Elizabeth Rayner Belloc (nascida Parkes; Birmingham, 16 de junho de 1829 — Slindon, Sussex, 23 de março de 1925) foi uma das mais proeminentes feministas e defensoras dos direitos das mulheres inglesas da Era vitoriana, além de poetisa, ensaísta e jornalista.
Bessie Rayner Parkes nasceu em Birmingham, Warwickshire, Inglaterra, filha de Joseph Parkes (1796–1865), um advogado próspero e liberal com simpatias radicais, e Elizabeth (“Eliza”) Rayner Priestley (1797–1877), neta do cientista e ministro unitarista Joseph Priestley (1733–1804). Eliza sempre se considerou americana, tendo nascido em Northumberland, Pensilvânia. Embora não compartilhasse totalmente do forte desejo de Bessie de promover mudanças na condição das mulheres, Elizabeth, no entanto, a amava profundamente e não se opunha ativamente a ela; o apoio de Joseph Parkes às aspirações da filha era moderado.
O que era incomum para meninas de sua origem, Bessie foi enviada para um internato unitarista progressista aos 11 anos, um período de sua vida que ela apreciou muito. A paixão de Parkes pela escrita teve origem na vida cultural à qual ela foi exposta quando criança, já que seus pais eram ávidos apreciadores das artes. A poesia autodidata foi a primeira paixão de Parkes, o que mais tarde a levou a usar seus talentos em seu ativismo.
Parkes foi gradualmente tomando consciência da situação injusta, contraditória e até mesmo absurda das mulheres na Grã-Bretanha, embora houvesse muitas diferenças conforme a classe social a que pertenciam. A primeira iniciativa que Parkes e sua amiga Barbara Leigh Smith Bodichon empreenderam foi tentar alterar as leis e propriedade restritivas de propriedade que se aplicavam às mulheres casadas.
Parkes também se juntou a um grupo chamado Comitê para a Declaração das Mulheres às suas Irmãs Americanas sobre a Escravidão, em 1853. O grupo de mulheres trabalhou para garantir 576 000 assinaturas em sua petição antiescravagista nos Estados Unidos. Por volta da mesma época, Parkes também começou a defender a educação das jovens com seu ensaio “Observações sobre a Educação das Meninas”. Nesse ensaio, Parkes expôs sua preocupação com o fato de as mulheres estarem limitadas a pouquíssimas carreiras e criticou a sociedade quanto ao pouco poder que as mulheres tinham em comparação com os homens.
Parkes estava também indignada com a distinção feita entre “senhoras” e “mulheres”. As “senhoras”, ou seja, mulheres de classe média, perdiam a posição social se ganhassem dinheiro, as únicas exceções aceitáveis eram quando ensinavam a escrever, pintar, ou educar, que na maioria das vezes significava governanta. Em parte devido a seus esforços, até o final do século, tornou-se aceitável para uma mulher de classe média adquirir uma educação adequada e treinar para realizar um trabalho remunerado.
Parkes e suas amigas ativistas interagiram com mulheres de outros países da Europa e dos Estados Unidos, acrescentando uma dimensão internacional muito considerável a seus esforços. Na década de 1860, Parkes fez parte do primeiro grupo de mulheres que reivindicou o direito de voto.
O amplo círculo de amigos literários e políticos de Bessie Rayner Parkes incluía: George Eliot, Harriet Martineau, Anna Brownell Jameson, Elizabeth Barrett Browning, Robert Browning, Barbara Leigh Smith Bodichon, Anna Mary Howitt, Elizabeth Blackwell, Lorde de Shaftesbury, Herbert Spencer, Ralph Waldo Emerson, Elizabeth Gaskell, William Thackeray, Elizabeth Garrett Anderson, John Ruskin, Henry Wadsworth Longfellow, e Dante Gabriel Rossetti. Sua amizade mais frutífera foi com Barbara Leigh Smith-Bodichon e Anna Mary Howitt, pois de seus esforços conjuntos surgiu o primeiro movimento feminista organizado na Grã-Bretanha.
A amizade mais íntima que construiu forjou foi com a colega ativista Barbara Leigh Smith. Elas se conheceram em 1846, e essa amizade inspirou grande parte da obra de Parkes. Após uma viagem pela Europa, ambas se sentiram profundamente inspiradas a seguir o ativismo que viriam a praticar mais tarde em suas vidas.
Parkes tornou-se a editora-chefe da primeira revista feminista britânica — a English Woman's Journal — publicada mensalmente em Londres entre 1858 e 1864. Seu fechamento deveu-se tanto por razões financeiras quanto aos conflitos que surgiram entre seus patrocinadores e principais colaboradoras.
Parkes foi uma das fundadoras da The English Woman's Journal e mais tarde se tornou o ponto de encontro para quem desejava participar do movimento pelos direitos das mulheres. Os desdobramentos que surgiram a partir dela foram muitos e variados, como a Sociedade para a Promoção do Emprego Feminino, a Victoria Printing Press (com equipe inteiramente composta por mulheres), o Escritório de Cópia de Documentos Jurídicos e o Grupo Langham Place, onde as mulheres se reuniam informalmente para discutir suas vidas ou simplesmente descansar. A revista foi uma parte muito importante da comunidade e do movimento pelos direitos das mulheres na Inglaterra, pois proporcionou a muitas mulheres emprego e uma educação que nunca lhes poderia ser tirada.
A Victoria Printing Press foi um empreendimento comercial fundado por Parkes em 1860 para apoiar seu plano de educação de jovens mulheres. Como Parkes acreditava firmemente que todas as jovens deveriam ser treinadas em alguma habilidade, a gráfica foi uma forma de ela abordar essa questão. A própria Parkes não sabia imprimir quando comprou a gráfica, então contratou um homem para ensiná-la e, em seguida, instruiu sua equipe sobre como imprimir.
A Victoria Printing Press tornou-se a única gráfica responsável pela impressão da The English Woman's Journal de 1860 até seu fechamento, em 1864. A gráfica também imprimia The Transactions of the National Association for the Promotion of Social Science e outras publicações que estavam alinhadas com as visões de Parkes, Smith e de sua equipe, composta exclusivamente por mulheres. Parkes teria dito às mulheres que empregava em sua gráfica que aprender esse ofício era “um sonho da minha vida”.
Outra parte importante da história de vida de Parkes foi sua trajetória até a Igreja Católica, para a qual se converteu em 1864. Tendo crescido em um lar unitarista radical, Parkes estava familiarizada com as Escrituras desde muito jovem. À medida que envelhecia, Parkes percebia que se tornava cada vez mais devota na fé cristã. Comparando sua poesia inicial com suas obras posteriores, percebe-se que já havia muitas referências bíblicas quando ela ainda era unitarista, as quais se tornaram ainda mais proeminentes à medida que Parkes envelhecia.
Ela acompanhava os acontecimentos do Movimento de Oxford, mas o que a impressionava era o trabalho social realizado pelas freiras católicas. Ela conhecia pessoalmente três cardeais ingleses e os mencionava em seus escritos.
Aos 38 anos, Bessie Rayner Parkes se apaixonou por um francês de saúde frágil, chamado Louis Belloc, filho de uma mulher notável, Louise Swanton Belloc. Ela conheceu seu marido durante uma viagem a La Celle-Saint-Cloud com sua amiga Barbara Smith, agora Bodichon. Louis nunca tinha sido um homem muito saudável quando se conheceram, tendo sido diagnosticado com uma inflamação cerebral não especificada. Eles se casaram em 19 de setembro de 1867 na igreja católica de St. James, em Londres. Seu casamento de cinco anos, vivido na França, foi carinhosamente relatado por sua filha em suas memórias, I Too Have Live in Arcadia (o título é uma referência a Et in Arcadia ego). Logo tiveram dois filhos saudáveis, mas Parkes sofreu um aborto espontâneo. A família passou pela Guerra franco-prussiana e foi profundamente afetada por ela em termos materiais.
Parece que a família se mudou para a Inglaterra antes da morte do marido, pelo menos temporariamente. Após a morte do marido, Parkes voltou para a Inglaterra, onde nunca superou de fato a perda do marido. Seus filhos, Marie Belloc Lowndes (1868–1947) e Joseph Hilaire Belloc (1870-1953), tornaram-se escritores renomados, cada um à sua maneira. Em 1902, Hilaire, casado e pai de três filhos, solicitou a naturalização na Grã-Bretanha; indicou como endereço residencial o número 104 da Cheyne Walk, em Chelsea, Londres, e sua ocupação como professor assistente do programa de extensão da Universidade de Oxford.