Elizabeth Ruth Grable, conhecida como Betty Grable (St. Louis, 18 de dezembro de 1916 – Santa Monica, 2 de julho de 1973), foi uma dançarina, cantora e atriz estadunidense.
Ela participou de mais de 50 filmes e, durante a década de 1940, foi uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood, consolidando-se como uma das grandes estrelas da 20th Century Fox. Também se destacou como uma das pin-ups mais populares da Segunda Guerra Mundial. Sua famosa foto em traje de banho, olhando para trás sobre o ombro direito, foi eleita pela revista Time uma das "100 imagens mais influentes de todos os tempos". A foto foi, ainda, incluída numa lista compilada pela revista Life em 2003, entre “as 100 fotografias que mudaram o mundo”.
Apesar de seus êxitos, Grable sempre se mostrou modesta e franca quanto aos seus talentos artísticos. Ela costumava admitir que não era “a melhor bailarina ou cantora do mundo”. Os filmes em que participou arrecadaram mais de 100 milhões de dólares, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Suas pernas foram seguradas pelo estúdio por US$ 1 milhão como um golpe publicitário. Descrevendo sua carreira no cinema, Grable afirmou: "Eu me tornei uma estrela por duas razões, e estou de pé sobre elas". Estima-se que ela tenha ganho mais de US$ 3 milhões ao longo de sua carreira.
Betty Grable nasceu Elizabeth Ruth Grable em 18 de dezembro de 1916, em Saint Louis, no Meio-Oeste americano. Ela era a caçula de três filhos do casal Lillian Rose (née Hofmann; 1889-1964) e John Charles Grable (1883-1954), um corretor da bolsa. Ela tinha ascendência holandesa, irlandesa, alemã e inglesa. O apelido de "Betty" ela ganhou ainda criança. Apesar de seu sucesso, ela sofria de demofobia e era sonâmbula.
Grable e sua mãe viajaram para Hollywood em 1929, logo após a quebra da bolsa de valores de Nova York, na esperança de alcançar o estrelato. Sua mãe nunca mediu esforços para que sua filha se tornasse famosa, falsificando inclusive sua identidade para arranjar um contrato. Aos 12 anos, a jovem já atuava em Dias Felizes (1929), com o rosto cheio de maquiagem e cabelos loiro-platinados, um visual que ela manteve ao longo de sua vida. Isso acabou levando-a a pequenos papéis em A Caminho de Hollywood (1930) e em curtas-metragens publicitários para a 20th Century Fox.
Em 1930, aos 13 anos, Grable iniciou uma parceria com a produtora de Samuel Goldwyn, tornando-se uma das primeiras Goldwyn Girls, e apareceu em uma série de pequenos papéis em filmes, incluindo o megassucesso Whoopee! (1930), estrelado por Eddie Cantor. Apesar de não ter recebido crédito por sua atuação, ela conduziu o número musical de abertura do filme, intitulado "Cowboys". Em 1932, assinou um contrato com a RKO Pictures. Seu primeiro filme para o estúdio, Probation (1932), lhe deu o primeiro papel creditado no cinema. Nos anos seguintes, porém, ela voltou a ser relegada a papéis menores e sem créditos em uma série de filmes, muitos dos quais se tornaram sucessos mundiais, como o sucesso de 1933, Cavalgada. Grable obteve papéis maiores em A Alegre Divorciada (1934) e Nas Águas da Esquadra (1936), dois filmes musicais estrelados pelos populares Fred Astaire e Ginger Rogers.
No final dos anos 1930, Grable assinou com a Paramount Pictures, que a emprestou para a 20th Century-Fox para co-estrelar uma comédia adolescente chamada Loucuras de Estudantes (1936). No entanto, seu desempenho foi ignorado pelo público e pela crítica, em favor da recém-chegada Judy Garland. Quando voltou para a Paramount, iniciou uma nova fase em sua carreira. O estúdio a lançou em uma série de filmes universitários, na maioria das vezes interpretando personagens ingênuas e pouco inteligentes. Entre esses filmes estão Amor Entre Bastidores (1937) e Jazz Academia (1938). Embora Grable desempenhasse papéis principais nessas produções, isso a levou a cair no estereótipo da "loira burra", inocente e não tão brilhante.
Em 1939, ela apareceu ao lado de seu então marido, Jackie Coogan, em Million Dollar Legs, um filme B cujo famoso título se tornou uma referência para Grable. A comédia não alcançou o sucesso esperado pela Paramount, que então liberou Grable de seu contrato. A atriz, que estava se preparando para deixar Hollywood e levar uma vida mais simples, mudou de ideia quando recebeu a chance de brilhar na Broadway. Ela aceitou a oferta de Buddy DeSylva para estrelar o musical DuBarry Was a Lady, ao lado de Ethel Merman. A peça foi um sucesso de crítica e público e marcou um marco importante em sua carreira.
Em uma entrevista de 1940, Grable afirmou que estava "cansada" do show business e pensava em se aposentar. Porém, o sucesso de DuBarry Was a Lady chamou a atenção de Darryl F. Zanuck, chefe da 20th Century-Fox, que lhe ofereceu um contrato de longo prazo. "Se isso não é sorte, eu não sei o que você chamaria disso", disse ela em sua primeira entrevista depois de assinar com o estúdio. Zanuck, impressionado com seu desempenho no musical de Buddy DeSylva, deu-lhe o papel principal no filme Serenata Tropical (1940). O papel havia sido inicialmente atribuído a Alice Faye, a estrela preferida dos musicais da Fox, mas Faye teve de recusar devido a problemas de saúde não esclarecidos. Após analisar o teste de tela de Grable, Zanuck substituiu Faye por ela no filme. A comédia musical em Technicolor foi co-estrelada por Don Ameche e Carmen Miranda. O desempenho de Grable em Down Argentine Way é considerado um dos destaques do filme, que foi um sucesso de crítica, arrecadando US$ 2 milhões de bilheteira em seu lançamento, e muitos críticos proclamaram Grable como a sucessora natural de Faye. O sucesso do filme levou o estúdio a escalá-la para A Vida é uma Canção (1940). Ao longo dos anos, boatos sobre uma rivalidade entre Grable e Faye durante as filmagens surgiram, mas ambas sempre negaram tais rumores.
Após Tin Pan Alley, Grable voltou a trabalhar com Don Ameche em Sob o Luar de Miami (1941), que também contou com Carole Landis no elenco. No mesmo ano, a Fox tentou ampliar o público de Grable, lançando-a em dois filmes com enredos bem diferentes daqueles em que ela havia atuado anteriormente. O primeiro, Um Yankee na R.A.F. (lançado em setembro), foi co-estrelado por Tyrone Power. O filme seguiu o padrão de outros filmes da época da Segunda Guerra Mundial, mas não foi considerado um filme de propaganda pelo estúdio. Na época de seu lançamento, A Yank in the R.A.F. recebeu críticas positivas, com muitos críticos destacando a química na tela entre Grable e Power. Foi também um grande sucesso de bilheteira, tornando-se o quarto filme mais popular daquele ano. O segundo filme, Quem matou Vicki? (lançado em novembro), ofereceu a Grable sua segunda parceria com Carole Landis e também co-estrelou Victor Mature. Dirigido por H. Bruce Humberstone, este noir em preto e branco foi bem avaliado pela maioria dos críticos e teve um sucesso financeiro razoável.
A fama de Grable continuou a crescer quando ela estrelou A Canção do Havaí, ao lado de Victor Mature e Jack Oakie. No mesmo ano, ela integrou o elenco de Rapsódia da Ribalta, co-estrelado por John Payne, no qual interpretou uma estrela glamorosa da Broadway. A Fox então começou a desenvolver o roteiro de um filme baseado no romance Second Honeymoon, de Philip Wylie, e o resultado foi a comédia musical Minha Secretária Brasileira (1942), dirigida por Irving Cummings, com John Payne como seu par romântico. O elenco também incluía Cesar Romero e Carmen Miranda, e seu futuro marido, Harry James, também participou do longa. O filme foi um sucesso imediato, arrecadando mais de US$ 2 milhões em bilheteira. O sucesso levou a Fox a aumentar seu salário e dar-lhe maior liberdade na escolha dos filmes que faria.
Em 1943, Grable foi eleita, por sorteio, a número um de bilheteira pelos espectadores do cinema americano; ela superou Bob Hope, Gary Cooper, Greer Garson, Humphrey Bogart e Clark Gable em popularidade. Seu filme seguinte, Turbilhão, lançado em junho de 1943, foi um tecnicolor coestrelado por George Montgomery. O filme arrecadou mais de US$ 3,5 milhões de bilheteira e foi bem recebido pela crítica. Rosa, A Revoltosa (1943) também foi bem-sucedido nas bilheteiras, embora não tenha conquistado o mesmo reconhecimento da crítica. O sucesso de Grable como pin-up girl alavancou sua carreira como estrela de cinema, fazendo com que o chefe do estúdio Fox, Darryl F. Zanuck, manifestasse interesse em expandir seu alcance como atriz. Apesar de a qualidade de seus filmes ser muitas vezes questionada, suas produções eram imensamente populares.