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Biblioteca dos Estados Unidos

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A Biblioteca do Congresso, em inglês Library of Congress e conhecida pela sigla LOC, é uma biblioteca de pesquisa em Washington, D.C. que presta serviços bibliotecários e de pesquisa ao Congresso dos Estados Unidos e exerce de facto as funções de biblioteca nacional dos Estados Unidos. Também administra a legislação federal de direitos autorais por meio do United States Copyright Office e abriga o Congressional Research Service.

Fundada em 1800, é a instituição cultural federal mais antiga dos Estados Unidos. Ocupa três edifícios na Colina do Capitólio, junto ao Capitólio dos Estados Unidos, além do National Audio-Visual Conservation Center em Culpeper, na Virgínia, e de depósitos no Fort George G. Meade e em Cabin Branch, em Hyattsville, Maryland. O bibliotecário do Congresso dirige suas atividades, enquanto o Arquiteto do Capitólio cuida dos edifícios. Com cerca de 173 milhões de itens e mais de 3.000 funcionários, está entre as maiores bibliotecas do mundo. Seu acervo não é limitado por tema, formato ou fronteira nacional e reúne materiais de todas as partes do mundo em mais de 470 idiomas.

Quando o Congresso se transferiu para Washington em novembro de 1800, uma pequena biblioteca parlamentar foi instalada no Capitólio. Grande parte desse primeiro acervo desapareceu durante a Batalha de Washington de 1814, quando forças britânicas incendiaram prédios federais durante a Guerra Anglo-Americana de 1812. O Congresso aceitou a oferta do ex-presidente Thomas Jefferson para vender sua biblioteca pessoal completa, formada por 6.487 livros. O acervo cresceu lentamente e sofreu outro grande incêndio em 1851, que destruiu dois terços dos livros originalmente comprados de Jefferson.

Nas primeiras décadas, a Biblioteca enfrentou falta de espaço, poucos funcionários e ausência de uma dotação anual regular. A situação mudou depois da Guerra Civil Americana, quando cresceram o governo federal, a cidade de Washington e a demanda por pesquisa legislativa. Em 1870, a Biblioteca passou a ter direito a duas cópias de cada obra sujeita a direitos autorais impressa nos Estados Unidos e ampliou o acervo por compras e doações. Entre 1890 e 1897 foi construído um novo prédio, o atual Edifício Thomas Jefferson. Outros dois foram acrescentados depois, o John Adams Building, aberto em 1939, e o James Madison Memorial Building, aberto em 1980.

O Congressional Research Service produz pesquisa objetiva e apartidária para auxiliar o Congresso na elaboração de leis. A Biblioteca é aberta ao público para pesquisa, mas somente congressistas, seus funcionários e empregados da instituição podem retirar materiais para uso fora dos edifícios.

1800–1851: origem e acervo de Jefferson

Em 1783, James Madison, um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos e futuro quarto presidente do país, propôs a criação de uma biblioteca para o Congresso, mas não conseguiu apoio suficiente. Depois da Guerra de Independência dos Estados Unidos, a Library Company of Philadelphia e a New York Society Library fizeram esse papel quando o Congresso se reuniu nessas cidades.

Em 24 de abril de 1800, o presidente John Adams sancionou uma Lei do Congresso que destinava US$ 5.000 "à compra dos livros que possam ser necessários ao uso do Congresso... e à preparação de um aposento adequado para contê-los". Livros foram encomendados de Londres e formaram um acervo de 740 volumes e três mapas, guardado no novo Capitólio dos Estados Unidos.

Seu sucessor, Thomas Jefferson, também interveio na organização da instituição. Em 26 de janeiro de 1802, Jefferson sancionou uma lei que permitia ao presidente nomear o bibliotecário do Congresso e criava o Joint Committee on the Library para supervisionar a Biblioteca. A lei também estendeu ao presidente e ao vice-presidente o direito de tomar livros emprestados.

Em agosto de 1814, forças britânicas ocuparam Washington e, em represália a destruições feitas pelos americanos no Canadá, incendiaram prédios do Governo dos Estados Unidos. A Biblioteca do Congresso estava entre eles e perdeu mais de 3.000 volumes. Os livros ficavam na ala do Senado no Capitólio. Um dos poucos volumes que escaparam era um livro de contas do governo de 1810. O almirante britânico George Cockburn levou esse volume como lembrança. Sua família o devolveu aos Estados Unidos em 1940.

Menos de um mês depois, Jefferson ofereceu sua biblioteca pessoal como substituição. Ele havia reconstruído seu próprio acervo depois de perder uma parte em um incêndio. O Congresso aceitou a proposta em janeiro de 1815 e destinou US$ 23.950 à compra dos 6.487 livros. Alguns integrantes da Câmara, entre eles o representante de New Hampshire Daniel Webster, se opuseram à compra e quiseram excluir "livros de tendência ateísta, irreligiosa e imoral".

A coleção que Jefferson reunira durante cinquenta anos abrangia muitos assuntos e idiomas, inclusive temas pouco comuns em uma biblioteca legislativa. Para ele, qualquer assunto poderia ser útil ao Congresso:

"Não sei se ela contém algum ramo da ciência que o Congresso desejaria excluir de sua coleção. De fato, não existe assunto algum que um membro do Congresso não possa vir a precisar consultar."

A biblioteca de Jefferson era um acervo de trabalho de um estudioso, não uma coleção para exposição. Sua aquisição duplicou o tamanho da Biblioteca e a fez ir além de uma coleção especializada. Jefferson organizava os livros com base na divisão do conhecimento de Francis Bacon, em Memória, Razão e Imaginação, com 44 subdivisões. A Biblioteca usou esse sistema até o fim do século XIX, quando Herbert Putnam introduziu a Classificação da Biblioteca do Congresso, aplicada a mais de 138 milhões de itens.

Um relatório do Committee of Ways and Means, de 24 de fevereiro de 1824, recomendou uma dotação de US$ 5.000 para melhorar as coleções de "Direito, Política, Comércio, História e Geografia", áreas úteis ao trabalho do Congresso.

Em 24 de dezembro de 1851, o maior incêndio sofrido pela Biblioteca destruiu 35.000 livros, dois terços do acervo e dois terços dos livros comprados de Thomas Jefferson. Em 1852, o Congresso destinou US$ 168.700 à reposição dos livros perdidos, mas não à compra de material novo. Em 2008, os bibliotecários já haviam encontrado exemplares substitutos de todas as obras documentadas na coleção original de Jefferson, com exceção de cerca de 300.

Depois do incêndio, o bibliotecário John Silva Meehan e o presidente do comitê conjunto James A. Pearce limitaram as atividades da instituição. A visão dos dois sobre um escopo reduzido também era compartilhada por membros do Congresso. Meehan defendia que a biblioteca parlamentar deveria ter atuação nacional limitada e concentrar o acervo em materiais americanos de utilidade clara para o Congresso. Em 1859, o Congresso transferiu a distribuição de documentos públicos da Biblioteca para o Departamento do Interior dos Estados Unidos e seu programa internacional de intercâmbio de livros para o Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Na década de 1850, Charles Coffin Jewett, bibliotecário da Smithsonian Institution, tentou transformar a Smithsonian na biblioteca nacional dos Estados Unidos. O secretário da instituição, Joseph Henry, rejeitou o plano e preferiu concentrar seus recursos em pesquisa científica e publicações. Henry criou laboratórios, ampliou a biblioteca de ciências físicas e iniciou a publicação Smithsonian Contributions to Knowledge, destinada à divulgação de resultados de pesquisa. Para ele, a Biblioteca do Congresso era a escolha natural para biblioteca nacional. Sem conseguir resolver o conflito, demitiu Jewett em julho de 1854.

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