Bento de Núrsia, mais conhecido como São Bento (em italiano: Benedetto da Norcia; em latim: Benedictus; Nórcia, Reino Ostrogótico, 2 de Março de 480 – Abadia de Monte Cassino, 21 de março de 547) foi um monge, ao qual é atribuída a organização das atividades da vida monástica. A Ordem de São Bento ou Ordem dos Beneditinos, uma das maiores ordens monásticas do mundo, recebe esse nome em homenagem a ele, bem como por seguir a regra proposta por ele. Embora não possa ser declarado fundador da Ordem dos Beneditinos, ele participou da fundação de mosteiros que adotaram essa denominação, posteriormente à sua morte. Foi o criador da Regra de São Bento, um dos mais importantes e utilizados regulamentos de vida monástica, inspiração de muitas outras comunidades religiosas. Era irmão gêmeo de Santa Escolástica. O papa Paulo VI designou-o patrono da Europa em 1964, sendo também patrono da Alemanha. É venerado não apenas por católicos, como também por ortodoxos e anglicanos. Fundou a Abadia de Monte Cassino, na Itália, destruída durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente restaurada. O calendário católico-romano comemora-o a 11 de julho, data em que se trasladaram suas relíquias para a Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire.
A fonte de todos os acontecimentos da vida de São Bento são os Diálogos de São Gregório Magno, redigidos por volta de 593, que se baseou em fatos narrados por monges que conheceram pessoalmente São Bento.
Segundo o papa Gregório I, São Bento foi filho de uma família nobre romana da região de Nórcia (próximo à cidade italiana de Espoleto), onde realizou seus primeiros estudos. Era irmão gêmeo de Santa Escolástica. Mais tarde, foi enviado a Roma para estudar retórica e filosofia, mas, tendo-se decepcionado com a decadência moral da cidade, abandona logo a capital e retira-se para Enfide (atual Affile), em 500. Ajudado por um eremita da região chamado Romano, que lhe deu um hábito de monge, instalou-se em uma gruta de difícil acesso no monte de Subíaco, a fim de viver como eremita. Romano lhe ensinava acerca da vida de eremita e o ajudava regularmente com alimentos. Depois de três anos nesse lugar, dedicando-se à oração e ao sacrifício, foi descoberto por alguns pastores, que divulgaram a fama de santidade. A partir de então, foi visitado constantemente por pessoas que buscavam conselhos e direção espiritual.
Foi então eleito abade de um mosteiro em Vicovaro, no centro da península itálica. Por causa do regime de vida exigente, os monges tentaram envenená-lo, mas, no momento em que dava a bênção sobre o alimento, saiu da taça que continha o vinho envenenado uma serpente e o cálice se fez em pedaços. Com isso, São Bento resolve deixar a comunidade e retornar à vida solitária no monte de Subíaco, vivendo consigo mesmo: habitare secum.
Em 503, recebeu grande quantidade de discípulos e fundou doze pequenos mosteiros. Em 529, por causa da inveja do sacerdote Florêncio, tem de se mudar para Monte Cassino, onde fundou o mosteiro que viria a ser o fundamento da expansão da Ordem Beneditina. É nesse episódio que Florêncio lhe enviou de presente um pão envenenado, mas Bento deu o pão a um corvo que todos os dias vinha comer de suas mãos e ordenou à ave que levasse o pão para longe, onde não pudesse ser encontrado. Tendo falhado ao enviar-lhe pão envenenado, Florêncio tentou seduzir seus monges com algumas prostitutas. Para evitar novas tentações, por volta de 530, Bento deixou Subiaco. Durante a saída de Bento, Florêncio, sentindo-se vitorioso, saiu ao terraço de sua casa para ver a partida do monge. Entretanto, o terraço ruiu e Florêncio morreu. Um dos discípulos de Bento, Mauro, foi pedir ao mestre que retornasse, pois o inimigo havia morrido, mas Bento chorou pela morte de seu inimigo e também pela alegria de seu discípulo, a quem impôs uma penitência por regozijar-se pela morte do sacerdote. Partindo para o Monte Cassino, lá encontra um antigo templo dedicado ao culto de Apolo e resolve construir no seu lugar uma capela consagrada a São Martinho de Tours, o Monge Apóstolo da Gália, e outra a São João Batista, pai dos monges do Novo Testamento. Lá, aproveitou as instalações do velho edifício, adaptando-as para ser a casa dos monges.
No local, o demônio aparecia para São Bento em chamas e todos podiam lhe ouvir seus gritos. No entanto, somente São Bento o via e o demônio lhe gritava: "Bento, Bento. Maldito és tu, e não bendito. Que tens tu comigo? Por que me persegues?"
Em 534, começou a escrever a Regula Monasteriorum (Regra dos Mosteiros). Morre em 21 de março de 547, tendo antes anunciado a alguns monges que iria morrer e seis dias antes mandado abrir sua sepultura. Sua irmã gêmea Escolástica havia falecido em 10 de fevereiro do mesmo ano.
As representações de São Bento geralmente mostram, junto com o santo, o livro da Regra, um cálice quebrado e um corvo com um pão na boca, em memória ao pão envenenado que recebeu do sacerdote invejoso.
As relíquias de São Bento estão conservadas na cripta da Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire (Fleury), próximo a Orleães e Germigny-des-Prés, no centro da França.
De acordo com a tradição, Bento de Núrsia foi santificado por ter vencido duas ciladas armadas pelo Diabo, nas quais lhe é oferecido um cálice de vinho envenenado e um pedaço de pão, também envenenado.
Além disso, em muitas vezes fora tentado efetivamente pelo Diabo, além de ser ofendido e insultado de tal maneira que os irmãos de hábito que estavam ao seu redor podiam escutar as ofensas que ele recebia.
O Santo Varão, como também é chamado, vencia o tentador utilizando-se do sinal da cruz e da oração contida na Cruz Medalha que fora esculpida nas paredes de um mosteiro.
A Regula Monasteriorum, também denominada Regula Monachorum, é composta por um prólogo e 73 capítulos. É possível que ela não seja inteiramente composta por Bento, mas criada por ele valendo-se de uma regra mais antiga, Regula Magistri, composta por autor desconhecido, na mesma região da Itália, trinta anos antes da composição da Regra de São Bento. Dom Basilius Steidle propôs as seguintes divisões temáticas para Regra de São Bentoː
Estrutura fundamental do mosteiro: capítulos 1-3
A arte espiritual: capítulos 4-7
Organização interna do mosteiro: capítulos 21-52
O mosteiro e suas relações com o mundo: capítulos 53-57
A renovação da comunidade monástica: capítulos 58-65