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Boaventura de Sousa Santos

Sociólogo português

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Boaventura de Sousa Santos GOSE (Coimbra, 15 de novembro de 1940) é um Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. Foi também diretor Emérito do Centro de Estudos Sociais e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Foi fundador e diretor do Centro de documentação 25 de Abril entre 1985 e 2011.

Boaventura de Sousa Santos nasceu em Coimbra. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1963. No final do curso, rumou a Berlim para estudar filosofia do direito. Fez uma pós-graduação e viveu a experiência dos dois mundos da guerra fria separados pelo Muro de Berlim. Dois anos depois, regressou a Coimbra e durante um breve período foi assistente da Faculdade de Direito. Em finais dos anos 1960, partiu para a Universidade de Yale com o objetivo de se doutorar. A sua tese de doutoramento, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos, Almedina), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro. Na Universidade de Coimbra, foi orientador de Luciana Zaffalon.

Foi um dos fundadores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra em 1973, onde veio a criar o curso de sociologia. Em meados da década de 1980, começou a assumir estruturalmente o papel de um investigador para quem a compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo. Fez investigação no Brasil, em Cabo Verde, em Macau, em Moçambique, na África do Sul, na Colômbia, na Bolívia, no Equador e na Índia. Viaja por múltiplos lugares, dando aulas e palestras e alargando o seu leque de experiências de aprendizagem. Foi um dos principais impulsionadores do Fórum Social Mundial. O espírito que envolve o Fórum é fundamental nos seus estudos da globalização contra-hegemónica, mas também na promoção da luta pela justiça cognitiva global que subjaz ao seu conceito de Epistemologias do Sul.

Dirigiu o ALICE, Espelhos Estranhos, Lições Imprevistas, um projeto que pretendeu dar continuidade à Reinvenção da Emancipação Social, repensando e renovando o conhecimento científico-social à luz das Epistemologias do Sul, com o objetivo de desenvolver novos paradigmas teóricos e políticos de transformação social.

Tem trabalhos publicados sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos. Os seus trabalhos encontram-se traduzidos em espanhol, inglês, italiano, francês e alemão.

Dos seus conceitos fundamentais, destacam-se a sociologia das ausências, a sociologia das emergências, a ecologia de saberes, a linha abissal, o pensamento pós-abissal, o epistemicídio, a interlegalidade, o Estado heterogéneo, a razão indolente, a razão metonímica e o fascismo social.

Também é poeta, autor do livro Escrita INKZ: antimanifesto para uma arte incapaz.

Participou da coordenação científica dos seguintes Programas de Doutoramento do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

- Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI;

- Pós-Colonialismos e Cidadania Global.

A sociedade portuguesa perante os desafios da globalização;

Reinventar a emancipação social: para novos manifestos.

Um dos eixos centrais da obra de Boaventura de Sousa Santos são as “Epistemologias do Sul”, conceito formulado por ele em 1995 e que, mais tarde, foi sendo desenvolvido em muitos livros e discursos, como, por exemplo, os proferidos imediatamente antes do Fórum Social Mundial de 2011,[carece de fontes?] em Dakar (Senegal). Este conceito, pedra angular da sua obra, refere-se à destruição, ao desprezo e à invisibilização dos conhecimentos e dos saberes que se verificou nos últimos séculos por parte do sistema epistémico eurocêntrico dominante.

O seu quadro salienta, assim, a interligação entre estas hegemonias e conceitos como o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado, que apenas aumentaram a desigualdade universal. Em particular, sublinha que, sem reconhecer e valorizar as diversas formas de conhecimento existentes no mundo e sem ouvir as classes e os grupos sociais que sofreram sistematicamente a discriminação e a opressão causadas pelo capitalismo e pelo colonialismo, a justiça social não pode ser alcançada. Só através da promoção de alianças interculturais de conhecimento e de luta contra a opressão é que Boaventura de Sousa Santos acredita ser possível uma sociedade global mais justa e inclusiva.

No entanto, através da sua obra, Boaventura de Sousa Santos pretende incluir uma nuance importante para a compreensão das Epistemologias do Sul, que é o facto de o Sul (“território silenciado”) não dever ser entendido apenas como o território que se situa geograficamente abaixo da Europa e da América do Norte. Existe também um Sul no Norte, tal como existem grupos marginalizados e oprimidos na Europa e na América do Norte. Da mesma forma, há um Norte no Sul, constituído pelas elites locais que beneficiam do capitalismo global.

Para além do exposto, e de forma a compreender o trabalho que desenvolve, existem algumas ideias-chave subjacentes às Epistemologias do Sul:

A compreensão do mundo é muito mais ampla do que a compreensão ocidental do mundo e a interpretação eurocêntrica do mesmo.

A ciência moderna é um conhecimento válido, mas não é o único conhecimento válido.

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