Boris Vladimirovich da Rússia (em russo: Борис Владимирович), (24 de Novembro de 1877- 9 de Novembro de 1943) foi um dos filhos do grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia, neto do czar Alexandre II da Rússia e primo direito do czar Nicolau II. Seguiu uma carreira militar e era general-major do Exercito Russo. Participou na Guerra Russo-Japonesa e na Primeira Guerra Mundial. Um sedutor notório, conseguiu escapar à revolução russa. Em exílio casou-se com a sua amante e passou o resto da vida em Paris.
O grão-duque Boris Vladimirovich nasceu no dia 24 de Novembro de 1877 em São Petersburgo, o terceiro entre os cinco filhos do grão-duque Vladimir Alexandrovich da Rússia e da sua esposa, a grã-duquesa Maria Pavlovna, nascida duquesa Maria Alexandrina de Mecklemburgo-Schwerin. Os pais de Boris eram muito ricos e viviam em pleno esplendor no seu luxurioso Palácio de Vladimir em São Petersburgo. O seu pai Vladimir, um irmão do czar Alexandre III da Rússia, eram um promotor das artes de renome e a sua mãe, Maria Pavlovna, era uma das maiores anfitriãs da sociedade russa. Boris, mais extrovertido do que os seus irmãos, era o favorito da mãe.
Era tradição que os membros masculinos da família Romanov seguissem uma carreira militar. Desde o seu nascimento, o grão-duque Boris foi nomeado patrão do regimento da 45º Infantaria de Azov e entrou nos Guardas de Semeonovsky e nos Guardas do Regimento do Dragão, um dos regimentos de guarda pessoal da família imperial. A sua educação deu especial importância às línguas e ao treino militar. Em 1896, com dezenove anos de idade, completou os seus anos na Escola de Cavalaria Nikolaievsky e no mesmo ano tornou-se ajudante-de-campo do imperador.
O grão-duque Boris vivia no seu próprio palácio em São Petersburgo, construído em 1895 no estilo de uma casa de campo inglesa. Desde os seus primeiros anos de juventude que Boris era conhecido pelo seu estilo de vida frenético. Muito social, gostava de beber e de se divertir. Preguiçoso, mas encantador, era alto e bonito com um sorriso divertido e uma voz rouca. Tornou-se um sedutor famoso, sem escrúpulos nas suas conquistas. Em 1896, durante as cerimónias de coroação do czar Nicolau II, namoriscou com a princesa-real Maria da Roménia que era sua prima direita e casada. No ano seguinte foi visitá-la a Bucareste, apimentando os rumores de que os dois tinham um caso amoroso. Também envolvido com Mademoiselle Demidov, foi a principal causa para o rompimento do seu noivado na noite do casamento. A famosa bailarina Ana Pavlovna foi uma das amantes de Boris. O grão-duque era considerado "o terror dos maridos ciumentos bem como das mães atentas".
Apesar de rico e privilegiado, por vezes o dinheiro de Boris não era suficiente e o grão-duque acumulou uma dívida de meio milhão de rublos com a sua mãe. Num ano gastava mais de 25 000 rublos para refeições, 16 000 para criados e 8 000 para automóveis, doando 46 rublos para a igreja. A sua mãe protegia-o da ira da família e não se importava com o que os outros, incluindo os Romanov, pensavam dele. A certa altura pediu a princesa Vitória Eugénia de Battenberg em casamento, mas além disso sempre fez os possíveis para evitar assentar. As suas viagens ao estrangeiro tornaram-se legendárias, assim como as suas escapadelas de gosto duvidoso. Bebia champanhe na companhia de alcoólicos e prostitutas.
Quando passou doze dias em Paris em 1901, tudo o que Boris se lembrava era de uma série de caras femininas distorcidas. De manha, depois de um pouco de conhaque, ele visitava os seus amigos em Bois de Boulogna, dando atenção ao lugar onde almoçaria e jantaria de seguida. O jantar era acompanhado de música e, à noite, era quando a verdadeira diversão começava.
Em 1901 teve um caso com uma francesa, Jeanne Aumont-Lacroix de quem teve um filho. A criança, Boris Lacroix, não foi reconhecida. Para acabar com a relação e reforçar a sua personalidade, os pais de Boris enviaram-no numa digressão mundial com a aprovação do czar.
No outono de 1901, Boris Vladimirovich deixou a Rússia com destino a Cannes onde viveu na casa do grão-duque Miguel Mikhailovich da Rússia. Iniciou a sua longa viagem em Janeiro de 1902 a bordo do navio alemão Bremen. Acompanhado por uma grande comitiva, visitou o Egipto, a Índia, o Sri Lanka, o Sião, a Indochina Francesa, o Japão, o Honolulu, a Califórnia, Chicago e Nova Iorque. Um dos pontos altos da sua viagem foi a visita ao marajá de Kapurthala no seu reino perto de Panjabe. Foi com ele caçar tigres e ficou para sempre na memória dos amigos que fez em Kapurthala. Durante a sua visita aos Estados Unidos foi notado em Chicago por beber champanhe da manga de cetim do Feiticeiro de Oz e por dar gorjetas de vinte dólares a dançarinas. Jovial e cada vez mais resoluto, Boris era famoso pelo seu comportamento selvagem e imprevisível, mas com o tempo estes excessos começaram a perder o encanto. Numa conversa com o seu irmão Cyril Boris disse que "depois de algum tempo, todas as mulheres são iguais, só muda a cara".
Em Outubro de 1903, Boris alistou-se na comitiva do czar. A 26 de Fevereiro trocou a Rússia pelo Oriente para participar na Guerra Russo-Japonesa. Na manhã de 31 de Março de 1904, enquanto cavalgava pelas colinas de Dacha, nas margens do Porto Artur, testemunhou a destruição do navio de guerra russo Petropavlovsk no qual morreram mais de 600 homens. O seu irmão Cyril contava entre os poucos sobreviventes. Em Dezembro de 1904, como recompensa pela sua coragem durante a batalha, recebeu uma arma de ouro com a inscrição "Por Coragem" e foi promovido a capitão do pessoal.
Em 1911 era já coronel. No mesmo ano representou o czar na coroação de Vajiravudh, o rei do Sião. Em 1914 tornou-se General-major.
Quando a Primeira Guerra Mundial rebentou, Boris Vladimirovich recebeu o comando do regimento de guardas dos Cossacos Atamanos. Era apenas uma posição nominal, pelo que conseguiu ficar longe das batalhas. Comandou este regimento durante a guerra entre 1914 e 1915. A partir de então foi incorporado no quartel-general onde se tornou Atamano de Campo do Comandante-em-Chefe a 17 de Setembro de 1915 e prestou serviço no exercito sem qualquer distinção. As suas responsabilidades militares eram apenas vagamente definidas e não mudou o seu estilo de vida durante a guerra, prosseguindo com os seus prazeres e preguiça.
Apesar da reputação de Boris, a sua mãe ambiciosa queria arranjar-lhe um casamento esplêndido. Em Fevereiro de 1916 tentou casa-lo com a grã-duquesa Olga Nikolaevna , a filha mais velha do czar Nicolau II, e a sua prima em segundo grau. Olga, demasiado protegida pelos seus pais, era uma menina inexperiente de vinte anos. Boris tinha trinta e oito anos e um longo historial de amantes ligado a ele. A czarina Alexandra Feodorovna recusou a proposta, afirmando numa carta ao marido: “A sua esposa seria arrastada para um cenário horrível (…) intrigas sem fim, maneiras e conversas levianas (…) um homem meio-gasto, blasé (…) de trinta e oito anos para uma menina pura e jovem dezoito anos mais nova do que ele, a viver numa casa na qual tantas mulheres já “partilharam” a sua vida! Uma menina inexperiente iria sofrer muito com um marido em quarta ou quinta mão ou mais!” A recusa provocou a ira da mãe de Boris. Maria Pavlovna e a sua família, os "Vladimirovich" tinham esquemas para derrubar o czar e tomar o poder para eles. Perto do final da monarquia, envolveram-se numa conspiração que colocaria o irmão de Boris, Cyril, no trono.
A anglofobia de Boris arranjou-lhe problemas durante a guerra. Em Junho de 1916, quando jantava no quartel militar, já bêbado e na presença de vários militares britânicos que apoiavam a Rússia, ridicularizou a Grã-Bretanha. O seu comportamento ofendeu-os tanto que o embaixador britânico escreveu um protesto formal e Boris foi obrigado pelo imperador a pedir desculpa.
Quando Nicolau II abdicou, Boris estava em Gatchina com o grão-duque Miguel Alexandrovich que recusou o trono. Isto marcou o fim da monarquia russa e Boris foi um dos poucos membros da família Romanov que foram até Monilev prestar um último tributo ao czar.