Botsuana ou Botswana, anteriormente Bechuana, oficialmente República do Botsuana (em inglês: Republic of Botswana; em tsuana: Lefatshe la Botswana), é um país sem costa marítima da África Austral. Anteriormente um protetorado britânico chamado Bechuanalândia, adotou seu novo nome após tornar-se independente, em 30 de setembro de 1966. Desde sua independência, o país teve governos democráticos e eleições ininterruptas, sem sofrer qualquer golpe de estado. Sua capital é Gaborone, que é também a maior cidade do país.
O relevo de Botsuana é plano e sua superfície é coberta em até 70% pelo deserto de Calaári. Faz fronteira com a África do Sul a sul e sudeste, com a Namíbia a oeste e ao norte e com o Zimbábue a nordeste. Sua fronteira com a Zâmbia ao norte, perto de Kazungula, não é bem definida, mas uma curta faixa de aproximadamente 750 metros, ao longo do rio Zambeze, com travessia feita por ferry-boat, é comumente usada para marcar a fronteira com este país.
O Botsuana é um dos países mais escassamente povoados no mundo, sendo habitado por pouco mais de 2 milhões de habitantes. Quando conquistou a independência do Reino Unido, em 1966, a nação era a segunda mais pobre do mundo, com um PIB per capita de cerca de 70 dólares por ano. Desde então, o Botsuana transformou-se numa das economias de mais rápido crescimento no continente, com um PIB per capita de cerca de 16,4 mil dólares em 2013, um alto rendimento nacional bruto, o quarto maior da África, dando ao país um padrão de vida modesto.
O Botsuana é país membro da União Africana, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, da Comunidade de Nações e das Nações Unidas. Apesar de sua estabilidade política e relativa prosperidade socioeconômica, o país está entre os mais atingidos pela epidemia do HIV/AIDS, sendo estimado que cerca de um quarto da população local seja soropositiva.
Os primeiros exploradores ocidentais, a partir do final do século XVIII, deram à região o nome de um povo local, chamando-a de Bechuanaland (em português, "Bechuanalândia"), "Bechuana" sendo a corruptela anglicizada de nome formado, na língua local, pelo prefixo bo (país) ou ba (povo) e pelo radical Tswana (nome de um povo soto dos bantos meridionais), acrescentado, pelos ingleses, do sufixo inglês land ("terra"). A designação colonial foi substituída pela forma oficial "Botswana" após a independência do país.
Aportuguesamentos e outras grafias
A forma vernácula do nome do país em português preconizada pelo Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora, bem como pelo Portal da Língua Portuguesa e pelos dicionários brasileiros Houaiss e Aurélio, pelo dicionário português Priberam, pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e pela Comissão Europeia é "Botsuana" (substituindo o "w" da grafia original por "u" na forma em português). Por outro lado, a grafia original, "Botswana", também encontra respaldo em dicionaristas e em diferentes veículos de comunicação e autores lusófonos. Os gentílicos para o país são botsuano, botswano, botsuanense ou botsuanês, ademais das alternativas bechuano e botsuanense.
A história do Botswana é marcada pela influência da África do Sul. Protetorado britânico desde 1885 com o nome de Bechuanalândia (em inglês, "Bechuanaland"), em 30 de setembro de 1966 a nação declara-se independente e passa a se chamar "Botsuana" (em inglês, "Botswana").
O presidente Seretse Khama governou o país desde a independência até sua morte, em 1980, sendo sucedido pelo vice, Ketumile Masire. Realiza eleições regulares desde então e é considerado exemplo de estabilidade política no continente. Como um dos países que se opuseram ao regime de segregação racial na África do Sul, foi alvo de incursões do Exército sul-africano, sob acusação de abrigar guerrilheiros do Congresso Nacional Africano. A partir de 1990, as relações bilaterais melhoram, com o fim do apartheid.
Na década de 1980, o produto interno bruto (PIB) cresce à média anual de 10,3%. A seca e a recessão mundial do início dos anos 90 levam o país à depressão econômica e revelam sua dependência da mineração, responsável por 70% das receitas de exportação. Em 1998, após quatro mandatos, o presidente Quett Masire, do Partido Democrático do Botswana (BDP), retira-se da política e é substituído pelo vice, Festus Mogae. O BDP (no poder desde a independência) vence as eleições parlamentares de 1999, e a Assembleia Nacional ratifica Mogae para presidente.
Em março de 2008, ao completar dez anos no poder, Mogae renunciou ao cargo e foi substituído pelo vice-presidente, Ian Khama, filho do primeiro presidente.
O Botswana situa-se numa zona árida do interior da África meridional. É um país bastante plano, ocupado quase por completo por um planalto com altitudes entre os 700 e os 1,2 mil m, aumentando um pouco a rugosidade do terreno na extremidade oriental. O deserto do Calaári ocupa o sudoeste do país, e a norte a depressão de Mababe é parcialmente ocupada pelo delta do Cubango, onde termina o curso do rio Cubango, proveniente da Namíbia. O principal rio é, no entanto, o Limpopo, que constitui parte da fronteira sul, com a África do Sul. É onde este rio abandona o país, na ponta oriental, que se localiza o ponto mais baixo do Botswana, a uma altitude de 513 m. O ponto mais elevado são as Montanhas Tsodilo, que sobem a 1 489 m.
O clima varia de desértico a semiárido, com invernos suaves e verões quentes.
Botswana tem diversas áreas protegidas para animais selvagens. Além das áreas do delta e do deserto, existem campos e savanas, onde gnu-azul, antílopes e outros mamíferos e aves são encontradas. O norte do país tem uma das poucas grandes populações remanescentes grandes populações do cão-selvagem-africano, espécie ameaçada de extinção. O Parque Nacional de Chobe, localizado no distrito de Chobe, tem a maior concentração do mundo de elefantes-africanos. O parque abrange cerca de 11 mil km² e abriga cerca de 350 espécies de aves.
O Parque Nacional Chobe e a Reserva de Caça de Moremi (no Delta do Cubango) são importantes destinos turísticos. Outras reservas incluem a Reserva de Caça do Centro do Calaári, localizada no deserto de Calaári, distrito de Ghanzi; Parque Nacional do Salar de Macadicadi e Parque Nacional do Salar de Nxai, no distrito Central. A Reserva de Caça de Mashatu é de propriedade privada, localizada no encontro do rio Shashe com o rio Limpopo, no leste Botswana. A outra reserva de propriedade privada é a Reserva Natural de Mokolodi, perto de Gaborone. Há também santuários especializados como o Santuário Khama Rhino (para rinocerontes) e o Santuário Macadicadi (para flamingos), ambos localizados no distrito Central.
Os principais grupos étnicos do Botswana são (em ordem) os tsuanas, os calangas, os sãs, entre outros. Outros grupos étnicos no Botswana incluem brancos e indianos, que são considerados poucos. A população indiana do Botswana é composta por indiano-africanos de várias gerações que vieram do Quênia, Zâmbia, Tanzânia, Maurício, África do Sul, assim como imigrantes indianos de primeira geração. A população branca é nativa do Botswana ou de outras partes da África incluindo Zimbábue, Zâmbia e África do Sul. A população branca fala inglês ou africâner e compõe 1% da população.
Botswana, assim como a maioria dos países do sul da África, sofre com uma grande taxa de infecção por AIDS, que foi 38,8% para adultos em 2002. Em 2003, o governo começou um programa para erradicar a AIDS. O programa consiste em distribuir remédios baratos ou grátis para reduzir o impacto do vírus sobre a saúde dos infectados.
Quanto à religião, segundo o World Factbook, da CIA, a população dividia-se em 2001 aquando dos últimos censos, de acordo com as suas filiações religiosas da seguinte forma: