A Bienal de São Paulo (antiga Bienal Internacional de Arte de São Paulo) é uma exposição de artes que ocorre a cada dois anos na cidade de São Paulo, desde 1951. É considerada um dos três principais eventos do circuito artístico internacional, junto à Bienal de Veneza e Documenta de Kassel. Maior exposição do hemisfério sul, a Bienal é pautada por questões inovadoras do cenário contemporâneo e reúne mais de 500 mil pessoas por edição. Desde sua criação, 37 Bienais foram produzidas com a participação de mais de 170 países, 16 mil artistas e 10 milhões de visitantes.
O evento acontece no Pavilhão Ciccillo Matarazzo do Parque do Ibirapuera, que foi construído junto com todos os seus outros edifícios em 1954. O prédio também é conhecido como Pavilhão da Bienal e foi concebido por Oscar Niemeyer com projeto estrutural de Joaquim Cardozo como forma de comemorar o 4º Centenário da cidade de São Paulo. Em 1962 surge a Fundação Bienal de São Paulo, instituição que idealiza e coloca em prática iniciativas artísticas, educativas e sociais.
A primeira Bienal de São Paulo ocorreu em 1951 devido aos esforços do empresário e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho (1892 - 1977) (conhecido como Ciccillo Matarazzo) e de sua esposa Yolanda Penteado. A segunda edição (1953) ficou famosa por trazer ao Brasil a até então inédita no país Guernica, de Pablo Picasso.
Uma das edições mais simbólicas, contudo, foi a 10ª Bienal de São Paulo, no ano de 1969. Com o recém-lançado Ato Institucional nº5 (AI-5), dezenas de artistas se recusaram a participar da exposição, dentre eles Burle Marx e Hélio Oiticica, e alguns países e regiões recusaram-se a apoiar a exposição, como a União Soviética. Paralelamente, na França, cerca de 321 artistas assinaram o manifesto "Não à Bienal", ou, em francês, "Non à la Biennale", no Museu de Arte Moderna de Paris, uma maneira de repudiar a ditadura brasileira. O intenso movimento pode ser compreendido pela censura à arte imposta pelo governo durante o período militar.
A Bienal é a primeira exposição de arte moderna de grande porte realizada fora dos centros culturais europeus e norte-americanos. Sua origem articula-se a uma série de outras realizações culturais em São Paulo - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp (1947), Teatro Brasileiro de Comédia - TBC (1948), Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP (1949) e Companhia Cinematográfica Vera Cruz (1949) - que aponta para o forte impulso institucional que as artes recebem na época, beneficiado por mecenas como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand (1892 - 1968). Concebida no âmbito do MAM/SP, a 1ª Bienal é realizada em 20 de outubro de 1951 na esplanada do Trianon, local hoje ocupado pelo Masp. O espaço, projetado pelos arquitetos Luís Saia e Eduardo Kneese de Mello, dá lugar a 1,8 mil obras de 23 países, além da representação nacional.
No ano de 1951 entre os dias 20 de outubro e 23 de dezembro foi sediada em São Paulo a primeira edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, realizada pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) em um pavilhão provisório localizado na Esplanada do Trianon, na região da Avenida Paulista. Na edição, o primeiro Aparelho cinecromático (1949) de Abraham Palatnik (1928-2020) foi recusado por não se encaixar nas categorias previstas. Posteriormente, a obra seria aceita e receberia uma menção especial do júri internacional.
Na época, o presidente do MAM era Ciccillo Matarazzo (1898-1977), importante industrial da capital paulista e figura muito relevante no cenário de arte do Brasil. Ao seu lado encontrava-se o diretor artístico da exposição, Lourival Gomes Machado (1917-1967), importante crítico de arte no período. Dentre os nomes de maior destaque entre os artistas participantes encontravam-se o escultor suíço Max Bill (1908-1994), os brasileiros Cândido Portinari (1903-1962) e Di Cavalcanti (1897-1976), Pablo Picasso (1881-1973), artista espanhol, René Magritte (1898-1967), belga, e o italiano Danilo di Prete (1911-1985), que foi consagrado com o prêmio de melhor pintura da exposição com sua obra Limões. Participaram, também, Lasar Segall (1891-1957), Alberto Giacometti (1901-1966), George Gros (1893-1959), Victor Brecheret (1894-1955), Oswaldo Goeldi (1895-1961), Jorge Mori (1932), e diversas outras personalidades da cena internacional da arte. Os prêmios concedidos à escultura Unidade Tripartida de Max Bill (1908-1994) e à tela Formas de Ivan Serpa (1923-1973) são sintomas da atenção despertada pelas novas tendências construtivas na arte. Fundador da Hochschule für Gestaltung Ulm [Escola Superior da Forma], em Ulm (1951), Max Bill foi o principal responsável pela entrada do ideário concreto na América Latina, sobretudo na Argentina e no Brasil, no período após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A exposição do artista em 1951 no Masp e a presença da delegação suíça na 1ª Bienal, no mesmo ano, abriram as portas do país para as novas linguagens plásticas, que passaram a ser amplamente exploradas.
A mais lembrada entre todas as Bienais, é conhecida como “Bienal da Guernica”, referenciando a mais famosa obra de Pablo Picasso (1881-1973), de 1937. Com quase o dobro de obras em relação à edição anterior, a 2ª Bienal foi realizada já no Parque Ibirapuera, aproveitando sua inauguração e ocupando dois pavilhões concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer com projetos estruturais do engenheiro Joaquim Cardozo: o Palácio dos Estados (atual Pavilhão das Culturas Brasileiras) e o Palácio das Nações (atual Museu Afro Brasil). Estendeu-se até o ano seguinte, para fazer parte das comemorações do 4º Centenário da cidade de São Paulo.
A mostra contou com obras de Constantin Brancusi (1876-1957), Giorgio Morandi (1890-1964) e dos futuristas italianos, além de outros grandes nomes da arte moderna internacional. Eliseu Visconti (1866-1944), foi homenageado com uma sala especial em que foram apresentadas 37 dentre suas mais importantes obras de cavalete.
Ao alcançar seu objetivo e consolidar-se como evento de arte de relevância no cenário mundial, a 3ª Bienal teve como destaque as obras dos muralistas mexicanos Diego Rivera (1886-1957), José Clemente Orozco (1883-1949) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974). Beneficiada por 46 trabalhos de Sophie Taeuber-Arp (1889-1943) e por 44 gravuras dos muralistas mexicanos. O artista brasileiro Aldemir Martins (1922-2006) recebeu o Prêmio de Melhor Desenhista Brasileiro juntamente com o artista argentino radicado no Brasil Carybé (1911-1997).
O processo de seleção de obras e a influência demasiada de Ciccillo Matarazzo foram contestados pelos artistas brasileiros. Esta foi a primeira vez em que a Bienal realizou-se no espaço que viria a ser sua permanente sede, no Pavilhão das Indústrias do Parque Ibirapuera. Polêmicas marcaram a edição, quando nomes consagrados no cenário artístico nacional, como Flávio de Carvalho (1899-1973), tiveram seus trabalhos recusados pelo júri. O pintor expressionista abstrato Jackson Pollock (1912-1956), falecido no ano anterior, foi apresentado em uma sala especial, organizada pela representação americana, em pleno auge de seu reconhecimento internacional.
200 mil visitantes garantiram o sucesso da exposição, que teve como pontos altos a seleção de 30 obras do ícone impressionista Vincent van Gogh (1853-1890) e, segundo o crítico Mário Pedrosa (1900-1981), pela "ofensiva tachista e informal". Também foi inaugurada uma área para teatro, que passou a dividir o espaço, com as mostras de filmes, com as artes plásticas e a arquitetura.
Ciccillo Matarazzo deixou de ser o único mecenas da Bienal, e o evento passou por sua primeira crise econômica. A sexta edição ficou conhecida pelo caráter museológico e o predomínio do neoconcretismo, evidenciado pela presença revolucionária dos Bichos de Lygia Clark (1920-1988). Parte do júri de seleção foi eleito pelos artistas. Foi a primeira vez que a exposição recebeu a delegação da URSS. Com a direção geral de Mário Pedrosa (1900-1981), combinou obras contemporâneas (Kurt Schwitters, 1887-1948) com retrospectivas históricas (Alfredo Volpi 1896-1988). A ampliação da participação nacional e a maior representação de obras de caráter histórico valeram uma série de críticas ao evento.