Betim é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Pertence à Região Metropolitana de Belo Horizonte e é o quinto município mais populoso do estado, reunindo 411 859 habitantes segundo o recenseamento de 2022, área de 345,99 quilômetros quadrados e 122 quilômetros de perímetro segundo a Prefeitura Municipal do município.
Antes da chegada dos luso-brasileiros no século XVIII, o território onde hoje se localiza Betim já era ocupado por povos indígenas pré-coloniais. Evidências dessa ocupação foram encontradas na forma de vestígios líticos lascados, descobertos durante as obras da alça viária que liga as rodovias BR-381 e BR-262. O Museu da Cidade de Betim também abriga peças polidas, como lâminas de machado, encontradas nos bairros Capelinha e Açude, reforçando a presença humana na região desde períodos remotos.
A ocupação luso-brasileira teve início no final do século XVII, com a intensificação das rotas abertas por bandeirantes vindos de São Paulo em direção a Pitangui, atraídos pelas descobertas de metais preciosos em Minas Gerais. A região também fazia parte de uma importante rota de abastecimento que ligava a Bahia ao interior mineiro. Em 1711, foram concedidas três sesmarias na área, sendo a mais conhecida aquela solicitada por José Rodrigues Betim, genro de Fernão Dias Pais Leme e ligado à bandeira de Borba Gato. O nome do município deriva desse pioneiro, embora ele tenha deixado a região em 1714, transferindo-se para Pitangui.
A sesmaria rapidamente se consolidou como ponto de parada de tropeiros, originando pequenos núcleos de povoação entre 1711 e 1750. O primeiro deles a ganhar destaque foi o Arraial da Bandeirinha do Paraopeba, nomeado por ter sido cenário de uma "bandeirinha" — uma pequena expedição de prospecção mineral. O atual bairro Bandeirinhas preserva essa memória histórica. Nessa mesma época, foi construído o casarão que hoje abriga a Casa da Cultura Josefina Bento.
Por volta de 1750, os moradores da região solicitaram à Igreja Católica a construção de uma capela sobre um monte, onde atualmente se encontra a Praça Milton Campos. Como já existiam outros templos nas imediações, a nova igreja passou a ser chamada de Capela Nova do Betim, nome que se estendeu ao povoado ao redor. Elevada a matriz em 1867, a capela foi demolida em 1969, sendo atualmente lembrada por um monumento chamado Igreja Velha.
Entre 1760 e 1800, o arraial de Capela Nova do Betim cresceu em importância e foi elevado à condição de distrito em 1797, situação confirmada pela Câmara de Sabará em 1801. Com o declínio da mineração, a região passou a se dedicar à agricultura de subsistência e à pecuária. Em meados de 1864, Betim possuía 488 casas e 40 fazendas. As principais propriedades pertenciam à família Nogueira Duarte, sediada na Serra Negra. Às margens do Rio Betim, operavam cerca de 35 moinhos de fubá e olarias, que contribuíram para a economia local.
Inicialmente conhecida como Capela Nova do Betim, a localidade foi criada como freguesia entre 1797 e 1801, pertencente ao município de Sabará. Ao longo do século XIX, passou por diversas alterações administrativas, tendo sido, por breve período, distrito de Santa Luzia e, posteriormente, de Santa Quitéria, atual Esmeraldas.
Em 1933, o distrito de Betim figurava como parte do município de Santa Quitéria, permanecendo assim até ser elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938. O novo município foi constituído com território desmembrado de Santa Quitéria e do extinto município de Contagem, tendo como sede o distrito de Betim.
Em sua formação inicial, o município era composto por quatro distritos: Betim, Campanha, Ibiretê (antiga Vargem da Pantano) e Neves, os três últimos transferidos de Contagem. Posteriormente, o distrito de Contagem também foi incorporado, compondo, entre 1939 e 1943, uma divisão com cinco distritos.
Com o Decreto-lei Estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, os distritos de Campanha e Neves (então rebatizado como Ribeirão das Neves) foram transferidos para Pedro Leopoldo, e a grafia de Ibiretê foi alterada para Ibirité. Em 1948, foi criado o distrito de Sarzedo, anexado ao município de Betim.
Na década de 1950, Betim era formado pelos distritos de Betim, Contagem, Ibirité e Sarzedo. Contudo, em 1953, Contagem foi desmembrado e elevado a município, e em 1962, o mesmo ocorreu com Ibirité e Sarzedo, formando o atual município de Ibirité. Desde então, Betim passou a ser constituído apenas pelo distrito sede.
A história recente de Betim é marcada por um rápido processo de industrialização e crescimento urbano a partir da segunda metade do século XX. A pavimentação da Rodovia Fernão Dias (BR-381) impulsionou a expansão de loteamentos ao longo do novo eixo industrial da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na década de 1960, o município recebeu um grande impulso econômico com a instalação da Refinaria Gabriel Passos e da Fiat Automóveis, durante o governo de Rondon Pacheco.
A industrialização alterou profundamente o perfil de Betim, transformando-a de cidade interiorana em um importante polo urbano e produtivo, com rápido crescimento populacional e diversificação cultural. Com a chegada da Fiat e de diversas indústrias-satélites, Betim consolidou-se como o segundo maior polo industrial automobilístico do Brasil.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Belo Horizonte. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Belo Horizonte, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.
Localização: Zona metalúrgica, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Principais cursos d'água: Rio Paraopeba, Rio Betim e Riacho das Areias.
Vegetação: cerrado e mata galeria, nos vales úmidos.
Principais rodovias que servem ao município: MG-060, MG-050, BR-381, BR-040, BR-262.