais, ela casou-se com Roger Vadim na igreja Notre-Dame-de-Grâce de Passy, em Paris, indo morar com ele a partir de então. Apesar da insegurança que sofreu durante as gravações de seu primeiro filme, ela continuou tentando novos trabalhos e, no mesmo ano, conseguiu seu segundo papel em Manina, la fille sans voile, dirigido por Willy Rozier — filme que fez seu pai recorrer à Justiça para tentar impedir que as cenas de biquíni fossem levadas ao cinema, sem sucesso.

Roger Vadim não estava contente com o pouco sucesso dos primeiros filmes e achava que Brigitte estava sendo subestimada pela indústria. A nouvelle vague francesa, inspirada no neorrealismo italiano, estava começando a crescer internacionalmente e ele, acreditando que Bardot poderia estrelar filmes desta categoria, a escalou para o papel principal de sua nova produção, Et Dieu... créa la femme (1956), com a então jovem sensação masculina do cinema francês, Jean-Louis Trintignant. O filme, sobre uma adolescente amoral numa pequena e respeitável cidade do litoral, fez um grande sucesso e causou escândalo mundial, especialmente pela forma como abordou a sexualidade. Quando chegou aos Estados Unidos o filme estourou as receitas, transformando Bardot em um fenômeno da noite para o dia com suas cenas de biquíni percorrendo as telas de cinema do mundo todo. No entanto, o filme sofreu fortes censuras e chegou a ser proibido em alguns países, sendo condenado pela Liga da decência católica. Na Europa, a imprensa conservadora reagiu violentamente contra a obra, estampando em suas capas manchetes com a foto de Bardot e usando termos como "sujeira", "vulgaridade", "besta" e chamando-a de "A heroína pitoyable" (expressão em francês para algo ruim, lastimável, patético e sem valor). Houve ainda magnatas da época e movimentos religiosos que se articularam para tentar banir ela definitivamente dos cinemas. Durante a abertura da Exposição Universal de Bruxelas em 1958, o pavilhão do Vaticano, decorado com o tema dos sete pecados capitais, ilustrou a luxúria com um outdoor de fotos de Bardot, o que precisou de uma intervenção dos advogados dela e do governo francês para ser removido.

Durante a década de 1960, quando a Europa, principalmente Londres e Paris, começou a ser o novo centro irradiador de moda e comportamento e Hollywood saiu por um tempo da luz dos holofotes, ela acabou eleita a deusa sexual da década. Verdadeiro ou falso, nesta época se dizia que Brigitte Bardot era mais importante para a balança comercial francesa que as exportações da indústria automobilística do país, sendo apelidada por Charles de Gaulle como "A exportação francesa mais importante que os carros da Renault".

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