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Bernardo O'Higgins

Líder da independência chilena (1778–1842)

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Bernardo O'Higgins Riquelme (Chillán, 20 de agosto de 1778 — Lima, 24 de outubro de 1842) foi um militar e estadista chileno e uma das figuras militares fundamentais do movimento de Independência do país. Considerado o "Pai da Pátria", foi também o primeiro chefe de Estado do Chile independente, sob o título de Diretor Supremo, entre 1817 e 1823, quando renunciou voluntariamente ao cargo para evitar uma guerra civil, exilando-se no Peru até a sua morte.

Bernardo O’Higgins, um membro da família O’Higgins, nasceu em Chillán, no Chile em 1778, filho ilegítimo de Ambrosio O'Higgins, 1° Marquês de Osorno, um oficial espanhol nascido em County Sligo, Irlanda, que veio a ser governador da Capitania do Chile e depois Vice-Rei do Peru. Sua mãe, Isabel Riquelme, era filha de um dos líderes regionais, Dom Simón Riquelme y Goycelea, um membro do cabildo (governo municipal) de Chillán.

Bernardo O’Higgins passou o começo da sua infância com a sua família materna na região centro-sul do Chile e depois foi morar com a família Albano, parceiros comerciais do seu pai, em Talca. Aos 15 anos, foi enviado para Lima por seu pai, com que mantinha um relacionamento distante. Ambrosio O’Higgins nunca encontrou seu filho pessoalmente, mas o ajudava financeiramente e se preocupava com a sua educação. Quando Bernardo O'Higgins nasceu, seu pai era só um oficial de baixa patente na hierarquia militar. Quando seu filho Bernardo tinha dois anos, Isabel Riquelme casou-se com Dom Félix Rodríguez, um amigo de Ambrosio O'Higgins. Bernardo O’Higgins usaria somente o sobrenome materno (Riquelme) até o falecimento de seu pai.

O pai de Bernardo O’Higgins continuou a sua ascensão profissional e se tornou Vice-rei do Peru. Aos dezessete anos, Bernardo O’Higgins foi mandado para Londres para terminar os seus estudos. Lá estudaria história e artes. Bernardo O’Higgins se atualizou sobre os ideais de independência americanos e desenvolveu um forte orgulho nacionalista. Ele conheceu Francisco de Miranda, um idealista venezuelano que defendia ideais independentistas e se juntou à Loja Maçônica Lautaro, fundada por este, com o objetivo de tornar a América Latina Independente.

Em 1798, quando seus planos de retorno às Américas foram atrasados pela Revolução Francesa e suas guerras, foi para a Espanha. Seu pai morreu em 1801, deixando para O’Higgins uma grande propriedade, a Hacienda Las Canteras, perto da cidade chilena de Los Ángeles. O’Higgins retornou ao Chile em 1802, passou a usar o sobrenome paterno e começou a sua vida como dono de fazendas.

Já em 1803, O’Higgins foi convidado pelo comandante Del Río para assumir o lugar de Ambrosio O’Higgins no Parlamento de Negrete, conselho formado pela oligarquia local e os caciques Mapuches para manter a harmonia entre colonos e indígenas.

Em 1806, foi indicado para ser o alcaide de Laja no cabildo de Chillán em função das suas alianças políticas e apelo popular. Em 1808, Napoleão Bonaparte assume o controle da Espanha e desencadeia uma série de eventos nas colônias da América do Sul. No Chile, a elite político-econômica decide formar um governo autônomo para comandar a Capitania em nome do rei Fernando VII. Esse foi o primeiro de muitos passos em direção à independência chilena na qual O’Higgins desempenharia um papel de liderança.

Em 18 de Setembro de 1810, O’Higgins se juntou ao movimento que respondia localmente à ocupação do território espanhol pelas tropas napoleônicas. A liderança criolla no Chile não reconhecia o governo de José Bonaparte na Espanha e um governo autônomo chamado Junta de Governo do Chile foi criado com o objetivo de restabelecer o governo espanhol legítimo, o reinado de Fernando VII. Atualmente essa data é reconhecida como o dia da Independência do Chile. O’Higgins era um amigo próximo de Juan Martínez de Rozas, um velho amigo de seu pai, e um dos líderes mais radicais do movimento. O'Higgins recomendou que se criasse um congresso nacional e foi eleito, em 1811, para representar o distrito de Laja no Congresso Nacional. As tensões entre as facções que defendiam a lealdade à Coroa Espanhola e o movimento pró-independência, ao qual O'Higgins era filiado, continuavam a crescer.

O exército contrário à monarquia espanhola estava dividido entre valores patronais e personalistas, ideologias políticas e até pela geografia (entre as rivalidades regionais que separavam os grupos de Santiago e Concepción). A família Carrera já tinha participado de outros combates e apoiava um tipo específico de nacionalismo chileno oposto ao defendido pela Loja Lautaro, com foco latino-americano, composto também por O’Higgins e o argentino José de San Martín. José Miguel Carrera, líder mais famoso da família Carrera, mantinha sua base militar em Santiago, enquanto Rozas e depois O’Higgins assentavam praça em Concepción.

Como resultado, O’Higgins se encontrou, desde muito cedo, participando cada vez mais de uma competição política e militar com Carrera. Todavia O’Higgins não era tão proeminente quanto o seu rival. Rozas designou O’Higgins para uma posição menor da hierarquia militar em 1812, possivelmente em função das suas origens ilegítimas, saúde frágil e pouco treinamento militar. Muito do conhecimento militar de O’Higgins foi aprendido com Juan Mackenna, um imigrante irlandês que era cliente do pai daquele que o ensinou principalmente sobre os usos da cavalaria. Em 1813, quando o Vice-Rei do Peru José Fernando de Abascal y Sousa fez o primeiro esforço para reconquistar o Chile – com as tropas comandadas pelo Brigadeiro Antonio Pareja – Carrera, um conhecido líder nacional e o comandante em exercício do exército, era de longe o mais preparado entre as duas figuras, e a escolha natural para liderar a resistência militar.

O’Higgins tinha se retirado do exército e estava de volta ao seu estado em Laja quando recebeu as notícias sobre a invasão. O’Higgins mobilizou a sua milícia local e marchou para Concepción, em seguida para Talca, onde se encontraria com Carrera, que lideraria o novo exército. Carrera mandou O’Higgins para enfrentar as tropas lealistas do Vice-Rei Abascal em Linares, onde a vitória o faria ser promovido a Coronel. Em seguida, o fracasso no Cerco de Chillan, onde O’Higgins demonstrou coragem, mas nada muito espetacular. Todavia, por ser o oficial responsável pela tropa, Carrera levou a maior parte da culpa pela derrota, que o fez perder prestígio frente a Junta quando retornaram a Santiago. O’Higgins continuou a lutar bravamente contra as tropas lealistas e a coragem demonstrada o fazia ser cada vez mais famoso.

Mesmo ferido, O’Higgins perseguiu as tropas lealistas no campo de batalha. A Junta em Santiago tirou o comando da tropa de Carrera, por ter recuado durante a batalha, e o deu a O’Higgins, que nomeou Juan Mackenna comandante geral. Carrera foi capturado por forças lealistas e, na sua ausência, O’Higgins assinou o Tratado de Lircay, que estabelecia uma trégua na guerra. Uma vez que foi solto, em 1814, Carrera se opôs a O’Higgins e ao tratado, derrubando a Junta em um golpe e enviando Mackenna para o exílio.

O'Higgins mudou o seu foco para Carrera e as suas forças se encontraram na batalha de Las Tres Acequias, onde Luis Carrera impôs uma derrota modesta a O’Higgins. Os outros conflitos foram adiados em função das notícias que anunciavam que os lealistas tinha decidido ignorar o tratado de paz e as tropas comandadas pelo general Mariano Osorio ameaçavam Concepción. O’Higgins e Carrera decidiram reunir o exército para enfrentar a ameaça que lhes era comum. Carrera planejava atrair os soldados do Vice-Rei para Angostura del Paine, enquanto O’Higgins preferia a cidade de Rancagua. Eles decidiram se posicionar em Angostura del Paine, onde um desfiladeiro forma um estrangulamento facilmente defendido. Mas, na última hora, O’Higgins reiniu as forças patriotas na praça principal de Rancagua. Carrera não chegou com os reforços e O’Higgins e suas tropas foram rendidos em outubro. Depois de um dia inteiro de combate, o comandante lealista, Mariano Osorio, foi o vencedor, mas O’Higgins conseguiu fugir com alguns de seus homens.

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