Elizabeth Maria Silva de Faria (Rio de Janeiro, 8 de maio de 1941) é uma atriz e escritora brasileira. Prolífica na atuação desde a década de 1960, tornou-se muito conhecida como um ícone da teledramaturgia nacional por protagonizar obras de grande sucesso popular, especialmente na televisão e no cinema. Faria é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA, dois Prêmios Air France e estatuetas do Festival de Gramado e Festival de Brasília, além de ter recebido indicações para um Troféu Imprensa e um Prêmio Qualidade Brasil.
Após iniciar uma carreira como bailarina profissional no renomado Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Faria começou a frequentar o meio artístico que lhe abriu portas para atuar como atriz no teatro. Em 1965, ela apareceu no elenco do espetáculo As Inocentes do Leblon sob a direção de Antônio Cabo. Betty fez sua estreia na televisão no mesmo período no seriado TNT (1965) em pequenas aparições. Sua primeira telenovela, gênero o qual se consagrou, foi Acorrentados (1969), da RecordTV. Ela logo foi contratada pela TV Globo para atuar em A Última Valsa (1969). Seu primeiro sucesso popular ocorreu em Pigmalião 70 (1970), recebendo o Troféu Helena Silveira, seguido de sua primeira protagonista em 1972 na novela O Bofe.
Frequentou o Teatro Oficina, onde amadureceu como atriz, sendo dirigida por grandes nomes do teatro, como Zé Celso Martinez em Pequenos Burgueses (1967). Betty sempre diversificou seus trabalhos, tendo destaque também no cinema, fazendo sua estreia na obra de Nelson Rodrigues, O Beijo (1964), em uma participação especial. Recebeu aclamação da crítica como uma cantora decadente no drama A Estrela Sobe (1974), dirigido por Bruno Barreto, recebendo o Prêmio Air France. Ela recebeu duas vezes o Prêmio APCA de Melhor Atriz por dois sucessos seguidos de sua carreira, as novelas O Espigão (1975) e Pecado Capital (1975).
Betty progrediu sua carreira na televisão em papéis importantes nas novelas Duas Vidas (1976), Água Viva (1980), Baila Comigo (1981), Partido Alto (1984) e O Salvador da Pátria (1989). Recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado por seu papel em Anjos do Arrabalde (1987). Já consagrada, foi internacionalmente reconhecida por estrelar o drama Romance da Empregada (1988) no cinema, sendo premiada no Festival de Havana e no Festival do Rio. Em seguida, fez o maior papel de sua carreira na pele da protagonista de Tieta (1989), fenômeno popular na cultura brasileira que a colocou na história da teledramaturgia nacional e lhe rendeu a primeira e única nomeação ao Troféu Imprensa.
Em 1992, foi eleita Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília por seu desempenho em Perfume de Gardênia, de Guilherme Almeida Prado. Alguns desafetos a afastaram da TV Globo na década de 1990 e ela reduziu suas aparições. Protagonizou a novela independente A Idade da Loba (1995), exibida pela Band TV. Regressou à maior emissora do país em destaque na novela A Indomada (1997) no papel da Juíza Mirandinha. Destacou-se ainda em Suave Veneno (1999), América (2005), Avenida Brasil (2012) e Boogie Oogie (2014). Interpretando a protagonista da peça Shirley Valentine (2009) recebeu aclamação da crítica e foi indicada ao Prêmio Shell. Nos anos recentes, Betty esteve em evidência do público no papel da divertida Elvirinha em A Força do Querer (2017) e da socialite falida Belisa em Volta por Cima (2024).
Início da vida e primeiros passos como bailarina
Betty nasceu no início dos anos 1940 em Copacabana, bairro do Rio de Janeiro, filha única do militar Marçal Moura de Faria e da dona de casa Elsa Gonçalves Pereira da Silva. Devido ao trabalho de seu pai, ela mudou de cidade várias vezes até completar doze anos, passando por lugares como Pelotas, no Rio Grande do Sul, além de São Paulo e Lorena.
A condição de ser filha única não foi uma escolha dos pais. Após o nascimento de Betty, sua mãe Elsa engravidou várias vezes, mas sem sucesso. Em entrevista, a atriz revela que sempre se sentiu bastante solitária por não ter irmãos, especialmente devido às constantes mudanças de cidade. Aos quatro anos, enquanto morava em Lorena, sua mãe a levou a um circo local, onde Betty se encantou com o espetáculo e decidiu que queria seguir a carreira de atriz. O fascínio foi tanto que, em uma ocasião, ela tentou fugir de casa para se juntar ao circo itinerante que estava na cidade.
Ao retornar ao Rio de Janeiro aos seis anos, Betty manifestou o desejo de estudar balé. Inicialmente contrário à ideia, seu pai concordou sob a condição de que ela também frequentasse aulas de piano, mesmo que Betty não gostasse muito do instrumento. Durante quatro anos, ela estudou balé com sua professora Alexandra.
Início da carreira artística na dança
Aos dez anos de idade, Betty precisou mudar-se novamente. Desta vez, sua família se instalou em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Lá, não havia escolas de balé, apenas de piano, o que frustrou Betty. Somente dois anos mais tarde, ao retornar ao Rio de Janeiro, ela pôde retomar seus estudos de balé. Iniciou na renomada Ballet do Rio de Janeiro, sob a direção de Dalal Aschar, onde teve aulas de balé clássico com a russa Marie Makarova, Pierre Kleimou e Eugênia Feodorova. Posteriormente, explorou o balé moderno com Nina Verchinina e começou seus estudos de jazz com Jennie Dall e Jo Jo Smith.
Conforme o interesse de Betty em seguir uma carreira artística se intensificava, seu pai começou a discordar de suas aulas de dança. Para ganhar independência financeira, ela passou a dar aulas de balé em turmas da escola de Sandra Dieckens, primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Aos dezesseis anos, já estava ganhando seu próprio dinheiro com as aulas de balé clássico. Durante sua adolescência, Betty se considerava uma "menina rebelde", fugindo de casa, fumando na escola, frequentando clubes de dança e indo sozinha ao cinema, conforme relatou em entrevista. Ela era particularmente apaixonada por filmes musicais estrelados por Marlon Brando.
Betty também participou do Ballet dos Clubes, sob a coordenação de Sandra Dieckens, apresentando-se com balé clássico, balé moderno, jazz e sapateado em vários clubes do Rio de Janeiro, apesar da desaprovação constante de seu pai. As frequentes discordâncias em casa a motivavam a buscar independência. Por isso, decidiu fazer um teste para o programa Noite de Gala, da TV Rio, na época o meio que oferecia melhor remuneração e visibilidade para dançarinos. Após ser aprovada no teste, estreou na televisão dançando no programa em uma escadaria.
Em 1960, Betty fez um teste para um grande musical chamado Skindô, produzido por Sonia Shaw e Bill Hitchcock, que reuniram no Brasil um elenco de renomados cantores da época, como Agnaldo Rayol, Moacyr Franco e Madalena de Paula. Entre mais de 50 candidatas, Betty foi escolhida. Convenceu seu pai a emancipá-la para que pudesse viajar com o espetáculo. No entanto, ela e Sonia Shaw, idealizadora do espetáculo, frequentemente entravam em desentendimentos. Após estrear no Golden Room do Copacabana Palace, o show seguiu para o Uruguai e Argentina.
1960—69: Escalada na cena artística carioca e estreia como atriz
Após sua estreia no espetáculo Skindô, Betty foi novamente convidada por Sonia Shaw para integrar o show Tio Samba, onde se destacou em alguns solos de balé moderno. Nessa época, mudou-se para São Paulo, residindo com colegas do espetáculo. Durante a temporada, enfrentou uma lesão no joelho que a levou a momentos difíceis. Posteriormente, retornou ao Rio de Janeiro, onde passou por uma cirurgia de recuperação.
Durante o período de reabilitação, procurou contatos na TV Rio em busca de trabalho e conseguiu um cargo como apresentadora em um programa jornalístico de Fernando Barbosa Lima na emissora. Simultaneamente, fez um teste para um programa infantil exibido aos sábados, tornando-se a "Garota Kibon". Gradualmente, superou sua lesão e retornou à dança. Em 1963, deixou a televisão para voltar aos palcos, participando da montagem de Chica da Silva 63, atuando ao lado de Grande Otelo, o que lhe rendeu visibilidade. Foi vista por Flávio Tambellini, que a convidou para integrar o elenco do filme O Beijo, baseado na obra de Nelson Rodrigues. Ao ver uma foto do filme, seu pai chegou a considerar processar a produção do longa-metragem.