Boa Vista é um município brasileiro e capital do estado de Roraima, Região Norte do país. Concentrando cerca de dois terços dos habitantes do estado, situa-se na margem direita do rio Branco. Sua população, de acordo com o Censo 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 470 169 habitantes. É sede da Região Metropolitana de Boa Vista, além de ser a capital estadual mais setentrional do Brasil e a única localizada totalmente ao norte da linha do Equador e a mais distante de Brasília, capital federal.
Moderna, a cidade se destaca pelo traçado urbano organizado de forma radial, planejado no período entre 1944 e 1946 pelo engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson. O seu projeto foi inspirado por cidades europeias, como Paris, e também em uma das primeiras cidades projetadas do país, Belo Horizonte. As principais avenidas do Centro da cidade convergem para a Praça do Centro Cívico Joaquim Nabuco, onde se concentram as sedes dos poderes executivo, legislativo e judiciário estaduais, além de pontos culturais (teatros e palácios), hotéis, bancos, correios e catedral diocesana.
O município de Boa Vista formou o primeiro povoamento caracteristicamente urbano da região do atual estado de Roraima. O Forte São Joaquim (localizado a 32 km da capital), fundado em 1775, deu considerável importância à região.
Boa Vista foi fundada no século XIX, em 1830, pelo capitão Inácio Lopes de Magalhães. Originou-se de uma das inúmeras fazendas de gado situadas ao longo dos rios que compõem a bacia do rio Branco pertencente à jurisdição da então vila de "São José da Barra do Rio Negro", atual Manaus.
Em 1858 a povoação foi elevada a categoria paroquial com a denominação de freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Rio Branco e em 9 de julho de 1890 a freguesia foi elevada à categoria de vila, sede de um novo município denominado Boa Vista do Rio Branco, criado pelo então governador da Província do Amazonas, Augusto Ximeno Villeroy. A área municipal da vila de Boa Vista foi desmembrada do antigo município amazonense de Moura.
Em plena Segunda Guerra Mundial, em 1944, tornou-se a capital do recém-criado Território Federal do Rio Branco e experimentou seu surto de crescimento devido ao garimpo. O então Território Federal do Rio Branco, que em 1962 passou a se chamar Território Federal de Roraima, foi elevado à categoria de Estado, com o mesmo nome de "Roraima" pela Constituição de 1988. Mais tarde o garimpo com máquinas foi proibido (por demasiados danos à natureza), o que prejudicou a economia estadual e municipal.
Quando a cidade pertencia ao Amazonas, o território do município ocupava parte da área correspondente ao atual estado de Roraima, sendo a parte sul do Estado integrante do município de Moura da Serra. Posteriormente foi dividida em dois municípios, com o surgimento de Catrimani (que nunca foi criado). Outros municípios foram sendo emancipados e Boa Vista passou a ocupar seu atual território.
Boa Vista situa-se na porção centro-oriental do estado. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Boa Vista. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Boa Vista, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Norte de Roraima.
Com uma área de 5117,9 km² (que corresponde a 2,54% do estado), limita-se com Pacaraima a norte, Normandia a nordeste, Bonfim a leste, Cantá a sudeste, Mucajaí a sudoeste, Alto Alegre a oeste e Amajari a noroeste. São áreas indígenas são 1447,35 Km² do município (o que corresponde a 25,33% do território total).[carece de fontes?]
É um município plano em quase sua totalidade, o que favorece seu status de organização. Apenas 10% de suas terras possuem uma pequena inclinação (inclusas as áreas de planície fluvial inundável). Os principais solos encontrados em Boa Vista são: latossolo amarelo; areia quartzosa hidromórfica; litólicos; latossolo vermelho escuro; areia quartzosa; solos hidromórficos cinzentos e latossolo vermelho-amarelo.[carece de fontes?]
Os principais rios que compõem sua hidrografia são o Branco, Tacutu, Uraricoera, Amajari e Cauamé (que originou o nome de um bairro). A bacia do rio Branco possui um regime hidrográfico caracterizado por um período de cheia e outro de seca. No primeiro, de março a setembro, áreas situadas próximas à margem costumam ser alagadas. No período de seca as águas baixam, diminuindo a navegabilidade do rio Branco e formando belas praias fluviais, bastante frequentadas pela população.[carece de fontes?]
O clima de Boa Vista é considerado tropical úmido (tipo Aw segundo Köppen), com o inverno seco e o verão chuvoso; o outono e a primavera praticamente não são percebidos. O calor é constante durante todo o ano, dada sua localização relativamente próxima à linha do equador. A precipitação média anual é de superior 1 700 milímetros (mm), concentrados entre os meses de maio a agosto, e o tempo de insolação de cerca de 1 800 horas anuais.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1972 a 1989 e a partir de 1993, a menor temperatura registrada em Boa Vista (estação convencional) foi de 17,6 °C em 8 de julho de 1988 e a maior atingiu 42,6 °C em 2 de outubro de 2023 e 4 de fevereiro de 2024. O maior acumulado de precipitação em 24 horas alcançou 149,4 mm em 21 de dezembro de 1998, seguido por 149,3 mm em 29 de abril de 2005.
Outros acumulados iguais ou superiores aos 100 mm foram: 146 mm em 28 de novembro de 2013, 143,4 mm em 10 de maio de 2024, 128,1 mm em 26 de setembro de 1999, 127,2 mm em 13 de maio de 2010, 122,5 mm em 20 de junho de 1996, 117,2 mm em 3 de junho de 2007, 115,2 mm em 22 de março de 1979, 107,8 mm em 31 de maio de 2011, 105,6 mm em 15 de abril de 2006, 101,9 mm em 20 de junho de 1961, 100,4 mm em 31 de agosto de 2004 e 100 mm em 20 de junho de 2022. Maio de 2011, com 667,5 mm, foi o mês de maior precipitação.
A população de Boa Vista foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 470 169 em 2024, sendo o mais populoso do estado, apresentando uma densidade populacional de 72,71 hab/km². Sozinha, Boa Vista concentra 65,59% da população de Roraima. Segundo o censo de 2010, 140,801 habitantes eram homens e 143,512 habitantes eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 277,799 habitantes viviam na zona urbana e 6,514 na zona rural.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Boa Vista, considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,752, sendo o maior de todo estado de Roraima. Considerando apenas a educação o índice é de 0,910 (muito elevado), enquanto o do Brasil é 0,702; o índice da longevidade é de 0,725 (o brasileiro é 0,638); e o de renda é de 0,738 (o do país é 0,723). O município possui a maioria dos indicadores médios e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD. A renda per capita é de 16 182,78 reais.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,43, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 37,95%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 30,23%, o superior é de 45,68% e a incidência da pobreza subjetiva é de 38,33%.
Tal como a variedade cultural em Boa Vista, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade algumas denominações protestantes diferentes, e ainda religiões de matriz indígena.